segunda-feira, fevereiro 21, 2011

O barril de pólvora

Um cão quando rosna e mostra os dentes está a dizer: vai-te embora ou mordo. Assim também sucede com os ditadores, mal se sintam acossados tratam logo de rosnar e mostrar a dentuça, pois não querem, de modo algum, perder as mordomias adquiridas. E o Povo que se lixe.

Os acontecimentos da Líbia, como informa a Comunicação Social, estão a “acossar” o ditador Kadafi e, por isso, o filho, numa rosnadela atemorizadora, tratou de ameaçar, iluminando o espectro da guerra civil a ver se a oposição se assusta e vai, de rabinho entre as pernas, à vidinha cagadinha de medo.

Esta táctica, às vezes, resulta. Vamos a ver… – como diria um cego. Só que, quando a dor já é muita e a vontade de liberdade ainda mais, essa estratégia não serve. E, mais tarde ou mais cedo, o rosnador tem mesmo que largar o osso que, avaramente, tem entre os dentes.

Aquele Norte de Africa e Médio Oriente estão, creiam, qual panela de pressão, prestes a rebentar e, dessa explosão, vai transvazar para a Europa, se não para o Mundo, algo de muito complicado e indesejado, mas de que ninguém conseguirá livrar-se. Os limites de segurança são cada vez mais apertados e o tempo começa a escassear.

Não é ser pessimista, é ser realista! «…Rugem porcelas. Que Deus nos acuda e nos livre delas!» – Cantou Guerra Junqueiro e parafraseio eu, ajustando à actual conjuntura.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

As árvores são belas, mas…

A propósito de uma árvore que, na manhã do dia 16 de Fevereiro, caiu, no Porto, matando o condutor de uma furgoneta que passava naquele local, lembrei-me que, tal como essa aparentando estar de boa saúde e de raízes bem sólidas e firmes ao solo, um dia, o mesmo pode também vir a suceder no Rossio, em Viseu, dada a vetustez daquelas grandes tílias.

Toda a gente, com um mínimo de conhecimento florestal, sabe que as tílias são uma das espécies que possui a madeira mais quebradiça e imprevisível que imaginar se pode. Por esse motivo, ali, na nossa Praça da República, temos, bem armada, uma excelente “ratoeira” para ser disparada a qualquer momento, haja, para tal, (não estamos livres) um temporal e… a tragédia acontece.

Perante o atrás dito, uma questão bem pertinente se põe: As árvores do nosso Rossio (e as de toda a Cidade) têm tido inspecções rigorosas e permanentes sobre o seu estado?

Esperemos que sim, e não tenha sido usado o “velho” instrumento de diagnóstico (bem português) a que chamamos “olhómetro”, pois sabemos que isso não basta, dado que tem 99,99% de probabilidades para falhar, como falhou, na Cidade do Porto, ceifando a vida a um pacato cidadão que, por ali, passava em trabalho.

O grito de alerta está dado. Haja quem, com poder e consciência, o escute. É o nosso voto sincero!

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Falta de tempo

Olá Maria José,

Ontem, ao ler uma das tuas mensagens no Facebook, deu-me para escrever o poema que se segue e que te dedico, como todo o afecto de uma imensa e verdadeira amizade. Aí vai:

O nosso Tempo já não tem mais tempo | Para sujar a folha, muito alva, | Que á nossa frente dá mais vida ao Tempo, | Pondo-o a galopar, qual Marialva | Em seu belo alazão, pelos campos fora | Como se a vida fosse já de outrora.

Tudo corre com tanta e louca pressa | Que muito nos parece ser o fim | De qualquer sublimada e vã promessa, | Feita só coração e frenesim.

Já não há muito tempo p’ra dizer | O que a alma sente, a cada instante, | Nem para se cantar o que é viver | Numa alegria doce e mui constante.

As belas expressões do pensamento | Morrem logo à nascença com’um ai. | Queda-se tão inerte o sentimento, | Que o Tempo, já sem tempo, se contrai | Deixando assim papel branco e lavado | E o sentir do pobre vate desesp’rado.

_ Ó Tempo, por que és tão ingrato e mau? | Deixa o Estro passar o Rio a vau!...

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Consequência de mudança de regime

Dizem as notícias que as forças policiais do Egipto se fecharam nas esquadras e que estão um tanto desorientadas sem saberem como actuar.

Depois de tantos anos a terem hegemonia, num regime repressivo em que a força e a imposição por meio de actos profundamente violentos eram o “pão-nosso de cada dia”, é perfeitamente natural e normal que assim seja.

Recordo-me, nitidamente, de, em Portugal, no 25 de Abril de 74, ter sucedido exactamente a mesma coisa. As organizações policiais – esteio do regime –, quando as Forças Armadas e o Povo venceram e acabaram com 48 anos de uma ditadura cruel e feroz, quedaram atordoadas, confusas e temerosas, sem atinarem com o que fazer e como o fazer.

Foi precisa quase uma semana para que as coisas se alterassem e os agentes fossem vistos, nas ruas, cumprindo suas funções, mas, mesmo assim, sem terem deixado de temer o povo, a tal ponto que assistiram, impávidos e inactuantes, aos ataques às sedes dos partidos no chamado “Verão Quente” de 1975.

O medo, ò Deus, também atinge os “valentões” quando foram o braço forte dos tiranos!....

sábado, fevereiro 12, 2011

UMA VITÓRIA OU?...

O ditador largou o “osso”, as forças armadas limparam a praça e o povo, cuidando-se vencedor, foi a sua vida cheio de contentamento e, certamente, na paz de Alah.

É sempre assim. Quando um povo julga que ganhou a “parada”, festeja-se e sonha-se. Sonha-se com dias melhores, num país novo ou reconstruído. E isso é bom, muito bom enquanto dura a euforia da vitória.

Depois… depois volta a luta pelo poder e começa o pesadelo. São as lutas políticas por um “lugar ao sol”, as invejas de quem perdeu, as prepotências dos vencedores e dos bem-instalados, eu sei lá mais o quê.

No caso do Egipto e sem mau agoiro uma pergunta fica no ar: será que as coisas ficam por aqui ou, dada a ebulição daquela zona do Mundo não poderá vir a transvazar para fora todas as convulsões que são fáceis de adivinhar, para um futuro muito próximo?

A Questão aqui fica. Quem viver verá!...