sexta-feira, maio 02, 2008

Clareza e franqueza

A bloguista e Amiga Pandora, comentando a minha anterior mensagem, disse: «Está cheio de razão ao dizer que certos blogues não têm nada, a não ser trivialidades, alguns inclusive são bastante maus, mas eles sentem-se felizes assim...
Por outro lado o seu é um dos que mais gosto de visitar, pois escreve de forma clara e franca.
»

A clareza e franqueza a que faz referência mais não são do que o resultado de uma vida de luta, sacrifícios (muitas privações e provações de toda a ordem), dor, angústia e, bastantes vezes, também medo do dia seguinte. Isto, não parece, mas caldeia e tempera o aço da nossa existência. «Não nascer em berço de oiro» – como soa dizer-se – deixa em nós marcas que têm, forçosamente, de mostrar humildade e fortaleza de carácter, no modo sincero como enfrentamos a vida e, de certa forma, como nos expressamos e como analisamos as coisas de momento a momento.

Porém, sempre direi, não bonda ser claro e franco para sermos entendidos e para que a nossa mensagem tenha o efeito desejado, ou seja: alertar as consciências para os reais valores da vida e do mundo. São precisos mais dois ingredientes fundamentais: o conhecimento e a força de expressão. O conhecimento obtêm-se pelo estudo e pela observação de quanto nos rodeia. A força na forma como desenvolvemos os nossos pensamentos, pondo-os em palavras, é fruto – digo eu, por experiência própria – dos “pontapés no rabo” que vamos levando ao longo deste agreste calcorrear pela Terra em busca da sobrevivência e na sua conquista passo-a-passo.

Por isso afirmo, bastas vezes, que é preciso mantermo-nos em permanente aquisição de conhecimentos, estudando e olhando atentamente à nossa volta, sempre prontos a agir com atitudes e/ou lançando o nosso grito de apoio ou, consoante o caso, de revoltada indignação e/ou, ainda, quando tal é a melhor solução, guardar silêncio, para “não se deitarem pérolas aos porcos e não se darem nozes a quem não tem dentes para as roer” – como muito bem diz o povo em seus aforismos.

Não sei se será necessário dizer mais alguma coisa sobre o tema, mas acho bem que não e, por isso, por aqui me fico.

quarta-feira, abril 30, 2008

É preciso, é urgente mudar

Embora seja muitíssimo raro (não tenho paciência para tal), ontem deu-me para andar na Internet a saltitar de blogue em blogue, qual borboleta num jardim florido, em busca nem eu sei de quê.

E quedei-me admirado, não com o conteúdo dos textos (bastante bem pobres uns, triviais alguns e óptimos muitos deles), mas com a beleza estética apresentada. Um mau prato de comida apresentado de forma atraente faz com que o comensal o ache produzido pela mão de grande mestre cozinheiro.

É claro que, confesso, senti alguma inveja de tanta beleza, pois eu – digo-o sem rebuço, nem complexo – em matéria de informática não passo de um ignorante ou de um mero aprendiz de feiticeiro que, entretanto, nunca virá a ser mestre no ofício.

Todavia, não me sinto inferiorizado por isso, pois me movem outros valores e capacidades que me enchem a alma e alegram o coração.

«Cada qual é para o que nasce» diz um aforismo português, ainda que não possa, de modo nenhum, concordar com ele, já que é dever de cada pessoa tudo fazer em prol da sua valorização profissional, cultural, artística, moral, numa palavra: humana. Se assim não fosse (pela minha deficiência, inibidora de muita coisa) eu nada seria nos dias que correm… Mas não! E sinto orgulho e (por que não dizê-lo, sem falsa humildade?) vaidade no que faço e nas lutas que travo, hora a hora, para ser, mental e individualmente, o que sou e como o sou.

O que quero dizer é: que é importante reconhecer os nossos pontos fracos e, sem preconceito ou complexo, ir avante na senda do presente para se atingir o futuro, construindo-o melhor pedra a pedra, na esperança de que o planeta em que (ainda) vivemos, possa regenerar de todos os erros que, contra ele, temos cometido e, lamentável e estupidamente, apesar dos avisos (alterações climáticas, extinção de espécies, etc.), continuamos a cometer.

É preciso, é urgente modificarmo-nos enriquecendo o cofre do nosso conhecimento mantendo-o, entretanto, sempre aberto para que os outros tirem, também, proveito dessa imensa riqueza.

segunda-feira, abril 28, 2008

Esperança para viver feliz

As coisas mudam em cada dia e nós – já o disse de outras vezes –, à medida que amadurecemos, vemos tudo de forma diferente do dia anterior, mas (falo por mim), embora saiba que nem tudo vai bem, ainda me resta um tudo nada de esperança, para acreditar que há-de chegar um tempo mais radioso do que o presente que vivemos, perpetuamente, em angústia e na incógnita da hora seguinte.

