quarta-feira, agosto 19, 2009

Ainda sobre os Afectos

Cá pela Cidade de Viseu tem estado uma caloraça que quase não dá para se sair, a não ser à noite, umas largas horas depois do Sol se pôr, mas, ontem, como bicho acossado pela fome, lá saí da toca e, com a esposa, fui a uma grande superficie comercial, a buscar reforços para a dispensa.
Estava , junto a uma das caixas de pagamento, à espera da esposa, quando alguém me aborda a perguntar, se não o conhecia. Claro que o reconheci de imediato, embora o nome não me viesse instantaneamente à cabeça.
E pusemo-nos a cruzar lembranças de há mais de cinquenta anos, quando rompíamos os fundilhos das calças nos bancos da velha Escola Comercial.
O Ser Humano é assim (se calhar os animais também), a amizade (velha ou nova) é consubstanciada nas lembranças de bons momentos vividos.
Dizia eu, com outras palavras, na anterior mensagem, que o mais importante, é poder, saber criar e ter afectos perenes para nos sentirmos e sermos felizes.
Meu Deus, como é bom sermos reconhecidos e amados pelos tempos fora, mesmo que a ausência seja delongada!...

segunda-feira, agosto 17, 2009

Diversidade

Na Natureza o que é normal é a diversidade das espécies, quer seja na flora, quer seja na fauna, quer seja ainda na própria geologia dos solos, discerníamos, ontem (eu, meu filho e minha esposa), enquanto almoçávamos. E concluíamos com uma pergunta natural, lógica e neutral, porque carregada de humanismo: Por que não há-de ser assim nas sociedades (comunidades) humanas?
A ideia nazista de: uma só etnia (pois raça só existe uma, a humana), uma só cultura, uma só religião e uma só forma de estar no Mundo, é totalmente anti-natural e levaria ao caos e á monotonia, destruindo o próprio Homem na sua individualidade física, mental e espiritual.
Veja-se, por exemplo, o caso das monoculturas que podem economicamente ser fonte de maiores lucros, mas que acabam sempre por empobrecer e, mesmo, tornar os solos impraticáveis, o que, como bola de neve, lança as populações na necessidade, implacável, de ter de emigrar, deixando para trás séculos de valorização cultural e o labor de gerações e gerações completamente perdido.
Por que não, na nossa rua, a convivência com pessoas de vários tons de pele, de varias religiões e originárias de diversos pontos deste Planeta?...

sábado, agosto 15, 2009

Afectos

Já o disse por várias vezes e de muitas formas, porém, como nunca é demais, vou repetir: O mal do nosso Mundo de hoje é a falta de afecto (ou de afectos), pois se vivem horas de puro materialismo consumista, economicista e (por que não dizê-lo?) egoísta.
Na minha juventude, havia uma garota (nossa vizinha) nove ou dez anos mais nova do que eu que ia para nossa casa e por lá se mantinha o dia todo, enquanto os pais iam ganhar o pão-nosso de cada dia. Eu amava aquela menina e ela correspondia de igual modo. Era o afecto de um adolescente e de uma criança que gostava de brincar para quebrar a ausência (e a falta) dos pais que só via e contactava ao fim do dia e aos Domingos e Feriados.
De há uma quinzena de anos a esta parte, uma jovem da idade do meu filho, começou a privar comigo e com a minha esposa e... porque encontrou, em nós, algo diferente, no tocante aos afectos, começou a tratar-me por avô e à minha esposa por Tia Laura.
Não sei porquê, mas estes afectos ajudam a fazer as pessoas, de certo modo, felizes e dão animo e gosto de sermos melhores num mundo confusamente conturbado e materialista em que imperam apenas os sentidos.
Por isso, como digo num poema, «Eu quero saber viver em Paz e Amor!.»
Porque só na Paz e no Amor se desenvolvem e consolidam os verdadeiros e saudáveis afectos!...

quinta-feira, agosto 13, 2009

Palavras ao Vento

A cabeça das pessoas, a menos que sejam psicopatas (com objectivos definidos e ideias fixas), é, permanentemente, um autêntico vulcão a expelir palavras e a conjecturar pensamentos sobre as coisas mais dispares deste mundo e... quantas vezes, até do outro.
«A ocasião faz o ladrão» - diz um velho aforismo português.
Na verdade, eivados de dor, raiva e alegria, atiramos para o ar com palavras e frases do nosso foro íntimo e, de seguida, arrependemo-nos de o ter feito, pois, sem querer, ferimos a quem não devíamos.
O que se deita ao vento, não retorna ou se retorna já vem deturpado por interferências, ecos e ressonâncias das mais variadas.
Por esse motivo se diz que «o silêncio é de ouro.» A este propósito, com séria dor na voz, Martin Lther King, afirmou: «O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons
Os maus queixam-se e berram para impor a sua vontade, todavia os bons, na sua humildade e desejo de não magoarem nada, nem ninguém, remetem-se silêncio e sofrem, sofrem sem conta nem medida.

quarta-feira, agosto 12, 2009

A "Crise" acabou???

Os Órgãos de Comunicação Social têm vindo a informar, em enormes parangonas, de que, segundo os maiores especialistas da matéria, a "crise", de que tanto se tem falado e escrito no último ano e já no presente, acabou ou está mesmo a terminar, entrando-se agora em fase de retoma económico/financeira.
Quem sou eu para negar tal facto?!... Mas, cá por mim, sempre vou alertando, para que ninguém se iluda e acabe, incautamente, por cair em lamentáveis optimismos de arlequim de fraca arte.
Sim, a situação económica, pode estar a evoluir favoravelmente, todavia (e aqui é que está o meu alerta), no âmbito social as coisas vão prolongar-se, ainda, por muito, muito tempo.
O flagelo do desemprego, se não houverem investimentos que acompanhem a retoma da economia, vai arrastar-se por anos e anos. E isso se os governos (de vistas curtas e sem arrojo, fizerem como Salazar), se meterem a aferrolhar ouro, enquanto o país se atrasará, em relação à Europa e ao Mundo, e o povo gemerá rilhando os dentes - diga-se, sem subterfúgios e com verdade - numa miséria confrangedora e deprimente de naufrago esbracejando num oceano encapelado.
Quem, saudosisticamente, prefere ter ouro em vez de progresso e bem-estar que levante o dedo, para que os conheçamos e possamos acautelar-nos.
Que eu esteja enganado são os meus sentidos e sinceros votos!