sexta-feira, abril 15, 2011

Divagando sobre a "Crise"

Há mais de cinquenta anos, dizia meu pai, numa metáfora e com ironia, que “quem sobe os degraus duma faculdade, logo se julga doutor e já não quer sujar as mãos com trabalho, só quer mandar.”

Talvez por esse espírito tacanho, de alguns (muitos) portugueses, estejamos a viver as dificuldades destes dias. Não soubemos guardar os excessos, nem fomos capazes de criar novas coisas e preguiçamos, preguiçamos disparatadamente. A vida era-nos fácil. Parecia que tudo nos caía do Céu, qual maná, no deserto, aos judeus em busca da “terra prometida”.

E Portugal ficou de monte, com terra e terra por cultivar, fugindo á quadra do poeta de S. Pedro do Sul, António Correia de Oliveira que diz: «(...) quando a preguiça morrer | até o monte maninho | dará rosas, pão e vinho.»

A fome, que já assola muitas famílias, está a fazê-las retornar à terra, a cultivar as abandonadas leiras, todavia ainda não é bastante. È urgente que as terras, de pousio, voltem a ser aradas com uma agricultura inteligente, científica e produtiva, mas não gananciosa e poluente que as deixe exauridas e contaminadas.

E… se houver excesso, pela boa qualidade dos produtos obtidos, que se exporte, criando riqueza e, de certo modo, emprego para quem dele carece, para que lhe não chamem de “geração à rasca” e sim, de “geração desenrascada”, que soube arregaçar as mangas e, suando as estopinhas, trabalhar a terra, tirando dela quanto ela tem para dar.

Que mais há para dizer?!...

quarta-feira, abril 13, 2011

Mudanças perniciosas (?!...)

Já vivi 66 anos em Portugal continental e não me recordo de, nesta altura, andar com a roupa do pino de Verão. Estamos à borda da Páscoa e parece que já é S. João tal o calor que faz por cá.

Diziam os antigos que estas temperaturas – digo eu, fora de tempo - são para amargar, ou seja, queriam dizer que ainda haverá muito frio e chuva para vir e reforçavam esse pensamento afirmando que «Abril queima o carro e o carril e o que ficou o Maio o queimou». Num outro aforismo também era dito que «pela Páscoa usa o gibão e daí para a frente, trá-lo sempre».

Luís de Camões tinha razão ao versejar que «tudo é feito de mudança». Muda a meteorologia, muda a sociedade, muda a política, mudamos nós próprios, a cada momento. O que não muda afinal? Talvez as únicas coisas imutáveis sejam as “leis” cósmicas”, pois dependem de acontecimentos ocorridos há milhões de anos e de vectores inacessíveis à vontade (estupidez) humana.

Na Terra, as alterações devem-se aos erros do Homem, com exageros de todos os géneros, a poluição, e o uso de factores nocivos à natureza, tudo isso por ambição à riqueza fácil a que vulgarmente apelidamos de avareza, sovinice e ganância pelo gozo dos bens deste Mundo.

– Que não mude, nem desapareça a Energia do Amor – força capaz de curar todos os males e de corrigir o quanto tem sido mal feito no nosso Planeta!

O voto/aviso/grito, mais uma vez, aqui fica.

segunda-feira, abril 11, 2011

Cegueira

A minha neta de afecto, que não de sangue, para um trabalho na escola onde é professora, pediu-me um poema que falasse da cegueira. Eu correspondi ao pedido.

Mas fui avisando que a cegueira maior, hoje em dia e parece que sempre, não é de quem padece de uma qualquer anomalia visual e sim, a daqueles que, tendo óptima vista, possuem um espírito tão tacanho e hermético que não vêem o que se passa à sua volta, ou que se recusam, vendo muito bem, a enxergar o que é, por demais, evidente.

José Saramago, de certa forma, diz exactamente isto, no seu “Ensaio sobre a cegueira”. Cristo, há dois mil anos, também o disse e reforçou que esses tristes cegos, são tão maldosos que “vêem o cisco no olho alheio e são incapazes de ver o argueiro nos seus próprio olhos”.

Ele há, para ai, tantos cegos!...

E por aqui me quedo!...

sábado, abril 09, 2011

Dúvida

Já o disse por varias vezes e de vários modos, o Mundo – terra e homens – vive os estertores de um “tremendo” e doloroso parto.

Em face disso, torna-se impossível fazer previsões, a longo e mesmo a médio prazo. Se ontem era desta forma, hoje já não o é. Amanhã não o sabemos. Dantes era fácil calcular futuro com larga margem de tempo, mas neste momento as coisas, os factos e o pensamento dos homens alteram-se a cada minuto.

Não é ainda o caos, no entanto as pessoas vivem debaixo de grande tensão, temendo o que sucederá a seguir. Daí surge instabilidade, dúvida e desorganização. Queremos e não sabemos o quê. Caminhamos sem conhecer a rota e o destino final.

E este estado perturbado de estar na vida leva-nos a uma angústia atroz que, por seu turno, nos atira para depressões de difícil diagnóstico e quase impossível cura.

Então, o que fazer?...

Simplesmente viver o quotidiano com o ar de quem nada sabe e nada quer e seguir adiante, a buscar e a gozar cada momento como se fosse o último, melhor, como se for o primeiro de muitos que hão-de vir.

Hoje, para se ser feliz, tem de se viver, apenas e só, um dia de cada vez, pensando: o que for será!...

quinta-feira, abril 07, 2011

FMI ou FEEF - "Vem aí o Papão"!...

Ontem, depois da comunicação do 1º Ministro ao país, a dizer que íamos recorrer à ajuda económica externa, uma ex-colega de jornalismo, que estimo com muito afecto, para encerrar a edição do seu jornal, telefonou-me, com imenso senso profissional, para que, do alto da minha idade e muitas lembranças, lhe dissesse, usando da vivência anterior, o que foram esses tempos em que o FMI “geriu” Portugal.

Respondi-lhe que a maioria dos portugueses nem se apercebeu que estávamos sob “tutela” financeira vinda de fora.

Os tempos eram outros, a vida era outra. Estava-se ainda no uso do escudo como moeda em Portugal. As pessoas individual e familiarmente não estavam, ainda, sufocadas com a dívida da casa, do carro, dos electrodomésticos. Vivia-se do rendimento do trabalho, já que o desemprego não imperava e subjugava, como sucede actualmente, por outro lado, havia muita gente (quase a maioria) que gozava a exploração de um pequeno naco de chão, donde obtinha umas couves, uns tomates e/ou umas batatas e feijões para botar na panela o que, raramente, acontece no presente.

Portugal, por essa altura, não se subalternizava ao jugo esganador da Europa avarenta, gananciosa e comandada pelos interesses mesquinhos da Banca sempre ávida de lucro.

Mas não tenhamos medo, pois, no passado, já vencemos mil apertos e aflições e, galhardamente, “a lamber as feridas” sempre soubemos ir avante e continuar a ser “Nação valente e imortal”.