segunda-feira, julho 14, 2008

Quem vai à frente é para abater

O Primeiro Ministro disse, um dia destes, que o futuro é dos automóveis eléctricos e que urge conjugar esforços, entre a indústria e as universidades, para que Portugal não perca esse nicho aberto ao desenvolvimento do nosso país.
Minha esposa, ao ouvir isto, disse, «afinal tu tinhas razão quando, há 15 ou 20 anos começaste a trabalhar no projecto de um automóvel eléctrico.»
Pois é! Eu tinha razão quando em 1988 apresentei, ao IEFP - na altura dirigido por gente retrógrada e burocrata, de vistas muito curtas - a candidatura para a criação de um Centro de Emprego Protegido em Viseu, cujo objectivo, industrial e fundamental, era a construção de mini-automóveis (hoje vulgarmente chamados de "mata-velhos" e de "papa-reformas") que, com adaptações, adequadas a cada caso, pudessem, também, ser conduzidas por pessoas com deficiência.
Em 1996, clandestinamente, essa viatura estava pronta a ser fabricada em série. O candidato a 1º Ministro, em 1995, Engº. António Guiterres, viu o protótipo elogiou-o e prometeu apoios caso ganhasse as eleições. Ddepois - através de relatórios falsos e mal intencionados (veio a provar-se, em sentença judicial do Ministério Público que mandou arquivar o processo com sérias críticas aos técnicos do atrás citado organismo do estado) - foi ordenado o encerramento da base estrutural da Cooperativa de Trabalhadores Deficientes, C.R.L, de que eu era dirigente, e a dita viatura destruída, ficando o seu projecto, bem vivo, na minha cabeça, bem como todas as soluções técnicas encontradas.
É asim! Quando alguém vai à frente, no tempo, há que abatê-lo e destruir os seus sonhos!...

sábado, julho 12, 2008

Outra vez Viriato, a verdade e a lenda

Um anónimo, enviou o seguinte comentário aos artigos sobre "Viriato, a verdade e a lenda":
«Viriato da nossa imaginação. No fundo, não mais que um reaccionário a tentar lutar contra o progresso, contra a cultura, contra a globalização. Uma outra face do salazarismo, do estarmos sós e longe dos outros que nos poderiam trazer coisas novas.
Viriato é, afinal, o espelho em que nos miramos hoje mesmo. E não merecemos mais?
LUMAGO».
Como não podia deixar de ser, estou plenamente de acordo com o comentário, pois Viriato (em si) não só não existiu, como foi um dos muitos símbolos criados e usados pelo "Estado Novo", como forma de propaganda fascista ao «orgulhosamente sós».
Mais palavras... para quê?

sexta-feira, julho 11, 2008

"Lei Zé do Telhado"...

Andam por aí, na net, umas listas de gente muito bem instalada na vida que, num país de grandes assimetrias, as tornam ainda bem mais escandalosas e, logicamente, vergonhosas.
Ele são senhores a ganharem mais que Émires das Arábias; ele são gente a acumular proventos de vãrios cargos e reformas; ele são políticos que comem a vários queixos, através de despesas de representação e de alcavalas, tantas vezes inexplicáveis.
E o Zé o que é dele? - Ganha misérias de um ordenado mínimo insuficiente à carestia da vida ou recebe uma pensão de reforma que mal da para a buxa, já que a Farmácia lhe leva a maior fatia.
Razão tinha José Teixeira da Silva (mais conhecido por Zé do Telhado) quando tirava aos que tudo tinham para benefíciar os que pouco auferiam, diluindo assim, ainda que de forma muito reduzida. as assimetrias existentes na área em que actuava.
Por que não o faz o Governo, de forma legal, acabando com o escândalo vergonhoso dos rendimentos exagerados para bem dos que pouco (ou quase nada) recebem? Por que não se decreta, em Portugal, a "Lei Zé do Telhado", com vista a eliminar ou, simplesmente, a reduzir as assimetrias económicas e sociais que nos chocam e envergonham?

quarta-feira, julho 09, 2008

Ainda Viriato a Verdade e a Lenda

Em continuação, comprovação e reforço do que afirmei, no artigo anterior, sempre direi que, na lusitânia, por mor das dificuldades (quase impossibilidades) de comunicação rápida, não houve (não podia haver, como é compreensível e logicamente natural) um governo de um só homem.
Por tal razão, o sacudir da pressão invasora só podia ser levada a cabo através de rápidos e cirúrgicos ataques de guerrilha, liderados pelos hoimens da viris de cada região e cada um à sua maneira, usando dos meios ao seu alcanse e - diga-se - abusando do grande conhecimento que tinham do "seu" território.
Ah! Mas e o caso de Sertório?...
Sertório acabou por vir a falhar, porque quis (como romano que era) ser lider de toda a Lusitânea, utilisando estafetas a cavalo e informadores autoctones. Sistema que, pelo longo tempo que mediava até a ordem ou a iformação ser recebida, não resultou ficando tudo como anteriormente: em ataques de guerrilha sobre as tropas invasoras.
E tanto Viriato não foi como o quiseram (ou querem) pintar que isso é bem demonstrável, se analisarmos as inscriçôes de um penedo em Lamas de Moledo e de um outro das imediações de Folgozinho (a mais de 20 léguas de distância um do outro) que rezam ter Viriato, nesse mesmo dia, e em cada um destes lugares feito fortes estragos nas hostes romanas que por lá passavam.
Acredito que tal aconteceu, mas com o Viriato de cada uma destas áareas territoriais.
Contudo - vinque -se -, a pressão romana não foi, nunca, completamente sacudida, pois eles deixaram-nos estradas, pontes, cidades; explorações agricolas e mineiras; conceitos de vida e, sobretudo, o gene de uma língua que (ddois mil e tal anos, depois) ainda usamos e escrevemos com os caracteres que nos legaram.

segunda-feira, julho 07, 2008

Viriato a verdade e a lenda

Em conversa de amigos e a propósito, não sei de quê, alguém ficou muito surpreendido por eu ter afirmado que Viriat nunca nunca existiu, pelo menos da forma que nos foi ensinada, ou seja, que "ele foi um o Chefe que comandou a insurreição armada contra o domínio romano na Lusitânia".
O que é um tremendo disparate. Pois - expliquei, de seguida -, o que existiu, isso sim, foram os «Homens da Viris», que mais não eram do que homens escolhidos, por força das suas mais valias, para chefiar os clãs ou tribos que povoavam aquele território, aos quais se dava, por causa da viris que ostentavam no braço (viris era uma pulseira/bracelete que identificava o chefe do aldeamento e/ou aldeamentos circunvizinhos), o nome de Viriato.
Ah! Mas, dirão: Então como é que existem obras - até de historiadores consagrados - que identificam e descrevem a vida de "Viriato" como tendo sido assim e assado, desta e daquela maneira? Contando também a festa do seu casamento e dando pormenores sobre o nome e pessoa da esposa. Por outro lado contam ainda a história da chacina efectuada pelo romano Sérgio Galba, o que provocou a ira de "Viriato" e levando-o à rebelião, etc., etc., etc.
Não confundamos Juno com a nuvem!... A história (ou histórias) de vários homens da da viris (Viriato) não pode, nem deve (ou devia) ser contada como sendo a de uma só pessoa. Porque, ao fazê-lo, está-se a fugir ao rigor científico que, no mínimo, a História exige.