quarta-feira, junho 22, 2011

... Uma dissertação acerca de...

Quem não sabe, não ensina. A mais das vezes, julgamo-nos senhores de todo o conhecimento e não usamos da humildade do filósofo grego Sócrates, ao afirmar o célebre «sei que nada sei.» E, então, para não se dar o braço a torcer, inventa-se. Mas essa “invenção” breve se revela coxa, porque, sem bases de conhecimento sólido, acaba por não ter pernas que a levem a lado nenhum.

Isto é quase uma verdade do Senhor De La Palisse – diga-se sem condicionantes – todavia, é a realidade palpável com que, a cada virar de esquina, nos deparamos e nos deixa confusos e… de certo modo, revoltados, pois os valores primordiais de nossa ancestral educação, vinculada e assente na solidariedade e no amor ao próximo, estão a ser (ou foram) lançados ao caixote do lixo.

E esta (mui triste) constatação é muito abrangente, já que não se confina ao mundo da política e dos políticos, todas as actividades e agentes da sociedade actual estão contaminados e essa “ferrugem” destruidora alastra sem freio que a pare. Daí que o Futuro se torne imprevisível e desanimador só ao pensar-se nele.

Felizmente que, no meio deste negro quadro, ainda há muito quem pense e proceda de modo inverso, pondo a humildade, a honestidade e a autenticidade em primeiro plano na sua forma de viver e conviver. É por isso que não podemos nunca perder a coragem, nem o dinamismo para prosseguirmos na dura e bela tarefa de pretendermos construir um mundo novo, feito de Amor e Paz.

segunda-feira, junho 20, 2011

Dúvidas Políticas

Quando se pretende adquirir algo, primeiro lê-se as informações do catálogo e, depois, faz-se o negócio, se as características do produto corresponderem ao que temos em vista.

Vem isto a propósito da figura do Ministro da Saúde, do novo Governo, que, por acaso, não é médico, nem possui habilitações académicas relacionadas com tal área do conhecimento científico.

Pois bem, também Maldonado Gonelha – um simples, mas digno e inteligente electricista – foi Ministro da Saúde e, ao inverso de quanto podia pensar-se, acabou por ser, até ao presente, (como afirmam, imensos comentaristas) o melhor de todos, após 25 de Abril de 1974.

Fazer juízos por antecipação, nem sempre é correcto, porque o que parece, às vezes, não é, e o inverso também tem toda a aplicação. O Ser Humano não nasce com rótulo, nem traz catálogo publicitário que defina suas qualidades e virtudes de aquisição e uso.

Nestes casos – sem deixar de se usar de isenção – o melhor é, naturalmente, esperar para ver no que as coisas darão.

Assim… (embora céptico quanto a um sistema político, claramente de Direita) resta-nos dizer como o cego: «Vamos a ver!...»

sexta-feira, junho 17, 2011

Memórias de uma Cidade

Durante todo o século XIX, princípio do século XX, a Rua Escura e suas imediações (incluindo a Rua Direita e quase toda a urbe antiga), era, em Viseu, o Centro Cívico da cidade. Lá existiam um teatro, algumas associações culturais e recreativas, salas de chá e café, muitas tabernas, bem como várias casas de pasto, onde as pessoas se encontravam para se divertir, comer, beber, conversar e até fazer negócios.

Os tempos mudaram. A Revolução Industrial, ainda que, por cá, muito tardia, a pouco e pouco, acabou com tudo isso. A Rua Escura e as que nela desembocavam, como a Rua das Quintãs, tornaram-se zonas habitacionais de operários e de gente menos favorecida, em que se instalaram, também, uns tantos famosos lupanares da região.

Nos finais dos anos 40 do século XX, altura a que cheguei à cidade, já só era válida essa memória na Rua Direita, Rua Nova (Augusto Hilário), Rua da Cadeia (D. Duarte) e muito pouco mais, pois o resto era já uma urbe a querer acompanhar o comboio do progresso propagandeado e estupidamente executado pelo Estado Novo, sob a batuta implacável e dura de um Salazar mais retrógrado e preconceituoso do que um “velho do Restelo”.

Depois, nos trinta e tal anos subsequentes, foi o evoluir tímido, muito envergonhado e receoso para novos conceitos de vida, de urbanismo, e de arquitectura social que, nalguns casos, aleijaram e desvirtuaram a Cidade que só começou a tomar a forma e o querer de hoje com o retorno à Liberdade, trazida pelo 25 de Abril de 1974.

quarta-feira, junho 15, 2011

Ainda "... Sobre o Fado"

«Pôr o Fado nos pícaros da Lua;» | mas não fazê-lo canto nacional, \ porque não é canção forte que actua | na hora mais amarga e radical.

O Fado é um cantar triste de rua, | onde nasceu, cresceu e tem aval, | porém não é a balsa que flutua | e nos salva dum grande temporal.

Tenha louros dourados na cabeça, | ou, simplesmente, palha seca e dura, | el’ não é uma força que mereça

Honrarias de nobre por bravura. | O Fado não faz Gesta Nacional, | e jamais dá o “Brado Impulsional”.

segunda-feira, junho 13, 2011

...Sobre o Fado

«…Pôr o Fado nos píncaros da Lua.» – Afirmou, do alto dos seus mais de noventa anos, o Professor/músico Joel Pina, para enaltecer a canção portuguesa, candidata a “Património Cultural da Humanidade”.

Pois bem! Cá por mim esclareço: Eu não considero o fado, nem o reconheço, de modo algum, como a “canção nacional”. E, por certo, muitíssimas pessoas pensam como eu, já que é tremendamente difícil admitir que uma canção lânguida, na música e no verso, possa ser o motor de um Povo que, ao longo dos séculos, com vontade e coragem inexcedíveis, escreveu tantas e tão gloriosas páginas da sua e da História Universal.

Para se vencer na vida é preciso possuir muito querer, muito arrojo, e muito entusiasmo. Coisas que não abundam em tal tipo de manifestação musical, em que a saudade e a tristeza, mesmo quando a falar de algo mais alegre, são a essência de toda a sua textura.

È verdade que escrevi, para um grupo de fadistas visienses, a letra de alguns dos fados que, vaidosamente, interpretam. Mas isso, embora não rejeite um fado bem cantado, não faz de mim um adulador incondicional do Fado, nem que o eleja como canção nacional.

Fado “Património Cultural da Humanidade” sim. Todavia, nada mais do que isso!...