sexta-feira, junho 05, 2009

Onde estão os "Grandes" decisores?

«Gato escaldado de água fria tem medo0» - diz e povo e, cuido, com alguma razão.
Daí que, muitas vezes, tenhamos receio em tomar certas atitudes na vida e no trabalho.
Nos tempos que correm, poucos são aqueles que, descomplexadamente, têm coragem (ou capacidade) para decidir.
Os "chefes" não avançam, em nada, sem, primeiro, fazerem uma (ou várias) demoradas e, tantas vezes inconclusivas, reuniões para decidir se o retrato do "Superior" deve ficar mais acima ou mais abaixo na parede do Salão Nobre. E discute-se... interminavelmente, sobre autêntica "lana caprina", em vez de, decididamente, se pegar no martelo e no prego e, em menos de um minuto, expor a malfadada fotografia.
Ninguém, de per si, quer assumir responsabilidades e vá de arrastar consigo quem, a mais das vezes, por subserviência (ou necessidade de sobreviver) acaba por arengar futilidades inúteis, mas que, aparentemente, podem (para os papalvos, abanadores de cabeça) revelar interesse e/ou "competência" e garantir a continuidade no cargo que, a todo o custo querem preservar.
Por que já não há dirigentes com D maiúsculo capazes de grandes decisões?...
Assim vai o País e o Mundo!...

quarta-feira, junho 03, 2009

Ainda, Em vias de extinção...

Querida Cristina,
Obrigado pela deferência do teu Comentário que passo a transcrever:
«Está coberto de razão. Mas, desde já, deixe-me felicitá-lo por ser bisneto de tão gloriosa senhora. Certamente provou muitos deles e sabe bem a diferença entre eles e os de Tentúgal. Eu (desculpe-me a ignorância) não sei. Só provando um de cada no mesmo dia, e adoro os dois. O trabalho que dão, nem tão pouco tento imaginar, e o preço de cada um é certamente o devido.
Devo confessar que gostaria de aprender a confeccioná-los, no entanto sei que provavelmente não tenho condições para esticar a massa em casa.»
Disse , a respeito da minha "ínclita" bisavó materna »gloriosa senhora» e disse bem, pois, tendo ela sido criada e vivido em "berço de ouro" da fidalguia a que pertencia, foi heróica, aos quarenta anos, ao quedar viúva de alguém que, depois de. ao jogo, ter destruído toda a sua fortuna - como conto no meu livro "Dente de Cavalo" -, a deixou pobre e com 14 bocas ao redor da sua saia para alimentar e educar, não hesitou e, com a ajuda, moral e económmica, da Condessa de Prazias, colocou um avental e, arregaçando as mangas da blusa de cambvraia com rendas de fino traço, tornou-se pasteleira de mão-cheia, legando aos seus descendentes, a receita não só daqueles pasteis, mas também algumas outras, como o célebre e delicioso "folar de Vouzela". único no Mundo em doçura e leveza digestiva.
Quanto ao preço - dado o trabalho de confecção - poderá ser (actualmente) justo, todavia não é, acreditem, de modo nenhum, compensador. Minha mãe, no Maputo (Lourenço Marques), fê-los, por encomenda, para festas de Vouzelenses, mas, dizia ela, era trabalho a mais para muito curto pagamento.

segunda-feira, junho 01, 2009

«Em vias de extinção!»

Há semanas atrás, o Jornal do Centro publicou uma reportagem sobre o Concelho de Vouzela, em que, entre muitas outras coisas, dizia que os (mundialmente conhecidos) "Pasteis de Vouzela" se encontram em vias de extinção.
De facto assim é. Depois de desde 1863 terem vindo, pela mão de minha ilustre bisavó D. Maria Queirós Liz Cardoso (a quem o Município deveria há muito ter homenageado com seu nome numa rua ou praça da vila) a ser feitos sob receita e métodos das freiras do Convento de Santa Clara do Porto (e não de Coimbra, como os de Tentugal, daí a diferença no paladar e textura), os afamados e deliciosos passteis, pelo excesso de mão-de-obra e por, económicamente, a sua feitura nâo ser, de modo algum, compensadora (carolice não enche barriga), correm o (muito) breve risco de extinção.
É assim no mundo de hoje! O que leva tempo e dá muito trabalho e precisa de grande dose de paciência, acaba ou está prestes a desaparecer. No presente Mundo Global o que importa é o que dá riqueza rápida e fácil.
É pena que as entidades da cultura local não tenham meios (ou recursos) para salvar as coisas boas que nossos antepassados nos legaram, para que os vindouros (também) as pudessem vir a usufruir!...

sábado, maio 30, 2009

A propósito de: Ai... o Tempo!...

Olá Cristina,
Obrigado pelo comentário que me enviaste e que passo a trancrever:
«Infelizmente as recordações que tenho da minha professora primária não são de todo, as melhores.
Era má, batia todos os dias ás alunas com uma régua enorme e, tratava bem as que lhe levavam presentes.
Era boa para dar aulas agora... Hehehe!...
Bom fim de semana, meu querido amigo, e ainda bem que os seus alunos antigos o guardam com carinho no coração.»
Eu, pessoalmente, não fui dos mais queixosos em matéria de castigos corporais, embora tenha tido uma professora que tinha e usava a"menina de cinco olhos" (era uma espécie de colher, em madeira, terminada numa bolacha com cinco buraco que deixavam passar o ar e que, por isso, quando batia, nas mãos ou em qualquer outra parte do corpo, doía mesmo), todavia vi muitos colegas meus serem vítimas desses maus tratos.
Era horrível Eu sofria tanto, a ver, quanto os alvejados a levar!...
Felizmente as coisas mudaram...? Mas, agora, é o inverso. Não digo mais nada!

sexta-feira, maio 29, 2009

Ai... o Tempo!...

Dizia-me a minha professora de Francês, já há algo (bastante) tempo: «Sabes José, os meus alunos já todos têm cabelos brancos!» Achei graça à ternura e gosto com que me disse aquilo e como me beijou. Havia naquela acção da Querida Dra. Ana Emília, muito carinho e afecto, por mim e por todos os meus colegas que, ao encontrá-la na rua, nos dirigíamos a ela para a cumprimentarmos e darmos um beijinho de agradecimento e amor a quem sempre nos ensinou por vocação e por sempre ter estado profundamente preocupada com o saber e com vida dos seus (por si) muito amados alunos.
Estou a escrever isto, porque, ontem, me sucedeu algo de muito parecido, se não mesmo igual. Um casal de professores, meus alunos, ao verem-me na Rua Formosa, vieram até mim e beijaram-me, com grande afecto.
Fiquei um tanto a olhar para eles e, de mim para mim, repeti a mesma frase da Dra. Ana Emília: «... os meu alunos já todos têm cabelos brancos!...»
Quando seguimos cada qual ao seu destino, senti-me feliz, muito feliz mesmo. Não sei bem porquê, mas concluo que por ter sentido o mesmo afecto e carinho que, nós, muitos anos depois, davamos à nossa Querida professora de Francês.
Afinal a vida repete-se. Talvez de outro modo, mas, vinque-se, repete-se e, isso, faz-nos felizes. Se calhar, por sentirmos que cumprimos bem o nosso dever, marcando no areal do Tempo a nossa indelével pegada, a qual nos tornará (perdoem-me a imodéstia) um poouco imortais!...