sexta-feira, abril 11, 2008
Guerra Fria...
"Guerra Quente", perfeito este termo.
E em meio a essa quentura toda, e a frieza de antigamente, indubitávelmente há algo em comum, a hipocrisia das pessoas.
Excelente texto, excelente blog!
Obrigado Carlos
quinta-feira, abril 10, 2008
"Guerra Fria" e "Guerra Quente"
Lembro-me perfeitamente de, uns anos após a II Guerra Mundial, termos vivido um longo período de tensão nervosa sob o medo constante e eminente do deflagrar de um conflito nuclear entre a extinta União Soviética e os Estados Unidos da América. A esse estado de dúvida e nervosismo alguém (e bem) apelidou de “Guerra Fria”..
O Mundo transformou-se, como era de esperar, a URSS desapareceu e com ela as políticas então vigentes; criaram-se novas nações; seguiram-se outros modos de ser e estar; surgiram ou ressurgiram pensamentos adormecidos, mas o nervosismo e a tensão, ao contrário do que seria de supor, não se extinguiram.
E… quase como por magia, explodiram, por todo o lado, sentimentos bélicos traduzidos em golpes de estado, guerras civis, guerrilhas, terrorismo e sei lá que mais, já não de forma fria como anteriormente, e sim, de modo aberto e desenfreado de homens e povos desvairados pelo ódio e pela ambição do poder e do ter.
Agora, se repararmos com atenção, estamos a viver uma “Guerra Quente” e bem quente, com milhares de mortos e feridos por todo o Planeta e com milhões de cidadãos com fome e em fuga constante e desesperada. Os Direitos Humanos são espezinhados de forma peremptória e descarada. Os homens roubam e exploram desapiedadamente outros homens e, lamentavelmente, tudo queda vergonhosamente impune. É o caos e a degradação moral e social dos valores primordiais das sociedades e, também, dos governos e dos governantes, num despotismo confrangedor de pôr os cabelos em pé.
Será que tudo isto não é Guerra? Será, pela disseminação planetária destes acontecimentos, que isto ainda não é uma Guerra Mundial?
Para mim, é uma guerra e uma guerra de proporções imprevisíveis, mas, em todo o caso, uma Guerra, uma Grande Guerra que a todos afecta e de cujas consequências, ninguém escapa tome-se disso a devida consciência. Não é, ainda – diga-se –, o Armagedão de que fala o Apocalipse, todavia não tarda muito que o seja efectivamente.
Como travar este, assustador, estado de coisas?
Não sei! Como é óbvio, gostaria de o saber! Sei, entretanto, que não podemos quedar-nos de “braços cruzados” e temos, por isso e para isso, de gritar, esbracejar e… por todos os meios ao alcance de cada um de nós, espalhar a Força e a Energia do Amor, pois só através dele os Homens se salvarão!
segunda-feira, abril 07, 2008
Coisas inconguentes dso Ensino
Fala-se imenso de crise no Ensino e dos problemas do professorado que, na realidade, existem e são deveras preocupantes. Contudo ninguém diz que a maior parte da causa dessa questão está localizada nos “técnicos de gabinete” – desconhecedores da realidade presente no terreno – que, (quase) empiricamente, elaboram planos, portarias e leis perfeitamente desajustadas às circunstâncias de cada momento, de cada escola, de cada aluno e de cada professor.
Papel!... Muitos papéis escritos – de boa fé, não se duvida – com coisas que (aparentemente) são bonitas e querem (numa primeira análise) ser funcionais e úteis. É verdade que sim! Mas que afinal, infeliz e desgraçadamente, na prática, não resultam porque não têm como ser aplicadas, ou ainda porque não especificam de que forma obter o indispensável proveito.
Vive-se num Ensino afogado em burocracia mal elaborada porque um tanto surrealista de gente que quer “mostrar serviço”, mas que não sabe o que pensa e muito menos o que escreve.
O mundo é heterogéneo e não uniforme. As diferenças existem e são tão palpáveis e evidentes que só os tolos se não apercebem delas. As escolas, os professores, os alunos e as comunidades têm necessidades totalmente diversas umas das outras. Estou a referir-me, concretamente, ao chamado Ensino Especial.
