domingo, novembro 14, 2010

Desconhecimento da História

Disse um dia alguém que «um país que não perscruta a sua História é um país sem Futuro.» Estou de acordo, embora seja adepto do “não partir o pescoço a olhar para trás”, pois considero que temos de ver o Passado, apenas como lição que leve à correcção e ao evitar de erros que poderemos vir a cometer.

Por tal motivo, fico espantado e assarapantado quando, num concurso da RTP, vejo pessoas, muitas com cursos superiores, a revelarem grande ignorância da História de Portugal. E, o que é bem pior, em coisas tão simples (eu aprendi isso na minha 4ª. classe da Instrução Primária) como: Quem foi o rei “Restaurador”?

É de bradar aos céus!...

Que país é este e que gente é esta que até, em alguns casos, exerce docência? Assim, para onde vamos e o que pretendemos?

Não se “tape o Sol com a peneira”. Os raios luminosos vão passar pelos interstícios do tecido e iluminar, na mesma, o ponto que queremos escurecido. Mas esta (triste) realidade é preocupante. Há, para aí, tanta iliteracia, tanta ignorância que confrange e dói!...

Analisando as coisas por este prisma, somos capazes de entender o por quê de tanto erro político (e de políticos) que têm sido cometidos e que, nós (povo), temos de corrigir com sacrifícios e dores sem conta, nem tamanho!

- Ò Gente, mas que grande merda!...

quinta-feira, novembro 11, 2010

Centenário de Mestre Campos

Se ainda estivesse entre nós, o homem que me criou e me amou e que eu também amei duma forma profunda e sincera e a quem chamava de pai, faria hoje – dia de S. Martinho –, por volta das 17.00 horas, cem anos (um século).

Mestre Campos, finou-se há 17 anos, mas eu ainda conservo o quanto, quer técnica, quer humanamente de bom e, creio-o, os imensos operários da Serralharia Mecânica que foram seus discípulos e/ou colegas de trabalho, também conservam o que, paciente e com autêntico sentido pedagógico, nos ensinou.

Mestre Campos – pela sua alta qualidade técnico-profissional – foi figura grande no panorama Industrial da Cidade de Viseu, como trabalhador por conta de outrem e, mais tarde, por conta própria.

Mestre diplomado, pela Escola Técnica Sá da Bandeira de Lourenço Marques (Maputo), por razões de ordem ideológica (foi grevista dos Caminhos de Ferro de Benguela), não conseguiu, em Portugal, ser admitido, nessa qualidade, na Escola Industrial e Comercial de Viseu. Enfim, coisas do Regime Salazarista, então vigente e, subservientemente, seguido na Cidade de Viseu, por essa altura (e ainda hoje), covil duma Direita Política intolerante, mesquinha, reaccionária e… tremendamente fascista.

Quando outros menos sabedores e menos importantes na paisagem Industrial viseense, daquela época, têm seu nome numa rua, ele – o maior de todos – está, injustamente, esquecido.

Que terra esta, Santo Deus!...

quarta-feira, novembro 10, 2010

Conjecturas do meu sentir

«Os cães passam e a caravana ladra.» A inversão deste aforismo centenário, talvez dos tempos da “Rota da Seda e das Especiarias”, não é obra do acaso, mas consequência da actual conjuntura, em que, muitas vezes, os políticos, por interesses sub-reptícios, invertem princípios e valores humanos a seu bel-prazer.

Vem isto a propósito de muita gente ainda se não ter apercebido de que os sistemas políticos, há pouco (ou ainda) vigentes no Mundo, estarem, por ineficácia, a cair, um a um, como fruta podre, no fim do Verão, a tombar das árvores.

A economia, a cada hora que passa, vai falhando, sem retrocesso. Os seus objectivos quer sejam consumistas, quer sejam de mercado, quer sejam ainda de características mais liberais e socializantes, terminam sempre, mais tarde ou mais cedo por se desmoronarem irremediavelmente..

