segunda-feira, outubro 26, 2009

Questões de Paternalismo

Olá Helena C.,
Escondida no teu anonimato, que respeito, dizes, com muito carinho e gentileza, o que a seguir transcrevo:
«Há muito que o conheço pessoalmente de alguns eventos públicos em que estivemos; admiro pela forma decidida como sempre enfrenta a sua deficiência, encarando-a como não existente e tenho por si um enorme afecto, embora não saiba quem sou, mas sobretudo e sem "graxa" sinto-me enternecida quando vejo a forma paternalista com que trata os mais novos.
Senhor Calema, como é bom ouvi-lo e vê-lo a dar amor a quem tem menos idade do que a sua! Mas, o que mais me encanta e seduz é que o faz sem pieguice pirosa e interesseira. A dádiva da sua ternura aos mais jovens, mesmo que poucos menos anos do que o senhor, é tão espontânea e natural que - como costuma dizer-se - até inunda a vida de quem o conhece.(...). Que bom é tê-lo no rol das pessoas sublimes desta Cidade onde vivemos.»
Minha Querida C, estou tão corado, por tão (julgo eu) desmerecidos e exagerados encómios, que não tenho palavras para responder seja o que for, por isso digo apenas à boa maneira beirã:
Bem-haja, muito bem-haja!!!

sexta-feira, outubro 23, 2009

Conselhos - uma questão de e para analisar

Desde menino que ouço dizer: «Quem quer um conselho, | peça-o a um velho
NAo! Não compartilho tal asserção, porque, em toda a minha vida, os melhores conselhos que recebi foram-me dados, em forma de sugestão, por gente na "força da vida" e não por pessoas desgastadas pelos muitos trabalhos e pelo peso dos anos.
Este meu raciocínio teve-o, também, de forma bem vincada, Luís Vaz de Camões ao criar, de modo sublime, nos Lusíadas, as figuras - retrogradas, e desfasadas do espírito empreendedor e aventureiro dos buscadores de "novos Mundos" - dos "Velhos do Restelo", a verem a vida por uma óptica desactualizada e, por isso, totalmente ultrapassada.
A sabedoria dos idosos é boa quando eles sabem manter-se, pelo estudo permanente e pela observação de quanto os envolve, abertos à evolução das coisas e dos pensamentos de cada época. Nesse caso um conselho será, de certeza, bom e proveitoso para quem o seguir.
Ser "velho" (e eu sou-o) é -dizem- um posto! Porém, só o será se não estivermos agarrados ao Passado, carregado de preconceitos, dogmas e tabus que já não têm (nunca tiveram), nos dias de hoje, qualquer razão para existirem e, muito menos, para serem seguidos.
E... por aqui me fico!...

quinta-feira, outubro 22, 2009

Divagação sobre decadência inbtelectual

Diz um milenar aforismo Hinduísta que «quando morre uma pessoa idosa, arde uma biblioteca».
Na verdade, assim era num passado ainda da lembrança de muitos dos actuais viventes, pois a média de vida rondava os 60/70 anos, o que quer dizer que as pessoas faleciam (quase) no auge das suas capacidades intelectuais. Depois, talvez por a morte ser precoce ou pelo estilo de vida que levavam, sem as correrias e sem competições no trabalho, causadoras de stress, como sucede actualmente, as doenças mentais, (Alzheimer, por exemplo) não afectavam tanto os que partiam. Nesse tempo morria-se por exaustão física, por mingua alimentar, por intoxicação causada pelo chumbo das canalizações e por inexistência de meios clínicos e cirúrgicos para certas enfermidades.
Essas pessoas morriam no climax da sua sabedoria, a qual fora adquirida através dos anos, pela vivência de acontecimentos, pelo estudo, pela introspecção e por muitos outros meios. Esses mortos precoces não chegavam a entrar em decadência mental, intelectual ou psicológica, não tinham tempo para que tal acontecesse, eram demasiado novos, embora tivessem o aspecto de velhos.
Quer dizer: os velhos de ontem - referidos pelos Hinduístas - são agora as pessoas de meia idade. Essas sim, são autênticas bibliotecas ambulantes, porque ainda não atingidas pela decadência que o peso dos anos sempre traz.
Daqui se infere que quem, vencido pelas doenças e pelo tempo, se apercebeu da sua decadência intelectual, para não destruir o prestígio alcançado, deve - como diz o povo - «meter a viola no saco e gozar o resto dos dias com sopas e descanso».
Estarei, como de algumas outras vezes, errado e a demonstrar a minha burríce?!...

terça-feira, outubro 20, 2009

Ainda «a voz do que clama no Deserto»

Olá Cristina,
Obrigado pelo comentário que me enviaste e que, sem mais rodeios, passo a transcrever:
«Eu tento fazer a minha parte: tenho o carro a gás, cultivo os legumes na minha horta sem aditivos químicos (apenas estrume de cavalo), não uso insecticidas para os bichos infestantes, apenas uma saponária e eles vão embora, no fundo do quintal organizei uma mini central de compostagem para todos os detritos orgânicos se decomporem e voltarem à terra da horta, obrigo todos cá de casa, incluindo visitas, a usarem o ecoponto instalado dentro de um armário da cozinha e, agora, descobri como se faz sabão com óleo usado, em vez de o deitar fora.
Mas sou apenas um grão de pó neste mundo.»
Também eu,Minha Querida Amiga, mas, fazer isso, é fazer imenso - direi mesmo -, é fazer tudo!

Breve dissertação sobre Deus

Acho que já uma vez o disse aqui: Não acredito num Deus, representado como sendo um homem, carregado de anos, de grandes barbas brancas e de vasta cabeleira alva, embrulhado na alvura de uma toga, dando ordens, à direita e à esquerda, às entidades que o rodeiam, lá pelas bandas celestiais, para que actuem sobre os problemas do Universo, com especial incidência nos conflitos que, de segundo a segundo, se vão gerando, na Terra, entre os homens e as suas instituições.
Não! A minha inteligência não é capaz de admitir tal quadro. Admito sim, a existência de Energia Inteligente (permanentemente) Emanada do Cosmos, a qual tudo regula e tudo e a todos atinge. Isso sim, isso, para mim é Deus! Esse conceito transcendental de uma força que tudo abarca e rege, é-me fácil de aceitar.
A primeira versão, nem Moisés, há cerca de quatro mil anos, a aceitou, uma vez que descreveu a Divindade, no seu livro do Êxodo, como uma sarça ardente inextinguível, (a tal Energia que atrás refiro) e João, no Apocalipse, também a descreve como uma energia, ao dizer que "do Trono saiam relâmpagos" que iluminavam todo ambiente, não assinalando a presença de um corpo humano.
A Bíblia foi escritas por homens, por isso tem erros e tem princípios desajustados aos conceitos científicos, morais e sociais da actualidade, mas, também e sobretudo, tem ensinamentos ajustáveis à forma de viver dos nossos dias. Há que, como dizia Cristo, saber "separar o trigo do joio", aproveitando o primeiro e lançando o segundo ao fogo.
Ou não será assim?... Estarei, como muitas vezes, a ser louco e... burro?...
Pelo que me é dado observar, com pensamento tão espiritual e etéreo, nunca, nem com as melhores cunhas, poderei vir a ser galardoado com o Nobel.