quarta-feira, setembro 09, 2009

"B.D" das nossas lembranças

A Vida nos últimos 50/60 anos mudou tanto!... Ainda bem!
Todavia, ainda há coisas que ficaram como um carimbo na nossa memória e que, hoje, nos fazem sorrir pela importância que, então, lhe dávamos, pois, quase "como o pão para a boca", nos eram indispensáveis e nos entusiasmavam até ao inconcebível.
Estou, naturalmente, a lembrar-me, como exemplo (um entre muitos), das bandas desenhadas, semanalmente, inseridas, em episódios, nos jornais diários. E recordo o "Primeiro de Janeiro" que, ao Domingo, na última página trazia, para as meninas, "O Coração de Julieta" e, para os rapazes, "As Aventuras do Príncipe Valente". E também incluía, nessa edição dominical, para todos, "O Reizinho". Além de incluir também, no seu interior, a figura ímpar do "Zé do Boné", impagável desportista de bancada e, algumas (poucas) vezes, de campo, que ia comentando, com fina ironia, os acontecimentos desportivos de cada dia
E não era só o "Primeiro de Janeiro" a publicar Banda Desenhada, de um modo geral, todos o faziam, contudo, não sei porquê, as daquele jornal eram as mais procuradas e apreciadas.
Velhos modos de estar no mundo que, de uma forma mais abrangente, pelas vivências dolorosas de um sistema político rejeitável, por ser causador de miséria, analfabetismo e outras coisas que não vale a pena descrever, não deixaram saudade, mas que, enfim, permitem estas lembranças que, sendo de uma certa alienação, marcaram uma época e, inexplicavelmente, não se varreram da memória e, por isso, aqui estou a evocar com um sorriso complacente nos lábios.

segunda-feira, setembro 07, 2009

O Orgulho da "nossa" Língua

Aprendi, e pode constatar-se facilmente, que Portugal é um país pobre e pequeno. Ao que parece, nisto ninguém tem quaisquer dúvidas, é matéria sem polémica.
Ontem passei o dia na margem do Rio Alfusqueiro, próximo de Oliveira de Frades, no Convívio do Rancho Folclórico "Verde Gaio", de Lordosa e, através das brincadeiras e conversas alegres das pessoas, novas e mais idosas, descobri que somos ricos e muito grandes no que toca à nossa língua, quer pela vastidão vocabular, quer, sobretudo, pela fartura de significados que cada palavra pode, naturalmente, ter.
Daqui, entender porque Aquilo Ribeiro, em suas investigantes passeatas, por montes e vales, salvando todos quantos com quem se cruzava, trazia sempre na algibeira um lápis e um pequenino canhenho onde ia anotando o que, de novo, escutava para, depois, inserir nos seus escritos.
E a riqueza vocabular é maior quando o vernáculo é usado, despretensiosamente, sem peias, nem tabus pela boca do povo, muito especialmente, pelos mais velhos, mais vividos e, por isso, mais ronhentos, homens e mulheres.
Afinal, não há razão para deprimirmos em "mesquinha e vil tristeza", pois somos ricos e enormes neste, muito nosso, linguarejar construído, através dos séculos, nas longas andanças pelas "sete partidas do Mundo".

sexta-feira, setembro 04, 2009

Outra vez: Diversidade

O conceito de (bom) gosto, em questões de Arte, Estética, Cultura e outras tem de estar (creio que sempre esteve) presente na mente e na acção dos criadores e/ou simples fazedores de algo, para proporcionar prazer e bem-estar aos sentidos, á alma e ao coração dos homens.
Só que, felizmente, cada pessoa tem o seu próprio conceito, a sua forma de ser, de estar e de sentir. Logo - é-nos lícito conjecturar - não existem duas sensibilidades iguais: é a diversidade total de pensamento e de sensações.
Se assim é, na realidade, no que toca ao substrato, invisível, do ser humano, por que não há-de ser também assim nas coisas concretas e visíveis da vida? Por que existe discriminação social, económico, religioso, político, racismo e xenofobia? Por que se rejeitam pessoas em detrimento de outras? Por quê, atavicamente, tanto ódio infundado? Afinal o que tememos? Queremos que tudo seja amarelo (ou da cor da nossa preferência)? Então, não "somos todos feitos da mesma massa"?
Não questiono mais nada, quem tiver cérebro que entenda!...

quarta-feira, setembro 02, 2009

Espiritualidade ou...

No meio de milhentos crimes de pôr os cabelos em pé, é notória, em muita gente, uma incomensurável fome e, também, procura de algo que transcende a terráquea condição humana.
Isso é busca de espiritualidade: talvez da essência divina latente e originária da alma de cada Homem.
Se isto é mau? Claro que não! Mas... (há sempre um mas) o que se busca sem conhecimento, acaba por ser fanatismo e, por arrasto, termina por nos fazer cair na exploração charlatanista de uns tantos que, aproveitando a ignorância e a fraqueza alheia vão, desonestamente, enchendo, sem quaisquer escrúpulos, a carteira.
Dizia minha avó materna que «quem precisa e não encontra, até vai ao cabo do Mundo e faz o que não deve».
E isto não sucede só com gente dita "inculta" ou sem instrução, os outros também vão no engodo e ficam presos no anzol. Prova disto são os montes de e-mails que se recebem pedindo para estabelecer cadeias "i" e "esotéricas", com a promessa de que algo de bom virá a acontecer.
Por quê tanto e tal fanatismo, nos nossos dias?....

segunda-feira, agosto 31, 2009

Saudade dos avós

Por que será que a maioria das pessoas, sentem, de certo modo, "mais" saudade dos avós, com quem tiveram uma relação muito próxima? E quanto aos pais cujo convívio, de um modo geral, é de 24 horas em cada dia, por que será que esse belo sentimento. nem sempre (falo por mim) é tão acentuado?
Embora se aventem mil hipotéticas teorias resultantes de aturados e bem elaborados estudos sobre a matéria, nunca encontraremos a resposta, matematicamente, precisa, concisa e irrefutável, pois «ninguém conhece as razões que a Razão tem», como alguém disse.
Esta questão da Saudade dos pais de nossos pais dava, por si só, matéria para a elaboração de uma vasta e magnífica tese de doutoramento, mas, embora já tenha colaborado (e feito - diga-se à puridade) esse tipo de trabalho para outras pessoas que, hoje, fazem que não me conhecem, não me sentiria capaz de tal, pela vasteza e sensibilidade do tema, tão dependente das emoções e, por isso, do coração.
Felizes os que , ainda, sentem saudade dos avós!...