terça-feira, janeiro 18, 2011

Existencialismo

Olá Mizé,

É sempre gostoso, voltar (momentaneamente) à puberdade, ao tempo das grandes dúvidas existenciais, mas fazê-lo, não para reflectir e preparar o futuro de cada instante, retornando às antigas questões, é que, me parece, não ser bom, pois pode revelar que algo não está bem dentro de nós, especialmente quando a vida, implacável, já nos deu tantos pontapés no rabo.

Por quê as dúvidas que transcrevo a seguir?

«...Onde se perde "a arte da existência? Onde a existência tem arte?" Realmente..."tanto pensamento bailador"...! "Bora lá, mas é cair na real"!..»

Dizia Miguel de Unamuno «la belleza está en los ojos de quien mira.» De igual modo a Arte é fruto da cultura, do sentimento e da vivência do observador.

Em ti, minha Querida, não é entendível aceitar, com condescendência franciscana, tanta interrogação existencialista. Porque a vida não te têm sido parca em acontecimentos e emoções de aprendizagem e reaprendizagem. Tens, por isso, o “curso” completo, tirado com alta nota de dor, raiva e, também, algumas alegrias. És – digo eu – mulher total em experiência e saber, daí que bem saibas: A Arte é existência e a existência é uma das mais ditosas formas de arte.

E, pronto, o baile dos pensamentos fica, hoje, por aqui!...

domingo, janeiro 16, 2011

Ainda “Janeiras e Reis”

De um modo geral (há, no entanto, algumas excepções) os cantares do Cancioneiro Popular que cantam os “cueirinhos”, “paninhos” e fraldinhas do Menino Jesus a serem lavadas no rio, ou a serem estendidas ao sol nas suas margens; além de outras que dizem que o pequenino filho de Maria dorme nas palhinhas da manjedoura enquanto os Anjos, Sua Mãe e José velam e cantam de mansinho, são canções de embalar.

A propósito, é bom referir, essas simples, ingénuas e lindas canções que serviam para adormecer os mais pequeninos, por (saudável e terna) adaptação, foram integradas, pelo povo, em muitos dos cantares levados, de porta em porta, no período da colecta de Janeiras e Reis.

Vem isto a contexto, por eu, ontem, no III Encontro de Cantares de Janeiras e Reis, realizado pelo Rancho Folclórico “Verde-Gaio” de Lordosa, ter reparado que dos quatro grupos que actuaram, pelo menos três, apresentaram cânticos com essas características.

E isso é bem mais notório, quando as estrofes retiradas das velhas “canções de embalar” são cantadas a solo, não fazendo parte do refrão, o qual, por seu turno, se afasta da doce ternura da poética entoada pelo(s) solista(s).

E, ignorantemente, ainda há quem diga que o cancioneiro popular é naif, quando, de ingénuo, ele nada tem, bem pelo contrário…

sexta-feira, janeiro 14, 2011

… O “nosso Tempo”

«Quem quer bolota, trepa». Ou, como diziam antigamente as pessoas iletradas: «quem quer boletra atripa».

Este aforismo popular quer significar que, para se obter algo, urge trabalhar arduamente, como fazem os esquilos subindo e descendo as árvores na colheita de frutos de casca dura (bolotas, castanhas, nozes, avelãs, pinhões, amêndoas e outras) de que tanto gosta. E quer também dizer que é preciso, para se conseguir o sucesso sonhado, “suar as estopinhas” afim de ser obtida a nossa melhor valorização como pessoas.

Em tempos que o 25 de Abril de 1974 acabou, essa benesse era atingida, através dos favores de gente influente no Poder. Porém, ao que se vê e facilmente se entende, nos dias que correm, estamos, de novo, a chafurdar no “mundo da cunha” e do “compadrio” descarado e soez.

Trabalhar, lutar, estudar, ser honesto não é, agora, importante, nem necessário, basta ter (ou conhecer) alguém num lugar-chave da banca, da governação e/ou de qualquer outra coisa, para se alcançar o lucro e a realização de nossos objectivos. E mesmo que descubram e nos queiram destronar, é só arengar uma qualquer desculpa esfarrapada e, sem escrúpulos, ir em frente, descarada e desavergonhadamente, para que a vitória seja nossa.

Pobre Mundo e pobre Vida esta!.. Tanta burrice, ò Deus! Afinal, temos o que merecemos!...

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Justiça

Eu penso que não há gente má, pois ninguém nasce mau, a educação e as circunstâncias de cada momento é que podem produzir maldade nos indivíduos e, até, nas comunidades.

A essência espiritual do ser humano (cuido eu – quem sou eu? –) é construída, segundo a segundo, com a visão e a vivência dos exemplos (bons ou maus) de toda a sua envolvência pessoal. Repito, ninguém nasce mau, a paisagem geográfica, religiosa, moral e social é que podem perverter a estrutura nata de cada um de nós.

Desse modo, torna-se difícil, perante acontecimentos que nos chocam, fazer julgamentos de valor sobre seja quem for e o que for. Tudo tem um porquê. Nada é fruto de nada. Do zero nada se tira, mas tudo pode ser construído a partir dele, haja para tanto essa vontade.

Dirão que estou a ser incoerente. Será?... Por mim estou apenas a relevar faltas, procurando, pacificamente, encontrar razões justificativas para os maus actos dos homens, não os condenando sem primeiro conhecer (mais ou menos bem) as causas de tal procedimento, porque ser juiz “a quente” é, quase sempre, ser injusto.

Os quês e os porquês são elementos a ponderar num bom julgamento. Por que, então, se julga na praça pública?

Falei de vida e não de política, embora estes conceitos lhe sejam, também, aplicados….

terça-feira, janeiro 11, 2011

Divagando sobre o Acaso

O acaso existe?

Cá por mim – na minha modesta e talvez ignorante maneira de ver as coisas – o acaso é fruto de sucessivos e imperceptíveis acontecimentos da Natureza e do próprio Homem.

Assim sendo, o acaso é um facto construído por vários elementos do quanto nos rodeia, mas que, ao fim e ao cabo, não deixam de condicionar a própria vida humana nas mais diversas vertentes, sejam elas económicas, sociais, religiosas ou morais.

Ninguém é (ou ficou) pobre por acaso, mas porque as circunstancias conjunturais envolventes do indivíduo se conjugaram para que tal sucedesse.

Nos tempos que vamos vivendo, nada é obra do acaso, todavia – seguindo o nosso anterior raciocínio – tudo se lhe fica a dever. Parece, à primeira vista, uma incongruência ou mesmo um disparate que, infalivelmente, deixa de o ser se pensarmos na sucessão de acontecimentos, insentidos e impensados, que originaram o fenómeno.

Por tudo o que disse e/ou deixei nas entrelinhas, fácil se torna entender que a “Crise” portuguesa – deve-se dizer: mundial – que está a afectar as pessoas, as famílias e as empresas não é, de modo algum, uma obra do acaso, já que ele não existe, mas, só e infelizmente, de uns tantos que não quiseram usar a época das “vacas gordas”, para prepararem, devida e inteligentemente, o Futuro, seu e… dos outros.

E por aqui me quedo!...