quinta-feira, abril 04, 2013

Memórias de menino - II Guerra Mundial




[Guerra;
Um temporal de loucura
E de incongruência pura.]

Ainda não entendia,
Porém sentia e sabia
Que a Guerra não era boa,
Para nenhuma pessoa;
A dor era epidemia
A alastrar sem terapia;
Todos eram sofredores,
Vencidos e vencedores;
A Ética e a Moral
Sumiram no temporal.
Me lembro. Eu era um garoto,
Não mimado, nem maroto.

Sorria sofridamente,
Mas não, nunca estava ausente
Ouvindo a rádio e os adultos
Que tinham muitos indultos,
No perceber dessa vida
Tão negra e descolorida
P’la mágoa e racionamento
Na boca e no sentimento:
«Isto não é p’ra crianças,
É cedo p’ra tais andanças
Me lembro. Eu era um garoto,
Não mimado, nem maroto.

Por quê tanta desavença,
Tanto erro e tanta descrença?
A guerra nada respeita
E a plebe é insatisfeita;
Aquilo que alguém constrói,
Logo, logo se destrói.
Na guerra, chora o menino
Faminto e sem ter Destino.
– Não queimem mais casa e palhas,
Acabem com as batalhas!
Me lembro. Eu era um garoto,
Não mimado, nem maroto.

Pelas minhas más lembranças,
Vou berrar, entre faianças
De gente mui “divertida”,
Mas que anda bem distraída:
– Rai’s parta a Guerra que vem
E nada, nada detém
Seu avanço, malquerente.
Vem do lendário Oriente,
Como o diz o “Apocalipse”,
Em um profético eclipse
Dos estros mais altaneiros
Que apagaram seus luzeiros!!!

quinta-feira, março 21, 2013

Em DIA DA pOESIA


Hoje é dia da Poesia
E dos poetas a rimar
- Ai! –, mas não da fantasia
Vã no sentir e sonhar.

Hoje é dia de gritar,
Mil revoltas abafadas,
Por quem não tem pão nem lar
E vive com poucos nadas.

É Primavera e a Poesia
Anda perdida e sem rumo,
Vivendo o Seu dia-a-dia,
Desgostosa e sem aprumo.

– Poetas da nossa Terra,
Mudai o vosso falar
Perdoai ao mundo que erra,
Mas não parai de bradar!

– Quão pobre é a Humanidade
Sem ter solidariedade!!!...f 

domingo, março 10, 2013

O Mérito só no Porvir


Sou tal qual Antóni’ Aleixo,
Canto, sofro e não me queixo.
El’ ‘stava tuberculoso,
Mas seguiu firme e garboso
‘té, um dia, vir a morte
Que mudou a sua sorte,
 Tornando-o mui louvado
Por quem fora desprezado.

Também eu não temo a morte,
Pois já vivo na má sorte
E a cair no esquecimento,
Por não darem valimento
Ao que escrevo nesta vida
– Que passou breve e dorida –
Deixando-me insatisfeito,
Com tal falta de respeito.
Eu sei bem o quanto valho
E não refugo o trabalho,
Todo feito com amor,
Sacrifício e muita dor,
No frenesim criativo
De Homem ainda vivo.

Postumamente direi,
Acreditem, porque sei:
– Sou tal qual Antóni’ Aleixo,
Canto, sofro e sim… me queixo!...

sábado, março 02, 2013

VIRIRO(S)


Um leitor do meu blogue, comentou o facto de, em postagem de há muito tempo, eu ter afirmado que não existiu um Viriato, mas sim muitos “Viriatos” (homens das viris) que chefiavam (e comandavam) os inúmeros clans tribais, espalhados pela Lusitânia, os quais, com ferocidade inigualável, se opunham, através de guerra de emboscada, ao pesado jugo romano.

Dizia ainda esse leitor: «Não diminua o valor do maior guerreiro nascido em Portugal.»
É bem claro e evidente que não desvalorizo coisa alguma, bem pelo contrário, valorizo e muito o mérito desses ilustres chefes lusitanos de quem orgulhosamente descendemos.
Vivam os Homens das viris – nobres e valentes guerreiros Lusitanos!

sábado, fevereiro 23, 2013

«Eu»


Diante do espelho – como na “Aparição” de Virgílio Ferreira –, cada um de nós se demanda quem é e como é. Todavia, mormente os esforços dispendidos, quase nunca se alcançam as respostas certas e inquestionáveis.
Só o “Eu” pessoal poderá, eventualmente, encontrar e encontrar-se para dar satisfação individual e inequívoca às questões, ainda que subliminarmente, levantadas.
O Homem – seja como seja, ou seja qual for a sua condição social – sempre imporá a si próprio, muito naturalmente, tais interrogações. Só o não fará se as suas potencialidades mentais, ou a sua debilidade cultural o impedirem.
As dúvidas existenciais não são preocupação moderna. Por certo que, desde que o Homem se ergueu e caminhou sobre duas pernas, a inquirição do por quê e do como da sua estada na Terra se impôs no seu intelecto. Temos todos, como é óbvio, uma árvore genealógica que nos informa da nossa condição genética. Mas não é isso o que buscamos e nos preocupa. É algo mais importante e, talvez, por ser mais transcendental, muito mais enigmático no adicional mistério das nossas vidas.
Provavelmente (acentuamos: de certeza), todas estas perplexidades existenciais humanas advêm do medo, imposto pela irreversibilidade da morte física a que ninguém (ainda e presumo que sempre) consegue escapar.
Penso (eu – simples autor deste modesto e despretensioso texto) que estas questões, da humilde criatura humana não se põem àqueles que, com extremada convicção, aceitam a reencarnação, ou seja: o regresso, post-mortem, do espírito (alma), através de um outro ser, para expiação de erros do passado – «Lei do Retorno». Teoria com que não posso concordar, pois, para mim, a Energia Superior que rege o Universo, apesar de tudo e de ser elevadamente inteligente, não usura e, portanto, não cobra pagamento por aquilo de que não nos recordamos.
No entanto, de forma bem vincada, tudo isto modela e define o comportamento individual das pessoas e, ao inverso do que se possa pensar, não colide, nem adultera o raciocínio de Freud ao determinar, como vectores principais do comportamento humano, o Ser (importante), o Ter (riqueza) e o Prazer (excitação agradável dos sentido).
Somos, afinal, um animal muito complexo e, depreende-se, muito dependente de nós próprios e, relevantemente, do nosso semelhante.
Por quê, então, tanta desavença, indignação, discórdia: Guerra?!...
– Existo! Sou o que sou, porque sim!!! – Conclui, perentório, o meu Eu.g