quarta-feira, dezembro 15, 2010

A “Guerra-fria” dos nossos dias

O Mundo viveu já um largo período de medo perante a eminente proclamação de um arreganhar de fauces entre americanos e soviéticos, cada qual “armado até aos dentes”. Foi o chamado período de “Guerra-fria”, em que, se alguém fizesse uma cara feia, por isto ou por aquilo, o medo estava instalado e deprimia a política das nações.

Era um estado de nervoso miudinho e constante que condicionava de forma doentia o comportamento dos políticos deste Mundo. Não sei se era (ou foi) bom, mas o que sei é que muita coisa que devia ter sido feita o não foi e, por mor disso, não passou de mais um mero sonho por realizar. No fundo, essa Guerra-fria foi a causa (indirecta) da “crise global” que hoje vivemos, pois possibilitou o aparecimento dum capitalismo especulativo e consumista que acabou por ser o motor das fraudes económicas que nos lançaram na desgraça.

A “Guerra-fria” é sempre criadora de medo, de dúvida e instabilidade. É, analise-se com atenção, o que, neste instante, está a acontecer devido ao mais que badalado caso “Wikileaks”.

A dúvida e a confusão assentaram arraiais, entre as políticas e os políticos. Ninguém, nem nada, está (nem se sente) seguro. Começa a vislumbrar-se, entre toda a confusão, um certo caos que deixa de o ser para passar a uma verdadeira pandemia terrorista com diagnóstico certo, mas de terapia (ainda) desconhecida. Os políticos e as instituições estão, psicologicamente, em estado de pânico: os cargos e as funções estão em risco; a credibilidade de cada um cai por terra a todo o instante; já não se acredita em ninguém. Este estado de alma é autenticamente uma vivência terrorista e é, sobretudo, o início de uma “guerra” cujas fórmula e consequências são, de todo, imprevisíveis.

Estaremos, com isto e por isto, a entrar em novos caminhos, com novas mentalidades e novas maneiras de Ser e de Estar?

Talvez. Veremos!...

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Perda patrimonial - um mal do nosso Tempo

Um destes dias, atravessei a Rua João Mendes, em Viseu (mais conhecida por Rua das Bocas), e verifiquei, com profunda tristeza que alguns dos seus ícones identificativos ou estão em avançado estado de degradação ou, simplesmente, já não existem.

È o caso da “Casa das Gárgulas” (bocas, como diz o povo), cujo risco de desaparecer é tão evidente que até já não tem telhado, pois este colapsou numa fragorosa derrocada, e de uns outros casarão uns metros a seguir que também apresentam fortes e preocupantes sinais de virem a ruir.

Outrossim, é de referir o desaparecimento da maior e, possivelmente, mais velha nogueira do Mundo, situada, quase, ao fundo da rua do lado esquerdo. Não sei se a nogueira morreu de velhice, se foi vítima do malquerer de alguém que procedeu ao seu abate.

Há tantos anos que se fala no restauro daquela típica rua citadina, mas, infeliz e desgraçadamente, nada sucede e, desse modo, se vai perdendo um património cultural/arquitectónico que fez parte e foi nosso orgulho num passado urbano muito recente.

Onde paira o timbre viseense que o prende à História, como forma de avançar para um Futuro melhor?

sexta-feira, dezembro 10, 2010

RECORDAÇÕES...

Na caixa das nossas recordações há coisas que, de vez em quando, vêm ao de cima e nos emocionam e outras que nos revoltam e causam dor. Mas vida é assim, feita de altos e baixos, de brilho e de escuridão.

Quem viveu o fim da II Guerra Mundial sabe bem o quão era difícil subsistir em Portugal e (também) no Mundo. Havia fome, escassez de bens, desemprego e desigualdades sociais tremendas.

Nesse tempo a culpa de tal crise universal foi da Guerra, agora foi a avareza a ganância e a falta de escrúpulos dos “Senhores da Banca” e, tal como então, os governantes mentiam, mentiam despudoradamente. A falta de recursos alimentares era tão grave que havia “senhas de racionamento”, para se adquirirem os géneros que enganariam os estômagos famintos.

E o ditador de Santa Comba Dão – pasme-se – a enviar para Espanha vagões de mercadoria com enormes faixas que diziam, em letras garrafais: «Sobras de Portugal». Que imperdoável e grande mentira!

Verdade que os espanhóis tinham míngua, por mor da Guerra Civil e do despotismo de Franco. Todavia, por causa do «orgulhosamente só», nós não estávamos nada, mesmo nada, melhores e… no entanto, mostrava-se, ao Mundo, uma fartura completamente inexistente.

A História, de uma forma ou de outra, repete-se com gente de igual soez. Quem quiser, entenda!...

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Poeta - buscador de amanhã

O Poeta é como o vinho, | Refina quando envelhece. | É ave que não tem ninho, | Mas que nunca esmorece.

Seu canto deixa-o sozinho, | Mas não murcha, nem fenece, | – Qual roseira do caminho – | Em pouca terra floresce.

Ao Poeta não lhe basta | Cantar palavras com rima, | Nem com sons duma vergasta. |

Para ele está tudo acima | No seu ver e seu sentir, | Pois só procura o Porvir.

2010-11-18

(In “O Pássaro, o Estro e Eu” deste autor)

terça-feira, dezembro 07, 2010

Má-educação ou falta de civismo

O Problema da falta de valores humanos e de cidadania faz com que muitas pessoas tenham comportamentos verdadeiramente de “bradar aos céus”, pela incongruência e má-educação reveladas nas suas quotidianas atitudes.

Além de outras (muitas outras, infeliz e lamentavelmente), refiro o caso do desrespeito dos automobilistas pelos sinais, verticais e de piso, de estacionamento condicionado a pessoas com deficiência.

Quantas vezes (mesmo com o dístico oficialmente homologado) me vejo, para não ter de pedir a intervenção policial, de ter de dar voltas e voltas em busca de um lugar para estacionar, porque o que me cabia, por Direito, está ocupado por quem não deve?

E; desgraçadamente, esta queixa não é só minha, centenas de pessoas com deficiência se lamentam do mesmo. E não são só os condutores jovens a ter tão inqualificável actuação, os pais deles também assim procedem.

Falta de civismo e – repugna-me ter de o demandar – de educação? Ou, simplesmente, carência pedagógica na sua formação como cidadão? E, para rematar, onde estão e o que fizeram (e/ou fazem) os formadores deste país onde o “desenrasque e o salve-se quem puder” é moeda em vigor?

As leis existem (lá isso existem), mas, por comodismo, bem poucos têm consciência e as cumprem devidamente.

Será necessário dizer algo mais?...