segunda-feira, dezembro 20, 2010

Coisas do (mau) trânsito

Quem circula, a pé ou de automóvel, pela(s) cidade(s) usando os sentidos para desfrutar o ambiente, por certo, não fica indiferente à forma, de velocidade excessiva, como, infelizmente, muitos condutores transitam, provocando sustos e arrepios aos peões e aos outros utentes da via pública.

Com tanta falta de civismo – digo: de responsabilidade – é, entretanto, surpreendente como não há ainda mais acidentes e vítimas nas estradas. Mas, se tal não sucede, isso fica a dever-se aos outros, aos condutores conscientes e hábeis, que têm competência para escapar a tanta irreflexão e falta de respeito pela vida do semelhante e, até, pela própria.

Ao que nos é dado observar, no que concerne à circulação nas rotundas é triste ter de o dizer, pois mais de 70% dos encartados não sabe como rodá-las correctamente. E não sabe, sequer, aproximar-se delas, reduzindo, como mandam as regras, a velocidade.

A estrada, na(s) cidade(s), parece uma selva, onde se “anda sobre toda a folha”, a bel-prazer da inconsciência de cada um.

Quando alguém – como eu, agora – chama a atenção para o facto logo é insultado com palavras de mau jaez ou, no mínimo, é chamado de “bota-de-elástico”, que nunca usou.

Que Mundo este em que vivemos?!...

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Sobre... os amigos

«Os amigos conhecem-se quando estamos na cadeia e no Hospital» – Diz uma velha asserção portuguesa. Pois eu digo ou acrescento: «E, sobretudo, quando estamos em situações de grande carência material e/ou psicológica.»

«Amigo certo na hora certa» – afirmavam, sabiamente, os romanos no seu tempo de alargamento territorial do Império que criaram.

De facto assim é! Mas… qual é a hora certa?

Pois eu vo-lo digo: é agora!

Agora, quando milhares (senão milhões) de pessoas vivem à míngua de pão, roupa, abrigo, saúde e… afecto.

E nós, mesmo não sendo ricos, temos o dever – se somos amigos – de, por todos os meios, procurarmos minimizar tão lamentável e triste situação, através das nossas dádivas materiais e, vincadamente, afectivas de compreensão, carinho, numa palavra, de Amor. Pois a dádiva sem amor – ensinou-o o apóstolo Paulo – não é caridade e, por isso, não agrada a Deus, já que é só (e nada mais) ostentação.

Infelizmente há muito quem dê, por exibicionismo, para criar uma boa imagem e daí, mais cedo ou mais tarde, vir a tirar um qualquer proveito. Essas pessoas fazem lembrar os políticos, em hora eleitoral: são todos muito bons e dadivosos, todavia, quando alcançam o poder, esquecem as promessas feitas e esquecem as necessidades vitais do Povo que os colocou “no poleiro”, através do voto.

Isto foi mais um dos meus gritos de revolta e de alerta. Julguem-no e julguem-me como quiserem!...

quarta-feira, dezembro 15, 2010

A “Guerra-fria” dos nossos dias

O Mundo viveu já um largo período de medo perante a eminente proclamação de um arreganhar de fauces entre americanos e soviéticos, cada qual “armado até aos dentes”. Foi o chamado período de “Guerra-fria”, em que, se alguém fizesse uma cara feia, por isto ou por aquilo, o medo estava instalado e deprimia a política das nações.

Era um estado de nervoso miudinho e constante que condicionava de forma doentia o comportamento dos políticos deste Mundo. Não sei se era (ou foi) bom, mas o que sei é que muita coisa que devia ter sido feita o não foi e, por mor disso, não passou de mais um mero sonho por realizar. No fundo, essa Guerra-fria foi a causa (indirecta) da “crise global” que hoje vivemos, pois possibilitou o aparecimento dum capitalismo especulativo e consumista que acabou por ser o motor das fraudes económicas que nos lançaram na desgraça.

A “Guerra-fria” é sempre criadora de medo, de dúvida e instabilidade. É, analise-se com atenção, o que, neste instante, está a acontecer devido ao mais que badalado caso “Wikileaks”.

A dúvida e a confusão assentaram arraiais, entre as políticas e os políticos. Ninguém, nem nada, está (nem se sente) seguro. Começa a vislumbrar-se, entre toda a confusão, um certo caos que deixa de o ser para passar a uma verdadeira pandemia terrorista com diagnóstico certo, mas de terapia (ainda) desconhecida. Os políticos e as instituições estão, psicologicamente, em estado de pânico: os cargos e as funções estão em risco; a credibilidade de cada um cai por terra a todo o instante; já não se acredita em ninguém. Este estado de alma é autenticamente uma vivência terrorista e é, sobretudo, o início de uma “guerra” cujas fórmula e consequências são, de todo, imprevisíveis.

Estaremos, com isto e por isto, a entrar em novos caminhos, com novas mentalidades e novas maneiras de Ser e de Estar?

Talvez. Veremos!...

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Perda patrimonial - um mal do nosso Tempo

Um destes dias, atravessei a Rua João Mendes, em Viseu (mais conhecida por Rua das Bocas), e verifiquei, com profunda tristeza que alguns dos seus ícones identificativos ou estão em avançado estado de degradação ou, simplesmente, já não existem.

È o caso da “Casa das Gárgulas” (bocas, como diz o povo), cujo risco de desaparecer é tão evidente que até já não tem telhado, pois este colapsou numa fragorosa derrocada, e de uns outros casarão uns metros a seguir que também apresentam fortes e preocupantes sinais de virem a ruir.

Outrossim, é de referir o desaparecimento da maior e, possivelmente, mais velha nogueira do Mundo, situada, quase, ao fundo da rua do lado esquerdo. Não sei se a nogueira morreu de velhice, se foi vítima do malquerer de alguém que procedeu ao seu abate.

Há tantos anos que se fala no restauro daquela típica rua citadina, mas, infeliz e desgraçadamente, nada sucede e, desse modo, se vai perdendo um património cultural/arquitectónico que fez parte e foi nosso orgulho num passado urbano muito recente.

Onde paira o timbre viseense que o prende à História, como forma de avançar para um Futuro melhor?

sexta-feira, dezembro 10, 2010

RECORDAÇÕES...

Na caixa das nossas recordações há coisas que, de vez em quando, vêm ao de cima e nos emocionam e outras que nos revoltam e causam dor. Mas vida é assim, feita de altos e baixos, de brilho e de escuridão.

Quem viveu o fim da II Guerra Mundial sabe bem o quão era difícil subsistir em Portugal e (também) no Mundo. Havia fome, escassez de bens, desemprego e desigualdades sociais tremendas.

Nesse tempo a culpa de tal crise universal foi da Guerra, agora foi a avareza a ganância e a falta de escrúpulos dos “Senhores da Banca” e, tal como então, os governantes mentiam, mentiam despudoradamente. A falta de recursos alimentares era tão grave que havia “senhas de racionamento”, para se adquirirem os géneros que enganariam os estômagos famintos.

E o ditador de Santa Comba Dão – pasme-se – a enviar para Espanha vagões de mercadoria com enormes faixas que diziam, em letras garrafais: «Sobras de Portugal». Que imperdoável e grande mentira!

Verdade que os espanhóis tinham míngua, por mor da Guerra Civil e do despotismo de Franco. Todavia, por causa do «orgulhosamente só», nós não estávamos nada, mesmo nada, melhores e… no entanto, mostrava-se, ao Mundo, uma fartura completamente inexistente.

A História, de uma forma ou de outra, repete-se com gente de igual soez. Quem quiser, entenda!...