segunda-feira, outubro 25, 2010

Solidão no meio da multidão

O meu saudoso amigo Celestino Soares, esteve, no fim de seus dias, internado num Lar ou Centro de Dia (?) para pessoas idosas, mas – segundo me disse – vivia angustiado com a solidão que o invadia, pois estando num lugar cheio de pessoas não tinha com quem dialogar.

É verdade!

Estar no meio da multidão não retira de nós o doloroso sentimento de solidão se, quem nos rodeia, nada tiver em comum com os nossos gostos, as nossas vivências, os nossos conceitos sociais, morais, culturais e humanos. É estar num deserto psicológico que nos esmaga, magoa e aniquila.

Não ter com quem partilhar ideias e modos de Ser e de Estar é pior que ser metido num quarto escuro, onde a imaginação pode soltar-se e, com naturalidade, criar cenários fantásticos de beleza inigualável.

Um agricultor gosta de falar dos (seus) agros; um criador de gado delicia-se a contar os partos das suas vacas; uma ama maravilha-se a descrever as traquinices dos (seus) meninos, mas um artista, um poeta e um animador cultural, por maior que seja a sua cultura e capacidade de adaptação ao meio, acaba por se entediar com temas que são dos outros, mas que (a ele) nada dizem.

O Ser Humano tem destas coisas. Só ama e se insere numa comunidade com a qual se identifique. De contrário é o isolamento, a solidão física, mental e social.

Como eu temo a solidão no meio da multidão!...

sábado, outubro 23, 2010

A Política está bem perrengue

A Doutora Maria Lúcia Lepeki, ex-professora da Faculdade de Letras, da Universidade de Lisboa, na Revista “Super Interessante” nº 150 de Outubro de 2010, no artigo “O lobo guará”, usa o termo paciencioso (em vez de paciente) referindo a paciência de seu avô, «quando ficava perrengue» (adoentado).

Sim, sim! Isso mesmo!

Esta sublime receita de sermos pacienciosos na doença e, de um modo geral, em todas as dificuldades da vida, não deixa de ser deveras interessante, pois evita a tomada precipitada de decisões de que, a curto ou longo prazo, nos podemos vir a arrepender.

Todavia tudo tem limites e o retardar da acção, em política, pode, a mais das vezes, ser perniciosa pelo mal-estar causado aos cidadãos que ficam em ânsia e, justamente, em dúvida quanto à boa fé dos intervenientes.

A demora na tomada de atitudes é – afirme-se sem receio de erro –, quase sempre, a mãe de grandes males e, umas tantas vezes, de subjacentes guerras bélicas ou, somente, psicológicas que destroem patrimónios morais e físicos das nações e dos homens.

Temos o corpo e a alma perrengue, contudo, no caso presente, não podemos virar pacienciosos e sim, bem lestos e activos para não perdemos os bens e a dignidade de que nos orgulhamos.

- Grite-se a nossa ansiedade e dor, pode ser que nos ouçam!....

quinta-feira, outubro 21, 2010

"O Zé e o burro"

«O Homem e o burro ou o Burro do homem e/ou o Homem do Burro» são títulos aplicáveis ao caso do sujeito que foi multado, por, devido a um elevado grau de alcoolemia, levar o seu animal atrelado à carroça, em contra mão.

É justo que assim seja, pois a lei define que, em tais casos, o acto, susceptível de causar danos ao próprio e a terceiros, seja passível de punição.

Tudo bem! – Digo eu.

Só que acho (pensar ainda não é proibido) ser severíssimo este castigo, quando acrescenta a interdição de conduzir qualquer veículo motorizado ou não “ad eternum”.

Então onde paira o sentido (laico e cristão) da regeneração, do perdão, do efeito pedagógico, ou o “benefício da dúvida” aplicável ao punido?

Claro que me não cabe julgar a “Justiça”, todavia, é-me difícil de entender, de boa mente, tão implacável modo de acção e pensamento do legislador, pois há sempre a possibilidade de mudar o modo de actuação do prevaricador. Há sempre a possibilidade – repito – de arrependimento e correcção de forma de estar no Mundo, pois – aprendi na catequese, quando era menino – um santo é um pecador que se arrependeu e mudou sua forma de pensar e viver.

Será que sou burro?...

terça-feira, outubro 19, 2010

A "Crise" e a Fome

No meu livro “Dente de Cavalo” (esgotado), falo nos Pasteis de Vouzela, originários do Convento de Santa Clara do Porto, enquanto os de Tentúgal são originários do Convento da mesma ordem, mas de Coimbra. Dou até a respectiva receita.

Todavia, por lapso – «Homero também dorme» –, não referi que aqueles pasteis, muito ricos em calorias (proteína, glúten, albumina, minerais, etc.), foram criados para ajudar os pobres, no alívio e cura da “tísica” (tuberculose), doença que flagelava muita gente desde tempos imemoriais e tinha como principal causa a fome que grassava, endemicamente, por todo o lado em Portugal e, também, em alguns países da Europa.

A Fome…

Pois é! Ela aí está e não é um espectro, é uma realidade visível, palpável e (imensamente) preocupante!

Infelizmente não é – toda a gente, com sensibilidade, o sabe – uma utopia, é sim, uma desgraça que aumenta, dia a dia, com a crise económica que vivemos e com o apertar do cinto em que já estamos e estaremos, com mais veemência, a partir de Janeiro de 2011.

Só que agora já não há freiras caridosas que possam valer aos pobres famintos e doentes, porque foram esbulhadas dos bens que lhes permitiam ser assim caritativas. Por outro lado, as Instituições de Solidariedade Social não recebem (do Estado) os apoios de que precisam para cumprirem a nobre missão de auxílio aos mais carenciados.

- Meu Deus, quem nos acode?!...

domingo, outubro 17, 2010

Espiando a História

Para satisfazer um pedido de informação de minha Prima Inês, sobre os “Marqueses de Farminhão”, andei, um dia destes, por lá a farejar de porta em porta, com vista a obter alguns dados que pudessem ter alguma coisa a ver com o caso e o que (apenas) consegui foi o seguinte:

1 – A “Quinta da Vinha Morta”, talvez pertença dos tais marqueses, nada tem a ver com a romana “Flamia Nham” (Farminhão), mas com uma povoação dessa freguesia chamada Outeiro, onde até existe uma rua a que deram o nome de Rua da Vinha Morta, donde se deduz a importância daquele nome no passado. De facto, a localidade até foi sede de freguesia, com cadeia e a respectiva e indesejada forca, ao contrário do que sucede agora em que a cabeça da freguesia é Farminhão.

2 - Quanto á Família Figueiredo (a dos marqueses), foi-me dado saber que, no lugar, tinha grande importância, como é citado na Revista “Beira Alta” – Volume LIII, 1º, 2º e 3º Trimestre de 1994 – ao estudar os monumentos locais, refere que a Capela de Santa Bárbara, no Alto do Picoto, teve, em 1676, na outorga da sua fábrica, (entre outros) os nomes de João Cardoso Figueiredo, Sebastião Figueiredo e António Figueiredo.

3 – Por seu turno, ao que consta, não me foi possível encontrar algo, na região, que fale dos “possíveis Marqueses de Farminhão”, embora exista, no Outeiro, uma casa apalaçada que, de origem, ninguém sabe a quem pertencia.

E, por agora, foi o mais a que a minha curiosidade chegou.