sábado, abril 19, 2008

Divagar

«Aqui por casa o lema é: Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti. – Comentou uma minha leitora amiga, a propósito do artigo “Tortura nos nossos dias” e acrescentou – Espero deste modo conseguir que as minhas filhas cresçam com mais ou menos consciência de que somos todos iguais e também temos, assim, direitos iguais.»

Creio-o, este pensamento é o de todos os pais e educadores conscientes do seu dever de darem exemplos e regras de vida, dos quais resultem jovens capazes de construir uma sociedade e um mundo menos conturbado (perturbado) do que este em que vivemos.

Se as coisas não são e não estão boas não há que alijar culpas, pois, de um modo ou de outro, todos nós somos culpados, uma vez que todos nós nos julgamos apenas com direitos e esquecemos os nossos deveres e manifestas obrigações.

E esta verdade é tão evidente que, quando algo corre de forma a afectar a nossa integridade física ou moral, logo desatamos em queixas e culpabilizações sobre quem, a mais das vezes, nada tem a ver com o assunto, esquecendo-nos que, afinal, nós é que não andamos bem.

O ser humano, neste campo é um fracasso! Assumir responsabilidades nos falhanços é o acto mais difícil de cumprir! Todos nos julgamos infalíveis, como Deuses em altares de barro! E depois, depois é o caos!...

… Meia palavra basta ou não?!...

quinta-feira, abril 17, 2008

Caixa de Pandora

Muito antes de eu ter sido comentado (neste blogue) por alguém que se assina de Pandora, eu escrevi, como se vê pela data aposta em baixo, o poema que, hoje, lhe dedico com toda a amizade e consideração.

«Abra-se o cofre, / saltem cobras e lagartos; / soltem-se êxitos e fracassos; / libertem-se deuses e demónios; / apareça o sonho e a realidade; / venha a coragem e o medo!

Saia tudo, / (mesmo tudo!) / o que existe / e persiste / e, ainda, é / e faz do indivíduo / tal qual ele é.

Saia a miséria e a opulência; / a castidade e a luxúria; / o riso e o choro; / o prazer e a dor; / o ser e o zero; / o tudo e o nada, / porque isso / é… o Homem!!!

Eu, ó Deus, / também sou assim!...

2002-11-22»

segunda-feira, abril 14, 2008

Tortura nos nossos dias

Ao falar-se de “Direitos Humanos” sempre nos vem à mente a horrível questão da tortura como se essa fosse a única forma de entender a violação de tais direitos.

E logo nos lembramos da antiguidade em que por essa via se obtinha a obediência de quem queríamos subjugar.

Mas tortura não é só isso!

Somos torturados (até por nós mesmos) sempre que “temos” de executar tarefas que mexem negativamente com a nossa forma de ser e estar. E isso é tão frequente que (a maioria das vezes) quase nem nos damos conta. Por exemplo: uma pessoa que, durante uma refeição de grande etiqueta e protocolo, se vê na obrigação, para não dar nas vistas, de comer algo que não e lá muito de seu agrado, se o faz, está ser de vítima de uma tortura, neste caso, imposta a si próprio. Outro exemplo é quando, por falta de emprego ou condições de vida, nos vemos forçados a sair do lugar que gostamos e onde temos as nossas relações e amizades indo para outro onde nada nos é familiar.

Mas – repito a adversativa –, também é tortura, o termos de obedecer a quem não tem mérito para tal. E aqui está todo o busílis da questão, pois, no dia a dia, nos vemos forçados a deixar-nos subjugar por políticos que, não tendo mérito nem escrúpulos, editam, num grugulejar mórbido da sua incompetência, regas, leis e despachos (e não sei que mais?) que colidem com os nossos valores, morais, sociais, económicos, religiosos e de humano amor a nós e ao nosso próximo.

Tortura é a perda da liberdade individual.

Assim sendo, como se hão-de sentir os povos e as nações que se vêem anulados nas suas convicções e direitos de cidadania?

A resposta não me cabe a mim e sim, a cada de nós, consoante os nossos conceitos e – é muito importante – sem espezinharmos os nossos deveres de seres inteligentes e capazes de nos assumirmos como verdadeiros Homens.

sábado, abril 12, 2008

Realidade e Optimismo

Há eminências de certos acontecimentos que estupidamente descuidamos – para não dizer, com toda a propriedade, negligenciamos – certos de que as coisas só acontecem aos outros ou só noutros países. Depois, quando algo bate à nossa porta: Aqui d’el-rei que estamos desgraçados!

O optimismo é uma virtude, mas tem limites. Não se podem (ou devem) descurar os sinais que as coisas nos mostram, eivados apenas da boa-vontade e da esperança de que tudo vão ser favas contadas. No Mundo nada funciona assim. Existem imponderáveis que alteram as previsões e, até, o normal curso da vida e (todos) temos de estar, minimamente, preparados para os contratempos e as mudanças provocadas ou naturais.

Pelo que se vê, na governação portuguesa, tudo são rosas e tudo corre e correrá sobre rodas, num desacautelado deixa correr que assusta e dói. Claro que também não somos apologistas do negativismo populista de certa oposição que, quando foi (e teve) poder, se mostrou incapaz de ser e de fazer melhor.

Diz o povo que «no meio está a virtude». Por isso, como na culinária, a dose certa (nem de mais, nem de menos) de optimismo e de precaução é que será o ideal, para que o país e a vida se tornem melhores e mais suportáveis.

A inteligência é, em todos os casos, a mais adequada das medidas a tomar para se evoluir e acabar com as assimetrias que nos acabrunham e deixam exaustos para as políticas e para a ganância dos políticos.

Como, irónica e sarcasticamente, dirá um cego, «vamos a ver» como decorrerão a coisas!?.. É que (parece) já estamos em período pré eleitoral!...

sexta-feira, abril 11, 2008

Guerra Fria...

A propósito do texto anterior, Carlos Martins disse:

"Guerra Quente", perfeito este termo.
E em meio a essa quentura toda, e a frieza de antigamente, indubitávelmente há algo em comum, a hipocrisia das pessoas.
Excelente texto, excelente blog!

Obrigado Carlos