Integrar. Sim, é preciso! Mas, atenção, não tudo, nem todos! Há quem não tenha capacidade para tal integração por razões demasiado óbvias que não vale a pena enumerá-las.
Podem dizer que há os professores e os técnicos de apoio… pois sim, porém, daqui a algum tempo verão que não é bastante e que – na minha modéstia e do alto da minha cátedra de pessoa com deficiência, com quase 60 anos na luta pela causa da valorização desses cidadãos – a razão está (queiram ou não) do meu lado.
E, por hoje, fico por aqui.
sexta-feira, abril 04, 2008
Hipocrísia
Disse o Dr. Mário Soares, há dias na TV, que «as ditaduras são todas muito hipócritas na sua propaganda,» uma vez que dão uma imagem (de bem-estar e felicidade) que, afinal, não existe. Ao que eu pergunto, levado pelo que vejo e me dói: serão só os regimes ditatoriais a fazê-lo? Não há políticos e governantes de regimes democráticos a usar a mesma técnica?
Não vale a pena responder a estas questões, por demais evidentes que elas são. Se, até na vida privada, existem pessoas que, vivendo em terríveis condições económicas, alardeiam, por palavras e atitudes, uma opulência a que não têm acesso, por que não hão-de os políticos e os governantes pavonear realidades fictícias, como modo de somarem votos em tempo de eleições?
Depois, também se põe a asserção de que «quem mostra sua pobreza ou fragilidades, perde os amigos.» Esta última frase é tão verdadeira que modifica comportamentos. E, então, surge a falsidade ou hipocrisia a que o antigo Presidente da República fez referência. Mas, note-se, não é por maldade que alguém o faz, é, evidentemente, por razões palpáveis de sobrevivência.
Por que a vida é difícil e a exigir grandes sacrifícios, há que, mesmo artificialmente, mostrar um status que, sendo mentira, abre oportunidades para se chegar a outros portos. Vive-se, hoje, muito da aparência e do faz de conta, porque, se assim não for, é-se, implacavelmente, marginalizado em (quase) todas as actividades humanas.
Que mundo este, ó Deus, que mundo!...
quarta-feira, abril 02, 2008
Ainda a Arte e os Artistas
Na Grécia Antiga (há 2000 a 2500 anos), era motivo de disputa e de muito orgulho as famílias abastadas darem guarida aos poetas, quando em itenerância. O mesmo sucedia, na Europa da Idade Média, com os Trovadores que se deslocavam de região para região como forma de subsistência.
Entretanto, tal já não acontecia no Século XVI, pois conta-nos a História que o Grande Camões, teve de sobreviver das esmolas angariadas pelo seu fiel criado Jau, uma vez que a generosidade de El-Rei D. Sebastião fora de apenas quinze mil reis/ano ou seja, nos dias de hoje, uns míseros € 3000/ano, o equivalente ás pensões mínimas concedidas, agora, aos idosos pela Segurança Social.
Diz o também poeta Pe José Maria Toldo que «para se conhecer bem o mundo é preciso ler os poetas.» já que, pela sua sensibilidade, são eles quem melhor entendem as vicissitudes da sua época.
E a pergunta surge com toda a naturalidade: como se podem ler os poetas se (já) não há quem lhes publique os versos? As editoras que o poderiam e deveriam fazer estão sujeitas, pela elevada percentagem de iliteracia existente em Portugal, a não conseguirem vender as suas edições a muito curto prazo e, por isso, a terem prejuízos avultados. Nos tempos que correm tudo depende do lucro que se obtém de forma célere, porque os investimentos de longa duração são caros e, daí, deixarem de ser interessantes.
Estamos numa Era mercantilista em que só interessa o lucro imediato e… o resto são cantigas de poetas loucos, que acabam por morrer à mingua por lhes faltar a máquina do marketing e da publicidade agressivamente furiosa que – como dizia no meu anterior artigo –, muitas vezes, não premeia os melhores, mas tão somente aqueles que tiveram cunhas e alguma sorte ou, o que é bem pior, os “pimba” que ludibriam os ignorantes.
Não vale a pena dizer mais nada! O que disse, está dito!...

