sábado, dezembro 04, 2010

Pasteis de Vouzela e Tentugal - em errata

No meu livro de lendas e tradições beirãs, intitulado “Dente de Cavalo”, afirmo que os Pasteis de Vouzela são originários do Convento de Santa Clara do Porto (de que só existem ruínas) e que os de Tentúgal seriam do Mosteiro da mesma ordem religiosa, mas de Coimbra.

Aquela afirmação – soube-o, ontem – não sendo falsa, exige, entretanto, uma correcção, já que os Pasteis de Tentúgal, têm receita cedida á população pelas freiras do Convento da Natividade, ali existente.

Outro sim, diga-se também que a receita deste tipo de pastéis fora criada, pelas beneméritas senhoras religiosas desses conventos, como forma de obviar aos muitos doentes atingidos pela tísica (tuberculose), flagelo desses tempos de muita fome e miséria.

A rectificação aqui fica para que a verdade histórica seja reposta como é de direito e dever de quem não quer falhar de forma consciente e deliberada.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Ruínas citadinas - coisa do nosso tempo

Atravesso a cidade muitas vezes só para dar movimento ao corpo e quebrar o sedentarismo em que vivo, frente ao computador onde boto as minhas patacoadas mentais, quer em verso, quer de texto corrido: crónicas, contos, histórias romanceadas, tudo.

Nesses passeios, “estica pernas”, vou observando as modificações, normais, que vão ocorrendo em cada rua e em cada praça, bem como nas próprias casas e quedo-me triste ao ver que, talvez em nome do periferismo, a urbe central (ou nuclear) está a cada dia mais deserta e com mais prédios em degradação, senão mesmo a ameaçarem ruir a curto prazo. E já não falo do comércio que, hora a hora, vai fechando portas.

- Ó Viseu, da minha juventude, onde está o bulício de então?

Não se trata de nada de anormal, mas sim do evoluir da sociedade e dos tempos. – Afirme-se sem rebuço,

Por quê tal fenómeno?

Porque os responsáveis pelo desenvolvimento citadino (autarcas, empresários, cidadãos etc.) não foram capazes de ver a mudança radical do mundo e das coisas nos últimos trinta anos do século XX e não tiveram discernimento para acompanhar a modificação económica, social e mental da vida humana, agarrando-se, quais “velhos do Restelo”, a um tradicionalismo que não volta mais. Agora, sem nexo, chora-se o “leite derramado” e não se cuida de tomar medidas que dêem uso aos imensos baixos abandonados, tornando-os em apartamentos onde viva gente que torne a povoar uma cidade que precisa de população no seu cerne habitacional.

Já de outras vezes disse isto mesmo, no entanto, ninguém se mostrou disposto à mudança e a remediar o que de mal se fez.

Espero que as gerações mais jovens sejam capazes (se, entretanto, lhes derem oportunidade) de dar a volta a isto e tornarem o Futuro bem mais risonho.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

A Neve e o Mito...

A neve é fria e dói, sobretudo quando o agasalho é escasso, mas enche-nos o olhar, porque transforma tudo em belíssimas esculturas do mais branco e fino mármore de Vila Viçosa.

Gosto de ver a neve através da janela do meu escritório confortavelmente aquecido, pois, desse modo, extasiou o olhar sem sentir a algidez que ataca o meu pobre e gasto esqueleto e me causa dores nada (mesmo nada) agradáveis.

Vi, pelos noticiários, que a neve já embelezou, com a sua alvura, vários pontos de Portugal, mas eu ainda a não vi da janela do meu escritório.

Quando era criança, ouvi dizer à gente do Povo, em que eu estava inserido, que «ano de nevão é ano de pão», pois, segundo diziam, a neve contribuía para um profundo trabalho de desinfecção (desinfestação) dos campos com a morte das bichezas que atacam os agros quando se dá a rebentação das sementes, na Primavera. Não sei se é verdade, todavia faz sentido, lá isso faz.

Nesta vida há muita coisa a fazer sentido e que, depois, não passa de mais um (de muitos) mitos criados pelas Comunidades humanas no decorrer do Tempo.

Parece que o Homem, precisa de mitos, mesmo que esses mitos sejam figuras monstruosas em suas acções. Por exemplo, como é possível adular e desejar um morto que foi um verdadeiro “Anticristo”, em Portugal, no pensar e no proceder, chamado Salazar?

- Merda p’ara os mitos e para quem os cria!...

segunda-feira, novembro 29, 2010

To be memory or I ‘m Memory!

«To be memory or I ‘m Memory! » Esta frase escreveu-a, um dia, o meu professor de inglês, no quadro preto, e eu – confesso –, na altura, não entendi o que ele pretendia transmitir. «Ser memória ou eu sou memória», não teve, para mim, qualquer significado, porque não fui, no momento, capaz de buscar o sentido filosófico dessa expressão.

Na realidade, o Presente é tão instantâneo, que, em cada fracção de segundo, tudo é, inexoravelmente, Passado e tudo é Futuro, logo: tudo é memória e tudo é dúvida (ou esperança) no que virá a seguir.

Talvez, por essa razão, se justifique a existência da ciência chamada História para recordar o que já foi e o que pode ser corrigido ou evitado de seguida ao fugaz presente.

A memória é feita de imagens, sons e emoções que ficam impressas na mente de cada um de modo vincado ou, simplesmente, esfumado, quase indefinido, dependendo da emotividade do momento vivido.

As pessoas, por comodismo, desprezam este tipo de considerações e repetem erros sobre erros ao longo da vida. A memória, a mais das vezes, traz-nos ao consciente lembranças que nos magoam deprimindo-nos e lançando-nos no caixote do lixo.

Estamos (todos em Portugal e no Mundo) a viver um desses momentos. A nossa memória tem, face à conjuntura, de ser filtrada, deitando fora o que de mau se passou e aproveitando, como forma de animação e realento do corpo e da alma, as boas imagens, sons e emoções que nos empolgaram e que, agora, reporão as nossas forças e o nosso Ego.

É hora de andar e não de ficar estático a prantear “o leite derramado”. Haja esperança!

sexta-feira, novembro 26, 2010

A Foto do Papa, João Paulo II

Entre os imensos e-mails que, diariamente, recebo e que, na maioria dos casos envio para o “lixo”, despejando-o de imediato, para não sobrecarregar a “memória” do computador, vinha uma fotografia do atentado ao Papa João Paulo II, em que era visível, atrás dele e abraçando-o, uma figura de mulher (aureolada) que o amparava na queda para o banco do carro descapotável em que seguia.

Informava o texto do dito e-mail que a foto não fora objecto de quaisquer tratamentos de imagem e que era a reprodução fiel do negativo, impossível de receber manipulação técnica – segundo garantiram os mais qualificados especialistas na matéria.

Não nego nada do que atrás foi dito. Entretanto – com certo atrevimento científico e com certeza de muito estudo feito – sempre direi que aquele “fenómeno” de imagem, nada tem de extraordinário, nem sequer de místico, pois é, somente, uma emanação do ectoplasma da multidão que, instantaneamente entrou em pânico e comiseração por causa do sucedido e – porque era 13 de Maio, Dia de Nossa Senhora de Fátima - daí o plasmar daquela imagem que o fotógrafo papal captou.

Nada de sobrenatural, como se pode depreender desta minha simples explicação que cito (noutros casos) no meu romance “O Cristal de Santa Luzia ou o Istmo Etéreo”, que podem ler, clicando, em cima à esquerda, naquele título.

Não sejamos supersticiosos, nem fanáticos e vejamos as coisas com a simplicidade e verdade que elas, efectivamente, têm.