terça-feira, maio 21, 2013

Grito enraivecido


Os idosos cantam salmos,
Belos cantos de amor e grande fé
(Nau a singrar com vento forte à ré),
Nada que se meça aos palmos.
Porque o esp’ritual não tem medida,
Jamais se pode apalpar nesta vida,
Mas, sem el’ não ‘stamos calmos.

Que confusão ou loucura
Vai no pobre pensamento?...
– A água só corre pura
Em veio sem excremento.

Há quem não saiba o que diz,
Em horas mui conturbadas,
E curve tanto a cerviz
Que deixa as costas quebradas.

Oh, baralha das baralhas!...
Por que não ages e ralhas
Aos que só te fazem mal
Lançando-te ao lodaçal?...

Porra! Dizemos: Já basta.
A paciência se gasta!!!...

segunda-feira, abril 15, 2013

Salmo Actual


Ó Gentes, orai
Por falta de amor;
Ó Povos, sonhai
Mil sonhos com dor,
Ó Nações, rezai,
Rezai ao Senhor!

Os Humanos desavindos
Agridem a toda a hora,
Violam acordos lindos
E tudo, tudo piora;
Quebram elos com valor
– Dum mundo já em escombros –
E, sem um Libertador,
Aguentam tudo em seus ombros
‘té que um dia chegue a Paz
Que virá por mais «mil anos»
Com o Amor de quem bem faz
E não castiga com danos.

Então – Tempo Salvador –:
Ó Gentes, cantai
O excesso de amor;
Ó Povos, sonhai
Mil sonhos sem dor,
Ó Nações, louvai,
Louvai o Senhor!

quinta-feira, abril 04, 2013

Memórias de menino - II Guerra Mundial




[Guerra;
Um temporal de loucura
E de incongruência pura.]

Ainda não entendia,
Porém sentia e sabia
Que a Guerra não era boa,
Para nenhuma pessoa;
A dor era epidemia
A alastrar sem terapia;
Todos eram sofredores,
Vencidos e vencedores;
A Ética e a Moral
Sumiram no temporal.
Me lembro. Eu era um garoto,
Não mimado, nem maroto.

Sorria sofridamente,
Mas não, nunca estava ausente
Ouvindo a rádio e os adultos
Que tinham muitos indultos,
No perceber dessa vida
Tão negra e descolorida
P’la mágoa e racionamento
Na boca e no sentimento:
«Isto não é p’ra crianças,
É cedo p’ra tais andanças
Me lembro. Eu era um garoto,
Não mimado, nem maroto.

Por quê tanta desavença,
Tanto erro e tanta descrença?
A guerra nada respeita
E a plebe é insatisfeita;
Aquilo que alguém constrói,
Logo, logo se destrói.
Na guerra, chora o menino
Faminto e sem ter Destino.
– Não queimem mais casa e palhas,
Acabem com as batalhas!
Me lembro. Eu era um garoto,
Não mimado, nem maroto.

Pelas minhas más lembranças,
Vou berrar, entre faianças
De gente mui “divertida”,
Mas que anda bem distraída:
– Rai’s parta a Guerra que vem
E nada, nada detém
Seu avanço, malquerente.
Vem do lendário Oriente,
Como o diz o “Apocalipse”,
Em um profético eclipse
Dos estros mais altaneiros
Que apagaram seus luzeiros!!!

quinta-feira, março 21, 2013

Em DIA DA pOESIA


Hoje é dia da Poesia
E dos poetas a rimar
- Ai! –, mas não da fantasia
Vã no sentir e sonhar.

Hoje é dia de gritar,
Mil revoltas abafadas,
Por quem não tem pão nem lar
E vive com poucos nadas.

É Primavera e a Poesia
Anda perdida e sem rumo,
Vivendo o Seu dia-a-dia,
Desgostosa e sem aprumo.

– Poetas da nossa Terra,
Mudai o vosso falar
Perdoai ao mundo que erra,
Mas não parai de bradar!

– Quão pobre é a Humanidade
Sem ter solidariedade!!!...f 

domingo, março 10, 2013

O Mérito só no Porvir


Sou tal qual Antóni’ Aleixo,
Canto, sofro e não me queixo.
El’ ‘stava tuberculoso,
Mas seguiu firme e garboso
‘té, um dia, vir a morte
Que mudou a sua sorte,
 Tornando-o mui louvado
Por quem fora desprezado.

Também eu não temo a morte,
Pois já vivo na má sorte
E a cair no esquecimento,
Por não darem valimento
Ao que escrevo nesta vida
– Que passou breve e dorida –
Deixando-me insatisfeito,
Com tal falta de respeito.
Eu sei bem o quanto valho
E não refugo o trabalho,
Todo feito com amor,
Sacrifício e muita dor,
No frenesim criativo
De Homem ainda vivo.

Postumamente direi,
Acreditem, porque sei:
– Sou tal qual Antóni’ Aleixo,
Canto, sofro e sim… me queixo!...