quarta-feira, janeiro 26, 2011

As convulsões deste Mundo

Se, a sangue frio e com verdadeiros olhos de ver, fizermos uma análise desapaixonada ao que vemos, lemos e ouvimos, nos Órgãos de Comunicação Social, fácil se nos torna concluir que o mundo de hoje está, de forma insofismável, a viver um estado generalizado de convulsões sociais (e não só) de que ninguém conhece o desfecho.

O medo, especialmente do que será o futuro, está, por todo o lado, a destrambelhar mentes e corações de forma incontrolável e preocupante. É – digo eu – esse medo (ou medos), por uma questão de mera sobrevivência, que empurra imensas pessoas para a perda de valores morais, sociais e humanos adquiridos pela instrução e pela educação.

Não ter emprego, nem vislumbrar condições de, no imediato, vir a alcançá-lo, causa “stress”. Daí à depressão e á execução de actos menos (ou nada) nobres é um pulinho de pardal. Passa-se, num instante, de um estado solidário e digno para a realização das mais inconcebíveis atitudes de desonestidade e indignificação humana, sem, de qualquer forma, se sentir vergonha ou remorso pelos maus actos praticados. Depois, são as revoltas, as manifestações incoerentes e as alterações, constantes e aparatosas, à chamada “ordem pública”.

Soluções para esta autêntica “crise de valores”? Não são visíveis, nem se preconizam de modo algum a prazo curtíssimo! O que resta então?...

Já que “quem de direito” o não faz ou não sabe fazer, cabe-nos, apenas, impelir os escolhos do caminho para a berma e esperar, sempre confiante, de que “depois da borrasca, vem a bonança” e, sobretudo, ir gritando, construtivamente, para que nos ouçam e erijam algo de belo e novo que leve, definitivamente, os homens à paz, à harmonia e… ao amor.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Mais um Poema

Sou Poeta

Sou Poeta que fez outros poetas, | Que abriu imensas mentes à Poesia. | Sou feliz, bem feliz! Alcancei metas | De muito, muito amor e fantasia.

Andei sempre por vias muito rectas, | A espalhar pensamentos de alegria. | Fui – talvez – como antigos bons profetas, | Usando só palavras de magia.

Hoje estou muito velho e muito gasto, | Mas mesmo assim eu vou, sem ir de rasto, | Pelos duros caminhos da Saudade.

Vou e vou, mui feliz, p’ra Eternidade, | Pois cumpri, bem cumprido, o meu destino, | Fazendo, desta vida, um terno hino.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Lembrando os comboios

Em tempos, não muito distantes, a Cidade de Viseu teve duas linhas-férreas, a terminarem na mesma gare e a darem vida a uma região essencialmente agrícola.

Há cerca de trinta e tal anos (foi já depois do 25 de Abril de 1974), a Linha do Dão, com seu material obsoleto, deixou de ser prestimosa e, por isso, encerrou de vez. A linha do Vale do Vouga encerrara uns anitos antes.

Dizia meu pai que aquelas vias-férreas tinham nascido sem futuro, pois eram linhas que morriam sem ter (ou dar) continuidade. Não passavam de meros ramais a obrigar a desagradáveis e nada funcionais transbordos de passageiros e mercadorias.

Na altura (e ainda hoje), os saudosistas se lamuriam pela perda de tão anacrónicos meios de transporte. Mas, em vez da lamúria, nada mais fizeram para que de Aveiro ou da Figueira da Foz fosse construída uma Ferrovia que, passando por Viseu, seguisse até Vilar Formoso e daí desse acesso a Espanha e à Europa.

São assim os “velhos do Restelo”, lamuriam, lamuriam e continuam de vistas curtas a olhar para trás, num conservadorismo atroz que não leva a coisa alguma. E… Viseu prossegue sem destino e sem futuro e, daí, sem esperança de evoluir agrícola e industrialmente. É pena e dolorosamente triste que assim seja.

Tenhamos esperança nas gerações vindouras que serão bem mais inteligentes e dinâmicas!...

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Redes Sociais (Facebook)

Levado pelas modas, e com o meu gosto atávico pela leitura e por aprender, também eu aderi à rede social, chamada de Facebook, mas, à medida que o tempo passa, vou ficando desiludido e triste ao ver e pressentir a vacuidade dos jovens (de todas as idades) que nela inscrevem as suas mensagens.

Será um problema da rede ou é um mal presente nas sociedades de hoje? Não sei. Todavia avento a hipótese (lógica e natural) de atribuir tal vazio, mental e… fofoqueiro, à pobreza intelectual de um mundo que põe em primeiro plano, e sobretudo, o Ter, nada importando a ética, a deontologia e também a valorização pela permanente aquisição de conhecimentos.

Faz-me lembrar velhos tempos, de muito má memória, em que se dizia que “o vinho induca”. Pois é! É triste, muito triste mesmo. Porém é uma realidade bem palpável dos dias que correm. É o lado negativo do bar e da discoteca a prevalecer e não os seus valores originais, ou seja o convívio salutar e a diversão relaxante, depois de um dia ou semana de trabalho e/ou de estudo aturado e cansativo.

Como solucionar este problema e valorizar intensamente a riqueza cultural e de benéfica convivência das redes sociais? Talvez lançando apelos, aos utentes, para que se deixem de trivialidades e entrem “numa de” desenvolvimento cultural, cientifico e humanístico.

A ideia aqui fica!...

terça-feira, janeiro 18, 2011

Existencialismo

Olá Mizé,

É sempre gostoso, voltar (momentaneamente) à puberdade, ao tempo das grandes dúvidas existenciais, mas fazê-lo, não para reflectir e preparar o futuro de cada instante, retornando às antigas questões, é que, me parece, não ser bom, pois pode revelar que algo não está bem dentro de nós, especialmente quando a vida, implacável, já nos deu tantos pontapés no rabo.

Por quê as dúvidas que transcrevo a seguir?

«...Onde se perde "a arte da existência? Onde a existência tem arte?" Realmente..."tanto pensamento bailador"...! "Bora lá, mas é cair na real"!..»

Dizia Miguel de Unamuno «la belleza está en los ojos de quien mira.» De igual modo a Arte é fruto da cultura, do sentimento e da vivência do observador.

Em ti, minha Querida, não é entendível aceitar, com condescendência franciscana, tanta interrogação existencialista. Porque a vida não te têm sido parca em acontecimentos e emoções de aprendizagem e reaprendizagem. Tens, por isso, o “curso” completo, tirado com alta nota de dor, raiva e, também, algumas alegrias. És – digo eu – mulher total em experiência e saber, daí que bem saibas: A Arte é existência e a existência é uma das mais ditosas formas de arte.

E, pronto, o baile dos pensamentos fica, hoje, por aqui!...