Por quê este ruir do prédio económico?

A análise é óbvia e tremendamente simples: tudo aquilo que tiver em vista o lucro, sem finalidade social e de criação de bem-estar humano, não pode (e não consegue) subsistir para sempre, pois se baseia numa falsa equação matemática que é “a receita tem de ser superior à despesa, para criar riqueza”.

Riqueza!?... Para quem e para quê?

Para os poderosos e para os avarentos que, avaramente, querem, quais “Tios Patinhas”, mais e mais esquecendo que, ao seu redor, existem bocas famintas e corpos para cobrir.

A Natureza e a Energia reguladora da Vida na Terra, desta ou daquela forma, acabam, inevitavelmente, por imporem sua sublime Lei de Equidade, promovendo, por este ou aquele modo, o retorno da Harmonia Universal e daí a queda dos sistemas e dos regimes políticos das Nações e dos Povos.

O Homem é o Homem e, como tal e por tal, tem de ser considerado e respeitado.

Está dito! Quem for capaz que entenda!

segunda-feira, novembro 08, 2010

Má educação...

Na rua onde moro (Rua Nova da Balsa), felizmente, (honra à autarquia) existem vários contentores para recolha de lixo, sendo que um ou mais são ecopontos, com os respectivos muloques com enorme capacidade de carga.

Todavia, mesmo com os recipientes ainda a aceitarem materiais, pois não está esgotada a sua capacidade de recepção, há pessoas que, por comodismo ou má-educação, teimam em não abrir a tampa e introduzir o saco do lixo no devido lugar, deixando-o, ao lado, no chão.

Depois vêm os animais, rebentam os sacos, à procura de restos de comida e, em redor, numas boas dezenas de metros, é ver o lixo espalhado a dar uma imagem que nada dignifica os habitantes do “meu” bairro, nem a própria cidade, que nos anos 40 a 70 (e até um pouco mais) do século passado, era considerada, por quem nos visitava, uma das mais asseadas da Europa.

Se hoje assim não é a culpa não cabe à autarquia que tem bons serviços de limpeza, mas dos cidadãos que, sem civismo, educação e não sei que mais, dão mostras de serem muito porcos. Será que nas suas casas também assim procedem? Que andam os pais, as escolas, as instituições e… as religiões a ensinar que não mudaram os comportamentos sociais, educacionais e humanos dos indivíduos?

A educação – neste caso, a falta dela – é que provoca estas tristes e feias situações.

E pronto: despejei a minha indignação…

quinta-feira, novembro 04, 2010

Cultura ou...

Fui aos “fados”, a convite de uma amiga e, naturalmente, encontrei lá, com a sua amada guitarra, o meu “velho” Amigo Sousa.

Eu, num pequenino interlúdio das cantorias, declamei uns poemas meus que agradaram aos presentes. Então o Sousa disse-me:

- Viseu, não honra e esquece (e despreza, acrescento eu) os seus verdadeiros Artistas.

Que sim, respondi-lhe. Já meu saudoso pai dizia que «Viseu é boa madrasta e má mãe.»

Na realidade quem vem de fora, mesmo não sendo nada, é acarinhado e louvado até à paranóia. Homenageia-se quem “sabe lamber botas” e dizer (ou fazer) trivialidades e, sem pejo mas muito descaradamente, abandonam-se os talentosos (e ditosos) filhos que, com a força e a graça da sua Arte, dignificam aquela que os viu nascer.

Hospitalidade é uma coisa, adulação é pobreza de espírito!

Efectivamente – digo-o com dor –, as Instituições culturais ou simplesmente oficiais e oficializadas que deveriam estar bem atentas à Cultura local e aos seus fazedores (poetas, escritores, músicos, cantores, pintores, escultores, actores, etc.) desligaram-se de tal tarefa – diga-se, missão – e olvidam apoios a quem é digno de os receber.

Enfim, é a gente que temos!...