segunda-feira, junho 16, 2008

Divagando sobre humildade arrogância

Tenho afirmado, algumas vezes, que há muito quem confunda humildade com subserviência e, o que é bem pior, com apatia, com “deixa correr”. Todavia (bolas, para tais confusões!...) ninguém (também) tem coragem para mudar esse estado de coisas e, naturalmente, as consequências perniciosas surgem em catadupa em todas as actividades humanas.

É claro que não somos apologistas do reverso desta medalha, pois cuidamos que a arrogância é o maior defeito de qualquer ser humano, já que diminui e esmaga o outro deixando-o incomodado e incapaz de (nem que seja por um breve instante) ter raciocínios claros e, daí, possibilidade de defesa às acções ou palavras que lhe são dirigidas.

Falar de humildade e de arrogância implica sempre aprofundar estudos sobre discursos e atitudes e isso depende imenso da inteligência, do conhecimento e da sensibilidade de quem ousa pronunciar-se sobre tal matéria.

Diz-se que os pobres são humildes e que os políticos arrogantes. Nada mais errado, uma vez que não é a Precisão que torna alguém humilde, nem é o Poder que faz este ou aquele arrogante. Há pobres arrogantes e políticos humildes! Do mesmo modo que há pessoas impolutas e há (mais do que devia) gente corrupta.

No meio disto, como é normal, surge a questão: Que indivíduos nos vão substituir no futuro de curto prazo que aí vem?

É uma pergunta que nos deve preocupar seriamente, muito embora as profecias sejam favoráveis.

Eu, ainda que já não viva esse tempo, acredito nas gerações do Porvir!

sábado, junho 14, 2008

O bloqueio dos camionistas e...

«Mesmo que te ofendam e magoem não odeies ninguém, para que ninguém te odeie a ti.» – Dizia minha avó paterna. E a outra avó confirmava «ninguém odeie para não ser odiado.» È um tanto, o provérbio inglês que diz: «mais vale ser cobarde um minuto do que ser cadáver para sempre.» E, ainda, «violência, gera violência e cria as guerras.»

Quero com isto manifestar a minha indignação pela atitude ilegal e, sobretudo, inconstitucional do bloqueio feito ou mandado fazer pelos empresários transportadores de mercadorias. Já que ninguém tem o direito de coarctar a vontade – diga-se: necessidade – de trabalhar de seja quem for.

Estou de acordo com o Primeiro-Ministro ao não ordenar às autoridades que carregassem sobre os “piquetes”, mas não ficarei satisfeito – creio que ninguém de boa fé ficará – se não for feita uma investigação, aturada e séria, para encontrar e punir os desordeiros que danificaram e incendiaram a ferramenta dos trabalhadores e, directa ou indirectamente, causaram a morte a um camionista.

Ou, então, estaremos na República das Bananas!?....

quarta-feira, junho 11, 2008

Que se abram olhos...

Já uma vez disse que os tempos que vamos vivendo em Portugal, nos dias que correm, de certo modo me fazem lembrar um passado (para mim) muito recente (34 anos), em que se dizia que o regime, então vigente, “adormecia” a mente e a vontade dos cidadãos, menos esclarecidos politicamente, com profundas e prolongadas bebedeiras de 3 efes: Fátima, Fado e Futebol.

Analisando e comparando conjunturas, breve se chega à (triste, muito triste) conclusão de que o passado quer voltar a ser (ou já é) presente.

Sei que estou a ser, deveras, polémico e provocador com estas afirmações. Mas sei, também, (lamentavelmente o digo) que estou a ser coerente porque, terrivelmente, verdadeiro.

A vida dos portugueses descamba, a cada momento, para o abismo da quebra social e… numa demência acelerada de “cego que não quer ver”, continuamos (os políticos e governantes), doentiamente, sem buscar remédios e sem tomar atitudes que dêem a volta ao problema que é, se nada desde já for feito, bem mais grave do que se pensa ou julga.

