quarta-feira, abril 20, 2011

injustiças da "crise"

Às vezes fico a pensar se a Crise” é para todos ou se ainda há privilegiados que não sabem o que isso é, pois gastam que nem uns nababos.

Vem isto a propósito de uma notícia do Google em que, em título, se dizia que “um estudo revela que os portugueses gastam mais em hotéis lá fora…”

Sim, sim! Lá fora somos todos muito ricos, nem que, para isso, nos endividemos disparatadamente e tenhamos, depois, que “apertar o cinto”, por anos e anos.

Eu já não sei se a “nossa” crise foi originária dos maus governos nacionais e estrangeiros, se de nós próprios, desta loucura, de gente pobre com manias e baforadas de ricos.

Agora trememos de medo, porque o FEEF e o FMI, nos vão fazer pagar tudo com “língua de palmo”, até ao último cêntimo, quer gritemos, quer esbracejemos. “Cá se fazem, cá se pagam”. Só que há gente que sem nada ter feito está a (e vai) pagar aquilo que não gozou.

Ai – ó Deus! – que lei cruel e injusta!!!

segunda-feira, abril 18, 2011

A "Crise" e o medo

Quedam medos sem destino, na alma de muita gente, mas, apesar de haver razão, que ninguém se deixe abater pelo acabrunhante desânimo. Os antigos diziam que «atrás de tempos, tempos vêm», no que, sejamos esperançosos e, também, muito realistas há imensa verdade, pois, no meio das tragédias, que nos assolam, acaba sempre por haver algo de bom que impele a seguir caminho, retirando os escolhos e lambendo as feridas.

Não é pondo-nos às “marradas” ao (no) muro das lamentações que solucionamos os problemas que nos afectam, tenhamos disso plena consciência. O que é preciso é seguir o conselho do Marquês de Pombal, ao afirmar, no Terramoto de 1755: «enterrem-se os mortos e cuidem-se os vivos!»

O terramoto económico e político que estamos a viver, não é maior, nem menor do que o daquela ocasião. Só que, naquela época, recorreu-se à ajuda dos nossos “velhos” aliados, os ingleses, agora a ajuda vem do FEEF e do FMI, afinal, vai dar ao mesmo.

Para “cuidar dos vivos”, Sebastião José de Carvalho e Melo, tratou de desenvolver a agricultura, a indústria e o comércio, da forma mais inteligente, ao alcance daquele tempo, promovendo a exportação de vinhos do Douro e outros produtos para Inglaterra e, naturalmente, dando trabalho a multidões de portugueses ociosos, como forma de reduzir a miséria, que, então, graçava.Tenhamos fé e não medo, e – vo-lo digo – surgirá, no meio da borrasca, um luminoso raio de Sol que nos salvará!....

sexta-feira, abril 15, 2011

Divagando sobre a "Crise"

Há mais de cinquenta anos, dizia meu pai, numa metáfora e com ironia, que “quem sobe os degraus duma faculdade, logo se julga doutor e já não quer sujar as mãos com trabalho, só quer mandar.”

Talvez por esse espírito tacanho, de alguns (muitos) portugueses, estejamos a viver as dificuldades destes dias. Não soubemos guardar os excessos, nem fomos capazes de criar novas coisas e preguiçamos, preguiçamos disparatadamente. A vida era-nos fácil. Parecia que tudo nos caía do Céu, qual maná, no deserto, aos judeus em busca da “terra prometida”.

E Portugal ficou de monte, com terra e terra por cultivar, fugindo á quadra do poeta de S. Pedro do Sul, António Correia de Oliveira que diz: «(...) quando a preguiça morrer | até o monte maninho | dará rosas, pão e vinho.»

A fome, que já assola muitas famílias, está a fazê-las retornar à terra, a cultivar as abandonadas leiras, todavia ainda não é bastante. È urgente que as terras, de pousio, voltem a ser aradas com uma agricultura inteligente, científica e produtiva, mas não gananciosa e poluente que as deixe exauridas e contaminadas.

E… se houver excesso, pela boa qualidade dos produtos obtidos, que se exporte, criando riqueza e, de certo modo, emprego para quem dele carece, para que lhe não chamem de “geração à rasca” e sim, de “geração desenrascada”, que soube arregaçar as mangas e, suando as estopinhas, trabalhar a terra, tirando dela quanto ela tem para dar.

Que mais há para dizer?!...

quarta-feira, abril 13, 2011

Mudanças perniciosas (?!...)

Já vivi 66 anos em Portugal continental e não me recordo de, nesta altura, andar com a roupa do pino de Verão. Estamos à borda da Páscoa e parece que já é S. João tal o calor que faz por cá.

Diziam os antigos que estas temperaturas – digo eu, fora de tempo - são para amargar, ou seja, queriam dizer que ainda haverá muito frio e chuva para vir e reforçavam esse pensamento afirmando que «Abril queima o carro e o carril e o que ficou o Maio o queimou». Num outro aforismo também era dito que «pela Páscoa usa o gibão e daí para a frente, trá-lo sempre».

Luís de Camões tinha razão ao versejar que «tudo é feito de mudança». Muda a meteorologia, muda a sociedade, muda a política, mudamos nós próprios, a cada momento. O que não muda afinal? Talvez as únicas coisas imutáveis sejam as “leis” cósmicas”, pois dependem de acontecimentos ocorridos há milhões de anos e de vectores inacessíveis à vontade (estupidez) humana.

Na Terra, as alterações devem-se aos erros do Homem, com exageros de todos os géneros, a poluição, e o uso de factores nocivos à natureza, tudo isso por ambição à riqueza fácil a que vulgarmente apelidamos de avareza, sovinice e ganância pelo gozo dos bens deste Mundo.

– Que não mude, nem desapareça a Energia do Amor – força capaz de curar todos os males e de corrigir o quanto tem sido mal feito no nosso Planeta!

O voto/aviso/grito, mais uma vez, aqui fica.

segunda-feira, abril 11, 2011

Cegueira

A minha neta de afecto, que não de sangue, para um trabalho na escola onde é professora, pediu-me um poema que falasse da cegueira. Eu correspondi ao pedido.

Mas fui avisando que a cegueira maior, hoje em dia e parece que sempre, não é de quem padece de uma qualquer anomalia visual e sim, a daqueles que, tendo óptima vista, possuem um espírito tão tacanho e hermético que não vêem o que se passa à sua volta, ou que se recusam, vendo muito bem, a enxergar o que é, por demais, evidente.

José Saramago, de certa forma, diz exactamente isto, no seu “Ensaio sobre a cegueira”. Cristo, há dois mil anos, também o disse e reforçou que esses tristes cegos, são tão maldosos que “vêem o cisco no olho alheio e são incapazes de ver o argueiro nos seus próprio olhos”.

Ele há, para ai, tantos cegos!...

E por aqui me quedo!...