quarta-feira, junho 10, 2009

Congeminações em Dia de Portugal

«... Ditosa Pátria que tais filhos teve!...» - Afirmou Luís Vaz de Camões, n' "Os Lusíadas".
É uma verdade incontestável e pesada como chumbo. O poderoso verso do grande épico português, de tão simples, chega a causar arrepios e... também, dor.
É que, infelizmente, os sublimes filhos da "ditosa Pátria" (ou Mátria, como disse a saudosa Natália Correia), na grande maioria dos casos, não são, devida e justamente, reconhecidos.
Por quê?
Porque a uns é-lhe negado, por razões meramente económicas e ideológicas, a possibilidade de poderem brilhar. A outros, por inveja dos menos dotados, mas bem instalados na sociedade (com poder e meios à disposição), é-lhes feita sistemática barragem às suas ideias, vontades e obras.
E assim, uns e outros, acabam por cair, inexoravelmente, num medonho, vil e acabrunhante anonimato que deveria envergonhar quem para lá os atira.
Os laureados são uma gota de água no oceano em que estão submersos os esquecidos e anónimos duma Pátria já com nove séculos de História, construída, precisamente (e sobretudo), com (e graças) a eles!...
Deste modo, talvez por ser poeta, eu direi, sem preocupações de métrica e de rima: Ditosa Pátria que tantos Filhos Anónimos tem!...

segunda-feira, junho 08, 2009

Tradição., religião, fanatismo ou quê?

Meu avô e minha avó paternos, eram saudados, todas as manhãs pelo filhos e pelos netos com: «a sua bênção!...» Ao que respondiam, pousando uma mão sobre as nossas cabeças e aceitando, depois, um beijo : «Que Deus te abençoe e te faça um santo!»
Sessenta e quatro anos depois (tenho 72) dou comigo a pensar: Mas quem eram meus avós paternos, para se arrogarem com direito de abençoar ou maldizer seja quem ou o que fosse, mesmo remetendo para Deus esse sublime encargo?
Por outro lado, meus avós maternos, pessoas também muito religiosas, não usavam, nem incutiam nos seus familiares, tal tipo de saudação que era, naturalmente, substituída por um carinhoso e muito afectuoso beijo, acompanhado, a mais das vezes, por um, muito doce e terno, afago na face.
Não estou a dizer que fosse má a primeira saudação. O que - creio eu - me é lícito perguntar é por quê tal diferença no saudar?
Talvez porque os primeiros praticavam uma religião demasiado arreigada a rígidos princípios de subserviência clerical, enquanto os segundos pisavam (e ensinaram-me) a senda da Fé pelo raciocínio, pela busca de Deus sem peias e/ou dogmas a entravarem o nosso encontro com a espiritualidade, numa ascenção permanente e constante à perfeição e à transcendência universal, como forma humanamente credível de alcançar a prometida Vida Eterna de que Cristo tanto nos falou.
De que lado está a verdade? Da Fé cegamente fanática ou da Crença religiosa alcançada através do estudo, da análise e da ponderação?
Quem souber que o diga, se para tanto tiver conhecimento!...

sexta-feira, junho 05, 2009

Onde estão os "Grandes" decisores?

«Gato escaldado de água fria tem medo0» - diz e povo e, cuido, com alguma razão.
Daí que, muitas vezes, tenhamos receio em tomar certas atitudes na vida e no trabalho.
Nos tempos que correm, poucos são aqueles que, descomplexadamente, têm coragem (ou capacidade) para decidir.
Os "chefes" não avançam, em nada, sem, primeiro, fazerem uma (ou várias) demoradas e, tantas vezes inconclusivas, reuniões para decidir se o retrato do "Superior" deve ficar mais acima ou mais abaixo na parede do Salão Nobre. E discute-se... interminavelmente, sobre autêntica "lana caprina", em vez de, decididamente, se pegar no martelo e no prego e, em menos de um minuto, expor a malfadada fotografia.
Ninguém, de per si, quer assumir responsabilidades e vá de arrastar consigo quem, a mais das vezes, por subserviência (ou necessidade de sobreviver) acaba por arengar futilidades inúteis, mas que, aparentemente, podem (para os papalvos, abanadores de cabeça) revelar interesse e/ou "competência" e garantir a continuidade no cargo que, a todo o custo querem preservar.
Por que já não há dirigentes com D maiúsculo capazes de grandes decisões?...
Assim vai o País e o Mundo!...

quarta-feira, junho 03, 2009

Ainda, Em vias de extinção...

Querida Cristina,
Obrigado pela deferência do teu Comentário que passo a transcrever:
«Está coberto de razão. Mas, desde já, deixe-me felicitá-lo por ser bisneto de tão gloriosa senhora. Certamente provou muitos deles e sabe bem a diferença entre eles e os de Tentúgal. Eu (desculpe-me a ignorância) não sei. Só provando um de cada no mesmo dia, e adoro os dois. O trabalho que dão, nem tão pouco tento imaginar, e o preço de cada um é certamente o devido.
Devo confessar que gostaria de aprender a confeccioná-los, no entanto sei que provavelmente não tenho condições para esticar a massa em casa.»
Disse , a respeito da minha "ínclita" bisavó materna »gloriosa senhora» e disse bem, pois, tendo ela sido criada e vivido em "berço de ouro" da fidalguia a que pertencia, foi heróica, aos quarenta anos, ao quedar viúva de alguém que, depois de. ao jogo, ter destruído toda a sua fortuna - como conto no meu livro "Dente de Cavalo" -, a deixou pobre e com 14 bocas ao redor da sua saia para alimentar e educar, não hesitou e, com a ajuda, moral e económmica, da Condessa de Prazias, colocou um avental e, arregaçando as mangas da blusa de cambvraia com rendas de fino traço, tornou-se pasteleira de mão-cheia, legando aos seus descendentes, a receita não só daqueles pasteis, mas também algumas outras, como o célebre e delicioso "folar de Vouzela". único no Mundo em doçura e leveza digestiva.
Quanto ao preço - dado o trabalho de confecção - poderá ser (actualmente) justo, todavia não é, acreditem, de modo nenhum, compensador. Minha mãe, no Maputo (Lourenço Marques), fê-los, por encomenda, para festas de Vouzelenses, mas, dizia ela, era trabalho a mais para muito curto pagamento.

segunda-feira, junho 01, 2009

«Em vias de extinção!»

Há semanas atrás, o Jornal do Centro publicou uma reportagem sobre o Concelho de Vouzela, em que, entre muitas outras coisas, dizia que os (mundialmente conhecidos) "Pasteis de Vouzela" se encontram em vias de extinção.
De facto assim é. Depois de desde 1863 terem vindo, pela mão de minha ilustre bisavó D. Maria Queirós Liz Cardoso (a quem o Município deveria há muito ter homenageado com seu nome numa rua ou praça da vila) a ser feitos sob receita e métodos das freiras do Convento de Santa Clara do Porto (e não de Coimbra, como os de Tentugal, daí a diferença no paladar e textura), os afamados e deliciosos passteis, pelo excesso de mão-de-obra e por, económicamente, a sua feitura nâo ser, de modo algum, compensadora (carolice não enche barriga), correm o (muito) breve risco de extinção.
É assim no mundo de hoje! O que leva tempo e dá muito trabalho e precisa de grande dose de paciência, acaba ou está prestes a desaparecer. No presente Mundo Global o que importa é o que dá riqueza rápida e fácil.
É pena que as entidades da cultura local não tenham meios (ou recursos) para salvar as coisas boas que nossos antepassados nos legaram, para que os vindouros (também) as pudessem vir a usufruir!...