segunda-feira, julho 07, 2008

Viriato a verdade e a lenda

Em conversa de amigos e a propósito, não sei de quê, alguém ficou muito surpreendido por eu ter afirmado que Viriat nunca nunca existiu, pelo menos da forma que nos foi ensinada, ou seja, que "ele foi um o Chefe que comandou a insurreição armada contra o domínio romano na Lusitânia".
O que é um tremendo disparate. Pois - expliquei, de seguida -, o que existiu, isso sim, foram os «Homens da Viris», que mais não eram do que homens escolhidos, por força das suas mais valias, para chefiar os clãs ou tribos que povoavam aquele território, aos quais se dava, por causa da viris que ostentavam no braço (viris era uma pulseira/bracelete que identificava o chefe do aldeamento e/ou aldeamentos circunvizinhos), o nome de Viriato.
Ah! Mas, dirão: Então como é que existem obras - até de historiadores consagrados - que identificam e descrevem a vida de "Viriato" como tendo sido assim e assado, desta e daquela maneira? Contando também a festa do seu casamento e dando pormenores sobre o nome e pessoa da esposa. Por outro lado contam ainda a história da chacina efectuada pelo romano Sérgio Galba, o que provocou a ira de "Viriato" e levando-o à rebelião, etc., etc., etc.
Não confundamos Juno com a nuvem!... A história (ou histórias) de vários homens da da viris (Viriato) não pode, nem deve (ou devia) ser contada como sendo a de uma só pessoa. Porque, ao fazê-lo, está-se a fugir ao rigor científico que, no mínimo, a História exige.

sábado, julho 05, 2008

Que...

Por todo o lado se ouve falar de crise e que, cada vez, há mais pobreza; que se está a perder o poder de compra; que o dinheiro não dá para nada. Não tenho dúvidas quanto a todos estes pontos, pois isso é bem visível.
Mas - confesso - não entendo como é que, sendo assim, se entra nas grandes superfícies, seja a que hora for, e estão sempre com bastante gente a fazer compras. Em Viseu há mais de uma dezena desses espaços comerciais.
Então onde está a tão propalada crise?...
Bem sei que, em contrapartida, o chamado comércio tradicional "está às moscas" e, por via disso, a fechar portas. Todavia também sei que muitos desses comerciantes, pela sua pequenez e falta de sentido de negócio, se deixaram ultrapassar e, até, vencer pela evolução dos tempos e das sociedades e, por isso, não me espanta a sua quebra mercantil e o consequente encerramento de estabelecimentos.
No meio de tudo uma pergunta me ocorre: Quanto tempo vai durar a crise? ou, de outra forma, quem vai sobreviver para contar a história?
Temo que a resposta seja: Somente os grandes que ficarão ainda maiores!

sexta-feira, julho 04, 2008

Ainda as árvores...

Em relação ao que escrevi sobre "as árvores, a saúde e o investimento em Viseu" recebi, dum anónimo, o comentário que a seguir transcrevo e que, para além de concordar com o que afirmo, ensinou-me ainda que o perigo ocorre no per iodo anterior à floração, não sei como, nem porquê, mas acredito, plenamente nas palavras do meu estimado0 leitor.
«Certo. Muitas vezes não há o cuidado devido na escolha das árvores. Já várias câmaras se viram obrigadas a retirar árvores.
O perigo para a saúde, de alguns cidadãos alérgicos e há cada vez mais, não está no "algodão" que irá sujar as casas ou entupir os filtros no aparelhos de ar condicionado, mas em fase anterior da floração
Andamos sempre a aprende! Por isso, muito obrigado, por me ter ensinado mais uma coisa que desconhecia.

quinta-feira, julho 03, 2008

As árvores, a saúde e o investimento em Viseu

Há uns bons anos atrás, em Coimbra, numa importante avenida da cidade a autarquia viu-se forçada a substituir as árvores que nela havia, por se ter verificado que, no periodo de floração, desprendiam uma espécie de algodão que causava s´´erias e incómodas alergias a quem por lá morava, além de que esse tal algodão - segundo os especialistas - era, também, tendenciosamente cancerigeno.
Ora sucede que ( não sei se todas, se apenas algumas) as àrvores da bonita Avenida da Europa, em Viseu, são da espécie das que, em Coimbra, foram rejeitadas e substituidas. E isto é tanto mais grave que já ouvi dizer a (possíveis) investidores que, por mor de tais árvores, não aplicariam as suas poupanças em apartamentos daquela Avenida.
Isto é sintomático e preocupante, mas tem, entretanto, uma fãcil e pouco dispendiosa solução, assim o queira quem de direito!...

quarta-feira, julho 02, 2008

A Poesia é eterna

Há 33 anos (fez no passado dia 26), escrevi o poema que transcrevo, abaixo, publicado no meu livro «A Máscara e o Rosto» (esgotado desde 1982, poucos dias após a sua distribuição às livrarias), o qual é, agora, inserido no espectáculo «Raízes» que (1 de Julho de 2008) estreou no Teatro Viriato, em Viseu, pela mão amiga do Rui Martins que, por o ter recitado numa festa, foi convidado (?!...) a abandonar os Escuteiros.

Inexplicavelmente, apesar de já terem transcorrido três décadas sobre aquele “meu” momento criativo, a mensagem continua válida e viva como se Cronos tivesse parado seu passeio cósmico.

«Revolução

Olhei, sem ver, a bruma luminosa / irradiada do fundo do meu ser. / Caíam horas frias, em céu estrelado, / e no horizonte, distante, dum passado nulo, / com gritos e dentes rilhados nos cárceres / gemiam, ao sopro cálido da minha boca, / flautas de cana / silvando notas de desespero. / Lembranças tristes. / Hinos incentivadores de luta / dizem-me, na sua voz muda: / – Para a frente companheiro! / «A poesia está na rua!» – A Poesia és tu, / e tu… / … és «Revolução Cultural»!...»

E, apetece-me acrescentar: Porque a Poesia é eterna!...