sexta-feira, janeiro 23, 2009

Deficiência e preconceito

Perguntam-me algumas pessoas que me conhecem, o que faço para, mormente a minha idade e a minha deficiência, me manter com bom aspecto.
Fico deveras "aparvalhado" com tal demanda, mas entendo bem o quanto ainda existe o (pre) conceito estúpido de que as pessoas com deficiência têm de ter ar de "coitadinhas" e, talvez, morrer cedo e muito encarquilhadas, causando asco a quem com elas se cruza.
Por quê, nos primórdios do século XXI, se continua a pensar como na Idade Média?
Isto, infeliz e lamentavelmente, "ainda" sucede. Por culpa de quem? - perguntar-se-á.
Na minha óptica, deve-se, de modo nítido e acentuado, à má preparação da Sociedade e... dos Professores que, ou não querem, (afirme-se) não estão abertos e preparados para incutirem nos seus educandos e discentes, os valores - digo, conceitos - de igualdade e respeito que merecem as pessoas que, por isto ou por aquilo, têm uma qualquer marca que os torna diferentes ao comum dos cidadãos.
A quem cabe julgar (avaliar) estes preconceituosos cidadãos?
Estamos num tempo em que, ao que parece, se foge de ser avaliado, como o "Demónio" se afasta da "Cruz". E não digo mais nada!...

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Esperamça; sim, mas sem exageros

Tal como no desporto, prognósticos só se fazem no fim dos jogos, depois de bem conhecidos os resultados de cada partida. Assim também sucede com o que penso sobre a tomada de posse do "novo" Presidente dos Estados Unidos da América do Norte. Só ao fim dos quatro anos de mandato que - diga-se - não será de flores, é que se poderá afirmar algo de bom ou de mau, até lá há apenas que observar se mpre pronto par a as eventualidades que possam surgir.
E isto porque me diz a experiência (lamentável) que o que parece, nem sempre é.
Em 1995 - era então Presidente da Direcção de uma Instituição de Pessoas com Deficiência - acreditei e apostei em António Guterres para Primeiro Ministro, na crença esperançada de que fosse um homem aberto e solidário com a Causa da Deficiência. Enganei-me redondamente e a Instituição teve, em 1996, de fechar portas, destruindo vidas e sonhos bonitos e viáveis em ptole de quem de tudo carecia.
Por isso - com enorme mágoa e não menor razão - eu digo:
Esperança sim, mas nada de exagerar, pois o ramalhete pode, num instante, desfolhar-se e murchar.
O que agora é... amanhã já não será!?...

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Mau tempo e os "Sem Abrigo"

Ao que disseram os meteorologistas vem aí, de novo, outra vaga de mau tempo - coisa natural para esta época - e as autoridades mostram-se preocupadas, e bem, com as pessoas que vivem nas ruas e que, muitas delas, teimosa e inexplicavelmente, não querem abrigar-se em lugares com algum conforto.
Dantes - recordo-me bem - quem não tinha onde se abrigar do sereno ou das intempéries, era levado pela polícia ou pela G.N.R., para os albergues distritais, onde para além da refeição usufruiam de banho, cama e roupa lavada.
A lei era assim e ninguém lhe fugia.
Dirão que era uma violência do regime fascista. Concordo, pois sempre fui pela Liberdade de cada um e nunca gostei de pactuar com tal sistema, embora para sobreviver, não lhe pudesse escapar. Porém, hoje, olhando para o que para aí vai, questiono-me se, nesse aspecto, as coisas não estariam, dentro do mau, certas? Era, na realidade, coartar ao indivíduo o direito de estar sujeito aos rigores do tempo e... dos mal feitores que os podiam molestar na sua integridade física e mental, mas era - não tenhamos ilusões, - uma forma (forçada é certo) de ser solidário e ajudar quem entrara em desgraça.
Nem tudo foi bom, mas, parece-me, nem tudo foi mau. Estarei errado?...

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Ironia e esperança no amanhã

As novas tecnologias são óptimas, mas... às vezes, pregam-nos partidas deixando-nos de mãos atadas, sem nada pudermos fazer para resolver a situação.
Foi o que me aconteceu esta semana em que (inexplicavelmente) estive sem ter acesso à Internet, daí que não pudesse ter metido nada de novo no meu modesto e "desconchavado" blogue. Se calhar o incidente teve origem no sincelo e na neve que cobriu o Norte e Nordeste Português. É que, com o frio, entra-se facilmente em hipotermia... provavelmente as máquinas da Net entraram nesse estado, até o sol aquecer o ambiente neste país, a "sobreviver" em estado de congelada hibernação.
Esta forma irónica de enfrentar a situação é, tipicamente, bem portguesa e isso torna-nos um povo, autenticamente, suis generis. Brinca-se para aliviar as dificuldades do dias-a-dia, como fez Rafael Bordalo Pinheiro ou, durante o fascismo, como sucedeu com a publicação de "Os Ridiculos".
No fundo, bem lá no fundo, todos nós temos um palhaço, a rir e a fazer piruetas, dentro de nós o qual, desse modo brejeiro), nos dá alguma força para encararmos os problemas e dificuldades do presente.
Por isso, continuemos a lutar por melhores horas com... um sorriso aberto a brilhar no rosto de cada um de nós! E... o mundo e a vida continuarão até à Vitória final! Avante, avante!...

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Exibicionismo e hipocrisia

Há pessoas que, apesar de tudo o que se vê e houve por esse Mundo fora, ainda não se deram conta de que existe fome e muita miséria por todo o lado, até mesmo à porta de suas casas, e continuam a viver e a comportar-se como se tudo fossem rosas, a flutuar num mar de luz e tranquilidade.
Como é possível tanta insensibilidade e hipocrisia?
E gastam, descaradamente, dinheiro em «Festivais de Gastronomia», em refeições de alto preço e luxo, só para mostrarem que têm requinte ou que são "importantes". Meu Deus! Meu Deus e as crianças que, ali, ao lado, definham com os estômagos vazios?!...
Será que a minha idade me está a tornar "Velho do Restelo"?... Talvez. Mas a verdade é que (me) dói ver tanto pavoneio e tanta mediocridade mental e social, quando outros estão carentes de tudo...
Que Mundo este, tão falho de valores humanos e de solidariedade para com quem precisa, porque, sobretudo, também é Filho de Deus!
Aqui deixo o meu grito de muita revolta e de muita dor pelas crianças, pelos velhos, pelos doentes, pelos solitários e por quantos perderam afectos e vivem sufocando raivas e mágoas de toda a ordem.