quarta-feira, maio 21, 2008

Religião é intimismo

O respeito pela crença dos outros leva-me, naturalmente, a ficar calado para não ofender os princípios de quem tem a sua convicção, a qual, algumas vezes, colide com a minha forma de pensar.

Havia – e continua a haver) quando tinha que contactar directamente com pessoas – três coisas que eu nunca perguntava que eram: as tendências religiosas, políticas e sexuais de cada um. Pois considero que essas coisas são do foro particular e, por isso, só ao próprio dizem respeito e ninguém tem nada a meter-se na vida recôndita do seu semelhante. No entanto, sou – como já disse anteriormente – contra tudo o que seja fanatismo/fundamentalismo.

Seguindo essa linha de pensamento (embora respeitando quem mos envia) devo dizer que fico triste (e chocado) quando recebo, por correio normal ou electrónico, mensagens com orações para que as reenvie (em cadeia) para umas tantas pessoas (o que nunca faço), sob a promessa/garantia de que se o fizer terei acesso a umas tantas graças divinas, mas se proceder inversamente (afirmam tais mensagens) serei vítima de umas tantas desgraças.

Sou contra – repito – porque a Fé não é nada disso, nem tem nada a ver com isso. A Fé é (deve ser) muito privada, muito nossa, pois deve ser fruto da nossa inteligência e, também, do nosso coração, onde, em concomitância, gera emoções e sentimentos individuais (quase sempre invisíveis) e intransmissíveis.

Desse modo, essas mensagens perdem todo o mérito por se tornarem fogo de artifício em noite de romaria. Assim sendo, tais manifestações (ditas) de religião (contacto com a Transcendência Superior que é tudo e está em todos) podem ser aquilo que quiserem, mas Fé é que, efectivamente, não são.

Haja recato e seriedade no que concerne à puridade de cada pessoa! As manifestações Divinas são resultado da oração (mesmo colectiva) de uma Fé, recatadamente, discreta e não de barulhentos e exibicionistas altifalantes ou de coloridas flâmulas pendentes de altos mastros.

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