terça-feira, janeiro 11, 2011

Divagando sobre o Acaso

O acaso existe?

Cá por mim – na minha modesta e talvez ignorante maneira de ver as coisas – o acaso é fruto de sucessivos e imperceptíveis acontecimentos da Natureza e do próprio Homem.

Assim sendo, o acaso é um facto construído por vários elementos do quanto nos rodeia, mas que, ao fim e ao cabo, não deixam de condicionar a própria vida humana nas mais diversas vertentes, sejam elas económicas, sociais, religiosas ou morais.

Ninguém é (ou ficou) pobre por acaso, mas porque as circunstancias conjunturais envolventes do indivíduo se conjugaram para que tal sucedesse.

Nos tempos que vamos vivendo, nada é obra do acaso, todavia – seguindo o nosso anterior raciocínio – tudo se lhe fica a dever. Parece, à primeira vista, uma incongruência ou mesmo um disparate que, infalivelmente, deixa de o ser se pensarmos na sucessão de acontecimentos, insentidos e impensados, que originaram o fenómeno.

Por tudo o que disse e/ou deixei nas entrelinhas, fácil se torna entender que a “Crise” portuguesa – deve-se dizer: mundial – que está a afectar as pessoas, as famílias e as empresas não é, de modo algum, uma obra do acaso, já que ele não existe, mas, só e infelizmente, de uns tantos que não quiseram usar a época das “vacas gordas”, para prepararem, devida e inteligentemente, o Futuro, seu e… dos outros.

E por aqui me quedo!...

domingo, janeiro 09, 2011

"Janeiras e Reis"

Ontem, em Passos de Silgueiros, onde fui assistir ao “Encontro de Janeiras e Reis”, ao olhar o Povo em torno das fogueiras e a escutar atentamente os cantares, lembrei-me da Festa da Luz que, todos os Solstícios de Inverno, os nossos antepassados Celtas, faziam a 21 de Dezembro em honra da sua “grande” Deusa, mãe de toda a Natureza.

E vi-me, nesse divagar espiritual, rodeado pelos Druidas, pelas Witches (mal traduzidamente feiticeiras) e pelo Povo entoando loas, de glória e acção de graças, pelas maravilhas das florestas, das montanhas, dos rios, da terra, do céu, dos animais e sei lá que mais.

Cada grupo (foram seis), cada canto e cada voz me elevava a alturas sublimes de um buscador de transcendência e encantamento, onde o Pontífice (Inspector A. Lopes Pires), com a religiosidade do magno druida, num ritual muito próprio e muito didáctico/pedagógico, ia enchendo de magia aquele espaço de autêntica reminiscência céltico/cristã – perdoem-me a comparação –, mas, queiram ou não, é a que mais se adequa a tão sagrada cerimónia de cultura popular.

E os cantares?!...

Ah! Sou tão pequenino e ignorante para me debruçar tecnicamente sobre eles que – sem falsa modéstia – prefiro quedar-me por aqui!

sábado, janeiro 08, 2011

Ainda " Ao meu Amigo Júlio"

Olá José Mantas,
Em relação ao meu artigo dedicado/sobre Júlio Seara Loureiro da Cruz, enviaste-me o comentário/informação que, pela grande amizade que me ligava (e apesar da sua morte corporal, continua a ligar) ao Júlio e que era recíproca, transcrevo o que escreveste e se segue:
«Os passeios que demos na Serra de Freita, percorremos as estações da CP que esta abandonou, em demanda de cartazes, folhetos, prospectos, emblemas, tudo o que fazia história. Ainda guardo tudo.

Pelas estrada romanas, muitas vezes, estragámos o Opel corsa, porque o carro não descia degraus... mas nós tínhamos que descer.

Quase nos aventurámos a descer por corda, as quedas da Misarela, de onde se recolheram várias pedras parideiras, milhares de fotografias tirámos e testemunhos recolhemos de aldeões, na Pena, e circunvizinhas.
Muitas edições e revisões de livros, prospectos, folhetos, fizemos juntos.
Eras danado para a brincadeira, mas eras, sobretudo, danado para o trabalho.

Não é possível esquecer-te.»

Repito: Até sempre Júlio! Lá nos encontraremos, na Eternidade!...

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Roubos Públicos

Há dias, em conversa com o meu primo Zè Lemos, disse-me ele que as guardas da ponte que liga Ferrocinto aos Passos, na Freguesia de S. Cipriano, no Concelho de Viseu, fazem, agora, parte integrante de um muro na referida povoação de Passos, considerando isso uma apropriação criminosa da “coisa pública”, melhor dizendo: um roubo.

De fato assim é. Porém, analisando a História vemo-la carregada de acontecimentos desse jaez. Então, sob tal ponto de vista, Viseu é um oceano de roubos (um mar era demasiado pequeno).

Estou, “naturalmente”, a lembrar-me das pedras que ensamduichavam a elevação de terra batida que, hoje, forma a Cava de Viriato, bem como dos pórticos daquele Monumento, as quais foram retiradas para construir o Convento Franciscano de Orgens e uma boa parte do Paço dos Três Escalões (Museu de Grão Vasco) e das Gárgulas (bocas) da (preste a ruir) Casa da Rua João Mendes, as quais foram retiradas da Sé, onde serviam para escoar as águas pluviais do telhado daquele vetusto templo.

Roubos ao património cultural, arquitectónico e artístico sempre houve e sempre ficaram impunes, pois sempre fomos um país em que os mais ousados se tornam poderosos e, obviamente, ninguém ousa, sequer, questioná-los, bem pelo contrário: engraxam-se as botas enlameadas desses corruptos sem escrúpulos.

Serei louco, ou estou a dizer verdades gradas como punhos?...

terça-feira, janeiro 04, 2011

Ao meu Amigo Júlio Cruz

(No dia da sua morte, com 50 anos)

Conheci-o era um jovem cheio de sonhos, e muito esperançado num país novo, acabadinho de libertar-se de uma pesada, injusta e indigna ditadura. Ficamos amigos. Mais que amigos, pois o nosso recíproco bem-querer não era comensurável.

O Júlio esteve sempre nos meus projectos e nas minhas realizações. Ele foi, de certa forma, uma das alavancas de alguns dos meus sonhos, quer no âmbito da reabilitação da pessoa com deficiência, quer na literatura (o meu romance, publicado na Net «O Cristal de Santa Luzia ou o Istmo Etéreo» tem prefácio seu), quer ainda em outras actividades culturais que desenvolvi nesta minha Cidade de Viseu.

Júlio Seabra da Cruz, para além de um homem culto e sensível foi, sobretudo, na minha óptica e no meu coração um amigo sempre de peito e alma aberta.

Por isso Júlio, meu Querido Júlio, nesta hora em que choramos a tua precoce partida para a Eternidade te digo com o coração aberto:

«Se lá no assento Etéreo onde subiste, memória desta vida se consente,» – como bem cantou Camões – recebe, com a grandeza imensa da nossa sincera amizade, um beijo de muito afecto da Maria Laura (minha esposa) e de mim

Até sempre Júlio.