O povo diz que “a fé é que nos salva!” Não tenho a certeza da verdade de tal aforismo, contudo, num optimismo quase infantil, vou usando e abusando dessa teoria, pondo-a, de certa forma em prática. Neste ponto sou um tanto como os políticos que mesmo sabendo que vão perder eleições teimam em dizer que elas estão ganhas e que, por isso, farão isto e mais aquilo, enganando os papalvos que os apoiam e sentindo-se felizes.

Cá por mim, sigo em frente na esperança de dias melhores, mesmo sabendo, por estudo e por convicção humano/filosófica/esotérica, que tal só sucederá no tempo dos meus netos, pois, pela lógica da Natureza, já cá não estarei quando a “besta for amarrada por mil anos e houver, finalmente, um Novo Céu e uma Nova Terra.”

Por isso, enquanto por cá andar, vou pretender agarrar o Sol e a Lua com a força da minha inteligência e com o poder do meu corpo dolorido pelo frio de muitos Invernos de mau passadio e luta pela sobrevivência e vou, acreditem, sentir-me feliz, porque humildemente humano, respeitado e invejado (sem motivo) por muita gente.

E viva a Vida, mesmo que amanhã não haja sol e tudo esteja diferente!...

sexta-feira, abril 25, 2008

Lutas indignas de homens

Por que será que os homens são tão sequiosos de protagonismo e… (por que não dizer?) poder? É que – diga-se – quando surge ocasião, são “cem cães a um único osso”!...

Para mim, cidadão comum, estas corridas à liderança, carregadas de ambição e de recônditos objectivos, causam-me nojo e, de certo modo, vergonha por o ser humano descer, tantas vezes, a baixezas indignas da sua qualidade de animal superior.

Mas quem sou eu para julgar alguém?!...

Posso não ser nada nem ninguém, contudo sou um homem que vive e luta, com entusiasmo, pelos meus direitos e pelos dos que me rodeiam. Por isso, tenho direito a manifestar o que me vai na alma e no coração. E o que vejo, não só em Portugal, é horrivelmente confrangedor e doloroso.

Para se obter um “tacho” ou uma posição mais ensolarada, rebaixa-se o ou os adversário(s), espezinha-se a dignidade do oponente e sei lá que mais…

Fico triste diante deste panorama de homens guerreando verbalmente o seu semelhante por causa de um “lugar ao sol”, onde possam dar mais nas vistas e “ser alguém”.

Que fazer, neste caso? Será que mudamos o outro?

Creio bem que não. Mas, ao menos, grito a minha indignação e, se calhar, a minha loucura de querer que tudo e todos sejam perfeitos e que irradiem amor e paz na conturbação da vida e do mundo que passa por nós bem torto e distorcido na imagem que imprime na nossa retina.

Sinto-me impotente neste caso e… portanto, vou adiante!...

quarta-feira, abril 23, 2008

As mulheres e a desigualdade

Ana Ramon comentou sobre a “Caixa de Pandora; aqui publicada; que «segundo reza o mito, só a esperança ficou retida no cofre que Pandora apressadamente fechou, ao ver que tinha sido vencida pela curiosidade. – E, em esclarecimento, acrescenta: – «coitadas das deusas e mulheres que volta não volta são acusadas de serem responsáveis por todo o mal que existe no Mundo. :))))»

Embora seja homem tenho de reconhecer toda a razão de que está coberta, esta minha amável leitora. Na realidade, apesar dos avanços que a ciência e a filosofia têm tido, ainda, infelizmente, existe quem atribua às mulheres o mal de tudo, pois as considera sem direitos e sem inteligência para grandes rasgos e realizações: eternas submissas ao machismo mórbido de uns tantos loucos e ignorantes.

Essa amarga e injusta teoria deve-se, infelizmente, às religiões que reservam e exigem à mulher um papel de subalternidade deveras acabrunhante.

E – refira-se – não são só, lamentavelmente, as religiões da mais remota antiguidade que o fazem nos seus livros doutrinários. A Bíblia no Antigo e no Novo Testamento, deixam o sexo feminino numa posição muito pouco cómoda, pois as empurram para a obediência cega ao macho dominante no agregado familiar. Outro tanto sucede com o Corão e com bastantes outros escritos de carácter religioso.

A própria Igreja Católica Romana coarcta às mulheres o direito a exercerem o sacerdócio. Vá, lá que num passado não muito longínquo era vedado às mulheres, durante a liturgia, cruzarem (sequer) o arco mais próximo do altar, a não ser para casarem ou serem baptizadas e comungarem. A separação dos lugares (homens e mulheres) só há poucos anos deixou de existir nos templos, por isso nalguns deles é visível a grade separadora.

É triste e dói ver as nossas almas gémeas assim apoucadas!

Mas dói muitíssimo mais ver que, neste início de século XXI, apesar das mudanças, existem situações nada favoráveis às mulheres de todo o Mundo, não havendo a tão apregoada igualdade entre os direitos dos seres humanos (machos ou fêmeas).

É preciso abrir pulmões e gritar, gritar até que a voz nos doa, para que a desigualdade acabe e todos sejam iguais em direitos, mas também em deveres.

Muito mais haveria para dizer sobre tão palpáveis verdades, todavia, prefiro deixar isso à inteligência de quem me lê!...