terça-feira, maio 20, 2008

Ainda fanatismo/fundamentalismo

Dizia eu, na semana passada, que o fanatismo/fundamentalismo, não era coisa boa, pois é, de certa forma, uma atitude que revela enorme falta de senso já que, na maioria dos casos, se traduz na incapacidade de pensamento, assentando em ideias feitas que mais não são do que dogmas fabricados por mentes que pretendem, simplesmente, impor os seus princípios sem qualquer tipo de estudo e/ou discussão.

A esse propósito ocorreu-me o puritanismo de certos indivíduos (bastantes, até com elevados conhecimentos académicos) que se opõem à transgenização de alguns produtos, dizendo que daí podem resultar malefícios para a humanidade.

Concordo, como ecologista que julgo ser, que, de facto, algumas dessas manipulações genéticas poderão ser perniciosas, mas não corroboro que todas sejam um malefício para a Natureza e para o Homem.

A transgenia existe desde sempre. Umas vezes feita por intervenção do ser humano, outras por efeito de elementos da própria Terra. Não queiramos ser “mais papistas” que o Papa”!

Se analisarmos, atenta e desapaixonadamente, verificamos que nos deliciamos com muitos produtos transgénicos sem sequer nos darmos conta de que o são e sem nos afligirmos com o preconceito de que podem ser maléficos para a nossa saúde, porque, na realidade, não são.

Vejamos, por exemplo, o caso das célebres e saborosíssimas maças de “Bravo de Esmolfe”; as “Nectarinas”; as “Clementinas”; e tantos, tantos outros produtos que, por acção do vento, dos insectos e da inteligência do homem cruzaram géneses dando azo a uma nova estrutura genética, E isto aplica-se ao vinho que, por causa da epidemia de filoxera, obrigou os vinicultores a procederem a enxertos, tornando essas videiras, graças à nova textura genética, mais resistentes. O mesmo se pode afirmar – lembro-me muito bem – de meu avô materno que, para ter cerejas em Setembro, enxertava garfos de cerejeira em vergônteas de carvalho. E que bem sabiam aquelas cerejas rijinhas e fora de época!...

Sejamos, por tudo isto, ecologistas, sim! Mas fanáticos e fundamentalistas nunca!...

sábado, maio 17, 2008

Contraste

É bem bom amar o amor

E é mau desejar a dor.

É bem bom ser conformista

E é mui mau ser masoquista.

O primeiro quer a paz,

O segundo quer a guerra.

Um o pouco o satisfaz,

O outro corre, pincha e berra.

Contradição neste Mundo

È coisa que impera e dói,

Porque deixa tudo imundo

E nada, nada constrói.

Não sabemos que fazer

Nem como estar nesta vida.

O melhor é… só viver,

P’ra não perder a corrida.

sexta-feira, maio 16, 2008

Os Jovens precisam de mudanças

Se a vida muda a todo o momento – como, aliás, tenho vindo a dizer com certa frequência – por que não hão-de os políticos e as políticas mudar suas atitudes e técnicas de gerência das sociedades que representam (ou deviam representar)?

Talvez, esteja a ser um tanto ignorante ao afirmar que não concordo – de modo nenhum – com o Presidente da República quando diz que os jovens, na sua maioria, não demonstram interesse pela política. E não concordo porque o que se observa não é o desinteresse dos jovens, mas, ao contrário, o que se vê é o apego dos mais velhos (políticos ultrapassados no tempo) aos privilégios alcançados e, por isso, já sem ideias e, o que é bem pior, sem ideais novos para, de forma sublime, alterarem o rumo de catástrofe social para onde, lamentável e visivelmente, caminhamos dia após dia.

A Juventude – è claro e está claro – tem interesse pela actividade política da comunidade em que se insere, mas, é mais que evidente, não pode, nem deve pactuar com o modo “economicismo” desenfreado com que os políticos gerem, actualmente, a “res pública”, colocando o lucro acima dos verdadeiros interesses e necessidades dos cidadãos, atirando-os, irremediavelmente, para o desemprego; para a precariedade no trabalho; para a insegurança no ensino, na saúde, na justiça, nas ruas, levando, com isso, ao empobrecimento económico do indivíduo e criando a bipolarização das classes: os pobres e os muito ricos.

Não! Não é nada disso que os jovens querem e precisam!... O que os move é uma sociedade equitativa em direitos e deveres. Os jovens querem e precisam de Ser e Estar e jamais a desigualdade em que já se vive e que se agravará se não mudarem as políticas e os seus mentores, retrógrados e camonianamente “velhos do Restelo”.

Assim o que é preciso e urgente – muito urgente mesmo – é valorizar a Juventude e possibilitar-lhe novas sendas e novos lugares de cidadania total.

quinta-feira, maio 15, 2008

Voto de Eternidade

(Sonetilho no aniversário de minha esposa)

Fazer anos é viver,

É prosseguir no caminho,

É construir um querer,

É em todos ver carinho.

O tempo, sem dó, escoa

Na ampulheta desta vida

Umas vezes dolorida

Outras – oh, Deus! – muito boa.

Envelhecemos sozinhos,

Mas lançamos as sementes,

Que nos deixam bem contentes

Ávidos de mil carinhos,

Esperando a f’licidade

Duma santa Eternidade!...

!5-05-2008

quarta-feira, maio 14, 2008

Fanatismo (fundamentalismo) pernicioso

O fanatismo – costumo eu dizer – é a bomba que espoleta a intolerância e, em consequência, todos os indesejáveis estados de ódio e violência que desmoronam instituições, famílias e nações, causando, nas vítimas, angústia e dor sem medida.

O(s) fanático(s) vive(m) de mente, olhos e coração fechados e, por isso, incapaz(es) de qualquer acto de bondade e amor.

Ser fanático (ou fundamentalista, como soa dizer-se nos nossos dias) é todo aquele que, por acreditar incondicionalmente numa qualquer teoria, fica impossibilitado de aceitar a diversidade de pensamento (religioso, político ou simplesmente moral) do seu semelhante. O fanático é um criador (e também cultor) de dogmas. E isto torna-o intransigente, duro nas suas convicções, as quais quer impor, por todos os meios, aos outros, nem que, para tal, haja que recorrer a atitudes de extrema violência. Porque o fanático julga-se, obviamente, dono e senhor da verdade e, por isso, não admite mudar suas ideias (ou seus ideais) e deixa de ser humano, transforma-se num “monstro” insensível ao infortúnio dos que o rodeiam.

Ponderando isto, ocorre-me, com toda a propriedade, lembrar os 48 anos de ditadura militar (digo: salazarista) vividos pelos portugueses no século passado e; por comparação (triste e lamentável comparação), agora com o que está a passar-se na longínqua Birmânia, em que um grupo de fanáticos ditadores castrenses se mostram (autênticos monstros) insensíveis ao imenso drama de um povo a viver no corpo e na alma um sofrimento que nos impressiona e nos revolta.

Por quê, ó Deus? Por que há homens assim?...