sábado, março 02, 2013

VIRIRO(S)


Um leitor do meu blogue, comentou o facto de, em postagem de há muito tempo, eu ter afirmado que não existiu um Viriato, mas sim muitos “Viriatos” (homens das viris) que chefiavam (e comandavam) os inúmeros clans tribais, espalhados pela Lusitânia, os quais, com ferocidade inigualável, se opunham, através de guerra de emboscada, ao pesado jugo romano.

Dizia ainda esse leitor: «Não diminua o valor do maior guerreiro nascido em Portugal.»
É bem claro e evidente que não desvalorizo coisa alguma, bem pelo contrário, valorizo e muito o mérito desses ilustres chefes lusitanos de quem orgulhosamente descendemos.
Vivam os Homens das viris – nobres e valentes guerreiros Lusitanos!

sábado, fevereiro 23, 2013

«Eu»


Diante do espelho – como na “Aparição” de Virgílio Ferreira –, cada um de nós se demanda quem é e como é. Todavia, mormente os esforços dispendidos, quase nunca se alcançam as respostas certas e inquestionáveis.
Só o “Eu” pessoal poderá, eventualmente, encontrar e encontrar-se para dar satisfação individual e inequívoca às questões, ainda que subliminarmente, levantadas.
O Homem – seja como seja, ou seja qual for a sua condição social – sempre imporá a si próprio, muito naturalmente, tais interrogações. Só o não fará se as suas potencialidades mentais, ou a sua debilidade cultural o impedirem.
As dúvidas existenciais não são preocupação moderna. Por certo que, desde que o Homem se ergueu e caminhou sobre duas pernas, a inquirição do por quê e do como da sua estada na Terra se impôs no seu intelecto. Temos todos, como é óbvio, uma árvore genealógica que nos informa da nossa condição genética. Mas não é isso o que buscamos e nos preocupa. É algo mais importante e, talvez, por ser mais transcendental, muito mais enigmático no adicional mistério das nossas vidas.
Provavelmente (acentuamos: de certeza), todas estas perplexidades existenciais humanas advêm do medo, imposto pela irreversibilidade da morte física a que ninguém (ainda e presumo que sempre) consegue escapar.
Penso (eu – simples autor deste modesto e despretensioso texto) que estas questões, da humilde criatura humana não se põem àqueles que, com extremada convicção, aceitam a reencarnação, ou seja: o regresso, post-mortem, do espírito (alma), através de um outro ser, para expiação de erros do passado – «Lei do Retorno». Teoria com que não posso concordar, pois, para mim, a Energia Superior que rege o Universo, apesar de tudo e de ser elevadamente inteligente, não usura e, portanto, não cobra pagamento por aquilo de que não nos recordamos.
No entanto, de forma bem vincada, tudo isto modela e define o comportamento individual das pessoas e, ao inverso do que se possa pensar, não colide, nem adultera o raciocínio de Freud ao determinar, como vectores principais do comportamento humano, o Ser (importante), o Ter (riqueza) e o Prazer (excitação agradável dos sentido).
Somos, afinal, um animal muito complexo e, depreende-se, muito dependente de nós próprios e, relevantemente, do nosso semelhante.
Por quê, então, tanta desavença, indignação, discórdia: Guerra?!...
– Existo! Sou o que sou, porque sim!!! – Conclui, perentório, o meu Eu.g

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Poeta envergonhado


Canta, canta se és cantor,
Segue esse teu nobre fado.
Não quedes envergonhado,
Cuidando-te sem valor.

E se és poeta, anda: verseja;
Revela teus sentimentos,
Espalha-os aos quatro ventos
P’ra que o mundo, assim, os veja.

Grita forte a tua dor,
Não fiques nunca calado,
‘scondido em qualquer valado
A vivem sem fé e amor.

Tu és pássaro cantor
Tens, Homem, um belo fado.
Não vivas amargurado,
Morrendo sem dar calor.

Se és acha bem acendida
Vai adiante a cantar
Lança canções pelo ar
E dá cor à tua vida.

Ser Poeta, oh! é ser assim,
Viver sempre em frenesim
E florir como um jardim!...

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

A Troika e os Messias de hoje



Desde tempos imemoriais, os Povos, em períodos de crise ou subjugação, criam e começam a esperar por um qualquer Messias que os virá salvar da aflição em que se encontram.
Em Portugal, nos finais do século XVI, criou-se e esperava-se que o Rei D. Sebastião viria, numa manhã de nevoeiro, montado num imponente cavalo branco, de Alcácer Quibir, para salvar os portugueses do jugo castelhano.
E agora, quem será que chegará, bem acomodado num luzidio Rols Royce preto, dentre as brumas da politiquice, para nos tirar das garras asfixiantes da Troika?...
Cá por mim, penso que só o Povo unido, com a sua luta, com o seu trabalho e com o seu muito querer, poderá substituir o hipotético e lendário Messias!...

quinta-feira, novembro 29, 2012

Beleza


A beleza – aprendi, por mim próprio, em menino – não se define por palavras, mas sente-se no coração e na alma através das emoções e, depois, dos sentimentos que desencadeia em cada um de nós.
É por isso que aquilo que para nós pode ser tido como belo, para outros será considerado feio, se não mesmo horrível.
Uma flor seca e descorada, achada entre as páginas de um velho livro, pode, pelas sensações e memórias activadas, ser tomada como bela, todavia, outra pessoa, por certo, a deitará ao lixo, rejeitando-a por a classificar de feia, como tal, inútil. E, dando outro exemplo, uma trovoada que, para muita gente, é horrível porque assusta e, ás vezes, causa danos, para mim, é um dos espectáculos mais belos da Natureza.
Assimn sendo, quando se visita uma exposição de Arte, é preciso ter em vista a emissão de nossa opinião, julgando mal uma obra e seu autor apenas motivados (incorrectamente) pela emoção do momento, descurando todos os outros factores (artísticos e técnicos) que constituem e estão presentes no trabalho em apreço.
Não será assim?... Ou serei louxo?...