Isto é, para quem estiver atento e não adormecido com “Fátima, Fado e Futebol”, uma constatação indesmentível, que não pode, em hipótese alguma, ser votada ao esquecimento e ao ostracismo tão habitual nas gentes deste povo que já deu – como bem disse Camões – (e quer continuar a dar) «novos Mundos ao Mundo!»

È preciso, é urgente lavar os olhos e sacudir as “gaifanas” e ver bem o solo que se pisa para ir avante, sempre avante com a força da nossa inteligência e a sabedoria de uma experiência dolorosamente vivida, de modo a evitar o descalabro social que, se nada for feito, nos espera de bocarra bem aberta.

Está dito, está dito!!!

segunda-feira, junho 09, 2008

Poesia em prosa que podia ser em verso

Esta madrugada dei comigo a pensar e a tirar da memória coisas que elaborei e não fixei em suporte que as eternize, em graciosa entrega aos vindouros que, gostosamente, nos hão-de suceder.

Se todos os poemas, que congemino na minha cabeça, tivessem sido escritos, eu já não teria gavetas, nem baús onde guardar tanta papelada.

Se todos os poemas, que congemino na minha cabeça, tivessem sido escritos, eu já teria sido expulso desta sociedade, demasiado adulta em que estou inserido e que é incapaz de aceitar toda a infantilidade que me vai na alma e, às vezes, também no corpo.

Se todos os poemas, que congemino na minha cabeça, tivessem sido escritos, eu já teria sido internado num manicómio, porque os homens, hoje, são, excessivamente, sérios para permitirem todas as loucuras e fantasias que me vão na mente e atingem, por vezes, também o meu dolorido e cansado corpo.

Se todos os poemas, que congemino na minha cabeça, tivessem sido escritos, eu teria já perdido os dedos de tanto escarafunchar na terra, em horas de desespero, e a voz de tanto bradar no deserto as dores das injustiças que me atingiram como balas de canhão.

Mas, ainda assim, vou continuar a não escrever tudo o que penso, porque quero manter-me criança e louco e não me afogar entre palavras e papeis, pois, só desse modo, poderei ser feliz e… ser Homem.

Eu quero ser, verdadeiramente, Homem!!!

quarta-feira, junho 04, 2008

Aumento deográfico

Vi, um dia destes, num noticiário da T.V., que o território português teve um aumento demográfico de 10 milhões para 10,6 milhões de habitantes.

Logo me surgiram, em consequência, algumas considerações que julgo pertinentes e que devem ser, por via disso, devidamente, ponderadas, não por mim que nada posso, mas pelos responsáveis pela governação país.

Como vai ser se esse aumento mantiver a tendência expansiva, num país cheio de imensas terras abandonadas e transformadas em espessos matagais; com uma indústria sem relevância no contexto geral das nações; com as pescas a atravessarem uma crise preocupante e com fim muito longínquo; com um índice de desemprego que não tranquiliza ninguém e com um comércio de exportações pouco (ou nada) significativo?

Será, por outro lado, que, para se superar tão preocupante situação, teremos – como sucedeu no passado recente – de voltar à emigração desenfreada e massiva, sujeitos a humilhações de toda a ordem?

Há, por isso, que acordar (políticos e governantes) e avançar, desde já, com medidas sérias (drásticas se necessário) para que o país se torne num território, laboriosa e modernamente, cultivado; com investimentos industriais que transformem e dêem vigor às produções agrárias e promovam a exportação excedentária, fazendo com que o esforço valha bem a pena.

Se for indispensável, por que não decretar uma “Lei das Sesmarias” (com incentivos a fundo perdido ou não) que, como no tempo de D. Fernando, torne Portugal num jardim colorido e formoso, em que todos possam trabalhar e possam, concomitantemente, viver (vinque-se) sem fome e com dignidade, para se sentirem verdadeiramente felizes.

Nem só de altas tecnologias informáticas se faz o progresso, tenhamos disso consciência!...

Isto não é – creio – utopia de velho caturra, é uma contestação real dos tempos negros que correm e que urge modificar para bem de Portugal e do Mundo, haja para tal inteligência e coragem! O resto virá por acréscimo!...