segunda-feira, maio 12, 2008

A Juventude e o nosso tempo

O problema actual dos jovens, ao que me apercebo, e que os leva a não casarem cedo, como há uns anos, é, para além da inexistência ou a precariedade de emprego, a questão (crucial) da habitação que, quer para aluguer, quer para compra, está pelos “olhos da cara”, tendo em conta não só o preço dos imóveis como ainda os juros e a dificuldade na obtenção dos empréstimos.

Bem sei que sempre houve especulação, tanto no lado dos empreiteiros, como da banca. Mas, parece-me, que, neste momento, as coisas estão a tomar proporções de verdadeira catástrofe social.

Daí que haja tanta juventude ainda a viver em casa e à custa dos pais, na angustiada busca de um rumo, num tempo cruel em que todas as portas se fecham e em que, de novo, como nos anos da “guerra fria”, os russos e os americanos parecem voltar a não se entenderem e, bem pior, retornam as demonstrações de força na Praça Vermelha o que, não sendo nada (por ora), não deixa de preocupar.

Estes dados sociais que nos preocupam e afligem levam, naturalmente, a que surjam perguntas: Para onde vamos? Como resolver tais problemas? A quem recorrer?

Eu não sei. Mas vou alertando e gritando estas preocupações, pois – como diz o povo – «água mole em pedra dura tanto bate até que fura!...»

sexta-feira, maio 09, 2008

De novo bacoquice arquitectónica

Cá por mim não me preocupam os palácios e palacetes ou solares que, por incúria e incapacidade económica dos seus proprietários já desapareceram – muitos deles não passavam de enormes casarões de estilo indefinido, quando não de muitíssimo mau gosto, o passado acabou, não há que partir o pescoço a olhar para trás –, o que move a minha dor é ver fazer restauros sem prestar atenção ao estilo, à estrutura e aos materiais de origem e ver substituídos, descuidadamente, materiais por outros que são verdadeiras aberrações ou melhor: autênticos atentados ao bom gosto e à realidade histórica desses edifícios.

Isso sim! Isso é que é – diga-se sem rebuço – crime para ser punido com pesada pena ou coima. Mas, infelizmente, não cabem culpas só aos proprietários (de modo geral novos-ricos) e, também, a ignorantes empreiteiros e a arquitectos ávidos de ganhuça ou de quaisquer outros objectivos que desconheço.

No meio disto tudo, resta perguntar: a quem recorrer para se evitarem tais dislates?

quinta-feira, maio 08, 2008

Sobre bacoquice e arquitectura

A minha leitora habitual Pandora escreveu em comentário ao artigo abaixo:
Meu querido amigo, cresci rodeada do belos palacetes e quintas da região de Sintra, e foi com imensa tristesa que ao longo dos anos os vi ser abandonados, degradarem-se, e serem deitados a baixo, por máquinas, para no seu lugar serem construidos "mamarrachos", de prédios altíssimos que albergam várias desenas de pessoas. Eu vivia numa zona nobre do conselho de Sintra, onde os ricos iam passar férias, mas depois tornou-se num dormitório terrivel, onde já nem reconheço as ruas da minha meninice.
Depois mudei-me para cá e apaixonei-me por estas belas casas senhoriais, que existem por todo o lado, e enchem de magia as mentes mais férteis.
É com pena que as vejo, mais uma vez degradarem-se e ficarem á mercê da erosão e do vandalismo. Outras são reconstruídas, com algum gosto, mas a maioria fica apenas com a fachada, para construirem por traz um edificio completamente diferente do original, a ser vendido a preços estapafurdios para o comum dos mortais. Está a acontecer no centro da nossa cidade á vista de todos.
Sim, acho que estamos mesmo na Républica das Bananas, porque por este andar, o nosso património será levado pelo vento e as memórias, essas, acabam quando nós acabarmos um dia.
Lamento a sua perda.

quarta-feira, maio 07, 2008

Bacoquice arquitectónica

Ontem fui ao funeral de minha tia e madrinha, senhora de 90 anos, e, em conversa com um dos meus primos, sobre restauros de velhos solares, como aquele em que vivia a defunta, que era o do Visconde de Ferrocinto, chegamos à conclusão de que para além de custar os olhos da cara, muitas vezes, essas obras eram executadas sem qualquer cuidado, nem critério de preservar a técnica e a vetustez de tal património.

E referiram-se exemplos de edifícios que endinheirados e bacocos “novos-ricos” adquiriram à falida aristocracia deste país, os quais se tornaram, por via disso, autênticos e lamentáveis atentados à Arte, à História e à Tradição cultural da nossa arquitectura.

E as perguntas surgiram-me, naturais e fluentes como um rio: Como evitar tais dislates? A quem cabe fiscalizar e evitar esse estado de coisas? O que andam a pensar e a fazer os Municípios que aprovam esses projectos? Será que estamos na “Republica das Bananas” em que cada qual faz o que muito bem lhe aprouver? A ser assim, onde vai parar o legado patrimonial desta nação tão orgulhosa de seu passado?

De bacoquice estamos todos tão fartos! Então por que não gritamos, como eu estou a fazer, e gritar de todos os modos ao nosso alcance para que não se perca, estupidamente, mais da nossa riqueza arquitectónica?!...

segunda-feira, maio 05, 2008

O Gosto pela Leitura

Pergunta-se quase sempre, quando se entrevista uma personalidade qualquer, quais terão sido os “livros da sua vida”. Como se isso, por si só, fosse (ou seja) bastante para definir o carácter ou a maneira de ser e de estar de uma indivíduo.

Por exemplo, os livros da minha vida foram todos aqueles que, na minha adolescência, eu li, embora tenham sido imensos, desde os de autoria de Júlio Verne, Emílio Salgari, Emílio Zola (deste refiro, naturalmente o Germinal), Victor Hugo (Os Miseráveis) e, esses sim, ficaram de forma bem vincada na minha memória e no meu espírito. Depois, já homem consciente de mim e dos meus objectivos, surgiram “O Principezinho” de Antoine de Saint Ezupérie; “A Mãe” de Perl Burck (Prémio Nobel); “Les Choans” (lido em francês, pois não havia tradução em português) de Balzac; “O Livro de Saint Michel” de Axel Munthe; e entre os porutugueses “Os Esteios” de Soeiro Pereira Gomes; “Avieiros” e “ Fanga” de Alves Redol e muitos outros, cuja lista seria bem extensa.

Mas, o que se deve salientar é que, essas obras – tirando Verne e Salgari – não estão carregadas de aventuras agitadas e rocambolescas, como sucede hoje, com autores que, para deixarem uma qualquer mensagem, o fazem de forma – creio eu –, absolutamente, exagerada, como é o caso de Dan Brown e do português José Rodrigues dos Santos, e de tantos outros. Parece que essa é uma moda para agarrar leitores que, provavelmente, de outra forma, abandonariam a obra ainda antes de terminar o primeiro capítulo.

Para mim, a escrita têm de ter conteúdo, para que a leitura seja um manancial de ponderação, de reflexão e de aprendizagem e não uma cavalgada de histórias pseudo policiais em que as personagens se esfalfam em correrias e artimanhas para escaparem à polícia, às máfias ou sei lá quê.

Se só há gosto pela leitura através de tais estratagemas, então – digo eu –, mal irá a cultura e a literatura por esse mundo além, quer no presente, quer no futuro, pois os valores primordiais do Ser Humano, foram-se na voragem economicista do aqui e agora.

É pena que assim seja!...