sábado, março 22, 2008

Inteligência e Vontade

Um dia alguém me disse que «tudo o que eu quisesse, tudo conseguiria, pois era inteligente e isso bastava.».

Que ideia triste e falsa!...

É que – sei-o agora – não basta ter uma mente bem estruturada, capaz de raciocínios elaborados e bem definidos, é preciso – é fundamental – ter (também e sobretudo) uma estrelinha a luzir no nosso céu.

Há gente burra, por isso incapaz de conjugar pensamentos um pouco mais complicados, mas que, com toda a sorte deste mundo, consegue aquilo que os outros (os inteligentes), por mais que se esforcem, nunca atingirão.

Será uma incongruência da vida e da sociedade?

Admito, sem convicção, que sim! Todavia não deixo de afirmar que tal situação humano/filosófica, não deixa de ser uma realidade tão palpável que acaba por se tornar confrangedora e dolorosa.

Sem querer ser guru a aventar hipóteses incontestáveis e incontestadas (sempre fui contra os dogmas), direi, simples e sinceramente, que o problema existe, porque não temos em nós uma vontade férrea, capaz de virar o mundo do avesso e, assim, atingir aquilo que congeminamos em nosso “dotado” intelecto e titubeamos nos momentos cruciais das nossas “grandes” realizações.

Já o disse aqui: o importante não é ser inteligente, é ser esperto, não pôr nunca questões humanistas à frente de nós, e, desse modo, destituídos de escrúpulos, ir avante, apenas sob o impulso da vontade.

Não! Não sei e não quero ser assim!

sexta-feira, março 21, 2008

No dia da Poesia - "Dúvida Existencialista"

Eu já não sei o que sou,

nem sequer p’ra onde vou,

porém sei o que não sou

e sei p’ra onde não vou.

O que sou a ninguém cabe,

p’ra onde vou é mistério.

Tudo o resto Deus o sabe

e há que encará-lo a sério.

Se existir é fantasia

do tempo inexistente,

o Destino é uma via

que me deixa descontente.

Se é que “Cronos” não existe

– como dizem pensadores –

por que é que a tudo resiste

e me fere com mil dores?

quinta-feira, março 20, 2008

Amizade e Solidão

Num poema, o Professor Doutor Agostinho da Silva diz: «Cada vez gosto mais de menos gente.» Isto parece, na realidade, ilógico e um tanto egoísta.

Não! Bem pelo contrário! Quer simplesmente dizer que, há medida que vamos envelhecendo (ou amadurecendo), vamo-nos apercebendo que nem todos quantos nos rodearam nos querem (ou quiseram) com o mesmo amor que lhes demos.

Afinal, «nem tudo que luz (ou luziu) é ouro!...»

Nos tempos áureos da nossa vitalidade social, profissional, económica e humana os “amigos” são como moscas à volta do mel, em chusma bajuladora e servil. Depois… depois abandonam o barco como ratos anunciando naufrágio.

«Amigos cento e dez ou talvez mais, eu tive» – disse, num soneto, Camilo Castelo Branco –, mas quando cegou, só um restou e o escritor termina dizendo com certa mágoa, mas muita compreensão: «mas que cento e nove marotos!...»

No fundo, ressalta muitíssimo bem toda a mentira que, a mais das vezes, gira em torno daquele sentimento que devia ser sagrado e dá pelo nome de amizade.

Mas não! Os homens – digo; homenzinhos – amam quando precisam e recebem algum provento dessa “amizade”.

Por isso, parafraseando: cada vez mais amo menos gente!

Sim! O Verdadeiro amor fica restringido a menos pessoas: umas por a vida as ter levado para outras paragens, outras por a morte as ter tomado em seus braços, outras ainda por não terem sido sólidas em seu bem-querer.

Assim sendo, fácil se torna entender a solidão sentida e vivida por milhões de pessoas por esse Mundo fora.

«Que cento e nove marotos!...»

segunda-feira, março 17, 2008

Respeito pelos outros precisa-se

Cada vez me sinto menos capaz de entender, como é que, no início do século XXI, ainda há homens – digo governos, com letra minúscula – que não respeitem os direitos adquiridos por outros ao longo de muitos e muitos anos e, até, gerações.

Imaginem – mal comparadamente – nós portugueses, um povo pequeno com poucos recursos, sermos, agora, invadidos e molestados pelos nossos queridos amigos espanhóis, sob o pretexto de que este território, chamado Portugal, lhes pertence porque eles são maiores em espaço e em número de habitantes e porque, no passado, já fomos um território único que dava pelo nome de Ibéria ou Espanhas.

Qual seria o Lusitano que aceitaria, de bom grado, tão intempestiva intromissão?

Quando, nos séculos XVI e XVII, (reinado dos Filipes) tal sucedeu nós não gostamos mesmo nada e sacudimos essa opressão.

No entanto, tal unificação poderia ser viável, através de acordos, bem estudados e bem elaborados, em que ficasse, perfeitamente, salvaguardada a nossa identidade cultural, linguística, social, histórica, de liberdade religiosa e de valores essenciais de um povo, orgulhosamente livre e democrático, que “deu novos mundos ao Mundo”. Assim por que não?!... Nós não deixaríamos de sermos nós.

Todavia como está a acontecer com o Tibete, ah! Isso é que Não, de modo nenhum!!!

As Pessoas e os povos são para serem respeitados nos seus direito de identidade e na sua personalidade!...

sexta-feira, março 14, 2008

Economia, para onde nos levas?

Quando era garoto, minha avó materna dizia que o país estava em crise económica e que, por via disso, havia que desenvolver esforços para se economizar o mais possível e, assim, enfrentarmos o futuro, graças a algumas reservas postas no fundo da burra. Queria ela, naturalmente, dizer que é fundamental criar-se um pé-de-meia que assegure uma velhice menos apertada e mais confortável.

Entendo a preocupação de minha avó, mas… aqui é que está o busílis da questão, hoje é praticamente inviável, com salários e pensões de reforma totalmente inadaptados às oscilações altistas da inflação, tentar, sequer, fazer qualquer tipo de economia. E a crise começa aí!

Bem sei que a situação não é só nossa, já que, de modo bem evidente, todo o mundo vive e sente o problema, mas… (lá vem outra vez a adversativa) ao que se vê, ninguém faz nada para modificar este feio quadro.

Quem o podia e devia fazer aumenta, desregradamente, os combustíveis, numa especulação estupidamente tresmalhada, como touro fugido dos curros, correndo louco e sem direcção definida. Entretanto, o pânico criado vai enchendo os cofres de quem é, já, escandalosa e vergonhosamente, rico, enquanto a plebe continua a empobrecer e a cair numa miséria confrangedora.

É um mundo de injustiça social e de discriminação financeira o que se vive angustiosamente no início deste Século XXI!

Que fazem os governantes e os políticos de todo o Mundo? Como sanar, de uma vez por todas, este cruel estado de coisas? Será que já nada vale a pena e só resta esperar a destruição e a morte para a seguir, do caos, ser construído um Mundo novo?

Não sei! Todavia, não deixo de erguer a minha fraca voz, pois pode ser que alguém, com poder e com vontade, ouça e lute pela alteração deste triste estado de coisas. É da utopia que surgem as grandes realizações capazes de voltar as páginas à História!...