segunda-feira, novembro 08, 2010

Má educação...

Na rua onde moro (Rua Nova da Balsa), felizmente, (honra à autarquia) existem vários contentores para recolha de lixo, sendo que um ou mais são ecopontos, com os respectivos muloques com enorme capacidade de carga.

Todavia, mesmo com os recipientes ainda a aceitarem materiais, pois não está esgotada a sua capacidade de recepção, há pessoas que, por comodismo ou má-educação, teimam em não abrir a tampa e introduzir o saco do lixo no devido lugar, deixando-o, ao lado, no chão.

Depois vêm os animais, rebentam os sacos, à procura de restos de comida e, em redor, numas boas dezenas de metros, é ver o lixo espalhado a dar uma imagem que nada dignifica os habitantes do “meu” bairro, nem a própria cidade, que nos anos 40 a 70 (e até um pouco mais) do século passado, era considerada, por quem nos visitava, uma das mais asseadas da Europa.

Se hoje assim não é a culpa não cabe à autarquia que tem bons serviços de limpeza, mas dos cidadãos que, sem civismo, educação e não sei que mais, dão mostras de serem muito porcos. Será que nas suas casas também assim procedem? Que andam os pais, as escolas, as instituições e… as religiões a ensinar que não mudaram os comportamentos sociais, educacionais e humanos dos indivíduos?

A educação – neste caso, a falta dela – é que provoca estas tristes e feias situações.

E pronto: despejei a minha indignação…

quinta-feira, novembro 04, 2010

Cultura ou...

Fui aos “fados”, a convite de uma amiga e, naturalmente, encontrei lá, com a sua amada guitarra, o meu “velho” Amigo Sousa.

Eu, num pequenino interlúdio das cantorias, declamei uns poemas meus que agradaram aos presentes. Então o Sousa disse-me:

- Viseu, não honra e esquece (e despreza, acrescento eu) os seus verdadeiros Artistas.

Que sim, respondi-lhe. Já meu saudoso pai dizia que «Viseu é boa madrasta e má mãe.»

Na realidade quem vem de fora, mesmo não sendo nada, é acarinhado e louvado até à paranóia. Homenageia-se quem “sabe lamber botas” e dizer (ou fazer) trivialidades e, sem pejo mas muito descaradamente, abandonam-se os talentosos (e ditosos) filhos que, com a força e a graça da sua Arte, dignificam aquela que os viu nascer.

Hospitalidade é uma coisa, adulação é pobreza de espírito!

Efectivamente – digo-o com dor –, as Instituições culturais ou simplesmente oficiais e oficializadas que deveriam estar bem atentas à Cultura local e aos seus fazedores (poetas, escritores, músicos, cantores, pintores, escultores, actores, etc.) desligaram-se de tal tarefa – diga-se, missão – e olvidam apoios a quem é digno de os receber.

Enfim, é a gente que temos!...

terça-feira, novembro 02, 2010

Esperança, esperança, esperança...

Num poema de minha autoria escrevo este simples verso: «(…) da própria cinza surgirá vida…»

Num país (Portugal) ardido económica, social, politica e humanamente, (quase) só resta cinza. Daí que me pergunte, com certa apreensão: será que essa cinza vai ser o adubo, fundamental e necessário, para que se dê o vicejar de nova planta ou seja: duma nova vida regenerada e apta a vir a ser árvore frondosa e bela, que dê nas vistas neste Mundo confuso e tão doente?

Com esta mania de ser optimista e de acreditar sempre num amanhã melhor, porque mais justo e mais humano (ou humanizado), espero e desejo, com muita força, que «da própria cinza surgirá vida.»

Claro que não acredito nestes, nem noutros “Senhores do Poder”, já que sei da sua incapacidade – talvez diga, incompetência – para realizarem coisa melhor. Mas, a fora o imenso reaccionarismo (mesmo neo-nazismo pró-Salazarista estúpido e incompreensível) que por aí reina, ainda tenho fé que, como doutras vezes (na nossa História), o Povo Português, com a sua abnegação, espírito de luta e coragem, vai superar as dificuldades e dar razão àquele meu modesto verso: «da própria cinza surgirá vida!»

E vamos adiante de olhos e coração bem desperto!!!

sexta-feira, outubro 29, 2010

A Esperança tem de ser a nossa canção

Vi, ontem, uma notícia que me pôs amarelo e de olhos em bico: «A China quer (ou vai) comprar a dívida pública portuguesa.»

Por que será?...

Claro que não é pelos nossos “lindos olhos”, redondos e, normalmente, escurinhos.

O que tem um pequeno país, perdido na grandiosidade do “Mapa Mundi”, de tão importante que atraia a cobiça (interesse) da segunda maior potência económica do Planeta?

Somos pequeninos, é certo, mas temos a nossa “porta grande” aberta para a Europa e para os Países de língua oficial portuguesa.

Lembremo-nos bem disto: «ninguém dá ponto sem nó!...» Mas esse nó, ainda que possa resolver uma grande parte dos nossos problemas financeiros, não deixará de nos preocupar, já que nos hipotecará a uma Nação com outra forma de pensar e agir bem diversas da nossa.

Entretanto, como diz um cego, «vamos a ver» como as coisas irão desenvolver-se. Não sejamos pessimistas. A esperança tem de ser a última coisa a morrer em nós… Já passamos muita fome, humilhações e tristezas infindas e, sempre, levantamos a cabeça numa vitória custosa, é verdade, mas grandiosa e bela.

Tenhamos em mente que Portugal é e continuará a ser um Povo e uma Nação de luta e de esperança sem limites.

Eu penso assim, não me agarro ao fatalismo do Fado que, por isso, não pode ser canção nacional.

quarta-feira, outubro 27, 2010

"Aloween" - tradição importada

Vem aí a noite das bruxas (31 de Outubro), mas eu – confesso – não consigo entender tal festividade no calendário português, porque, há mais de cinquenta anos, não havia o que agora há e se faz.

No meu tempo apenas se escavavam abóboras para fazer com elas carantonhas iluminadas por uma vela, acesa no seu interior, que depois, em profusão, eram colocadas na “Cava de Viriato”, lembrando aos viseenses que, no dia seguinte, teriam de ser enfeitadas as campas dos que, antes de nós, haviam partido para o Tempo sem Tempo.

Graças aos meios de Comunicação actuais, importou-se as festividades e tropelias do “Aloween” para a nossa cultura e é ver, mascarados de bruxos e feiticeiras, foliões pelas ruas; fantasmas, de lençol branco, tentando assustar os passantes; crianças, também mascaradas, pedindo guloseimas às portas de amigos e conhecidos e, nas associações, animados bailes alusivos àquela noite.

Mudam os tempos, mudam os modos de estar! È a evolução! Para melhor? Para pior? Não julgo! Porque me não acho com conhecimento para tal! Quem o souber fazer que o faça, todavia, no meio da crise em que estamos mergulhados, as pessoas necessitam de alguns momentos de diversão, para esquecerem as dificuldades da vida e serem, ao menos, por instantes, felizes...