segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Variações sobre a História

As coisas da História deixam sempre grandes espaços abertos para a conjectura ou seja, para a interpretação dos factos, mediante o pensamento e o conceito de quem se debruça sobre o assunto, surgindo daí, como na música, variações sobre um mesmo tema.

No presente, parece estar na moda falar (digo, especular) acerca da origem de Cristóvão Colombo. E são tantas e tais as versões que seria fastidioso debruçarmo-nos sobre elas.

Manuel de Oliveira, no seu último filme, aventa a hipótese (um tanto romântica) de o Navegador ser natural de Cuba, no Alentejo e, por essa razão, ter dado esse nome à terra que (julgou ele) descobriu, o que não será verdade já que os portugueses tinham conhecimento de um continente que obstruía o caminho náutico entre o Oceano Atlântico e o Pacífico.

Nós queremos – talvez por uma questão de orgulho ou vaidade nacional – provar ao mundo que Colombo era um português de gema.

A este propósito, ocorre-me dizer que meu pai contava – porque foi seu aluno – que o Dr. José de Oliveira Boléu ensinava que Cristóvão Colombo era filho de uma tal Infanta D. Maria e de um pajem da corte, motivo porque, para salvaguardar a família real do que, na altura, era tido como um escândalo terrível, com poucas horas de vida, foi entregue a uma ama e levado para Génova, onde viveu alguns anos.

Onde está, então, a verdade histórica? Quem tem razão? Acaso já se encontraram as provas de cada uma das variações desta sinfonia de insondável mistério?

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

«Levar a carta a Garcia»

Recebi, ontem, uma carta de pessoa amiga que se encontra no Canadá e fiquei surpreso com o tempo que os correios internacionais levaram a transportar uma missiva de um país para outro.

A carta em causa, desde que foi posta no marco do correio até chegar a minha casa, levou dez (10) dias. Ora num tempo em que há aviões (quase) a toda a hora do Canadá para Lisboa, não se entende tamanha demora.

Ao menos, valha-nos isso, a mensagem chegou ao destino, mormente a delonga no transporte daqueles vinte gramas de papel, recheado de emoções e sentimentos de amizade e muita saudade!...

Agora compreendo bem a célebre frase «levar a carta a Garcia.»

Se a epistola que recebi ontem, com endereço correcto aposto no frontispício do envelope e transportado por via aérea, lavou dez dias a chegar, muitíssimo maior feito (perdoe-se-me a redundância gramatical) foi, na verdade, o carteiro militar, no meio de uma guerra, com as tropas em permanente movimento estratégico, entregar uma carta, sem endereço, transportada a cavalo, ao General Garcia que ninguém, pela conjuntura do momento, sabia onde estava.

As tecnologias avançam, mas não sucede o mesmo com os meios que exigem procedimentos à moda antiga. Será falha humana ou será erro motivado pelas contingências do nosso tempo?...

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Já não haverá Grandes Homens?

O Consumismo do tempo presente, cria dias de/e para tudo. Amanhã, 14 de Fevereiro – festividade religiosa dedicada a S. Valentim –, é Dia dos Namorados e, daí, surge a oportunidade para os comerciantes de meterem na caixa registadora mais alguns patacos, gastos pelos clientes, na compra de prendas a oferecer ás suas ou seus “mais que tudo”.

Por nós, não vamos nessa e preferimos recordar nesse dia o aniversário de um grande Homem de Deus – Liberal de quatro costados, que, por isso, esteve na eminência de ser fuzilado –, que foi Bispo de Viseu, sendo ilustre frade franciscano.

Dizia ele, nos seus sermões e escritos: «Na minha Diocese quero padres que amem o próximo no amor de Deus, não quero jesuítas que explorem o próximo em nome de Deus.»

Este homem que, de escopeta ao ombro lutou pela causa do liberalismo em Portugal, amava o seu rebanho e dava tudo pelo seu bem, especialmente dos pobres, de tal forma que, quando morreu, apenas tinha de seu o hábito que lhe cobria o corpo.

Na estátua que, em Viseu, o lembra está inscrita uma frase sua que reza assim: «A religião deve ser como o sal na comida, nem demais, nem de menos, só o preciso.»

Daqui se infere que D. António Alves Martins; não alinhava em fanatismos doentios de beatas de sacristia, nem – como ora se diz – em fundamentalismos que a nada levam, senão à dor, à morte, ao medo e ao desespero dos que de tal acabam por ser vítimas.

E foi, obviamente, esse seu lúcido pluralismo de pensamento que o levou, contra tudo e contra todos, a contestar, veementemente, a “infalibilidade papal”, no decurso do pontificado de Pio IX.

Infelizmente, já não se fabricam homens destes!...

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

As leis nem sempre são perfeitas

Regra geral é de supor que o legislador quando elabora uma nova lei está de boa fé, pretendendo dar benefício a quem, na realidade, dele carece. Todavia há imponderáveis e situações que transformam essa boa intenção em verdadeiros actos ou estados de injustiça.

É, por exemplo, o caso da lei que regulamenta a atribuição do Suplemento Complementar de Sobrevivência. O Decreto concede-o aos idosos cujos rendimentos sejam inferiores ao ordenado mínimo, mas… (cá vem o erro) se houverem filhos essa regalia desaparece, cabendo a eles o apoio económico aos “velhotes”.

Ora isto é, deveras, injusto: Primeiro porque coloca os idosos na dependência dos filhos; segundo porque os filhos, a mais das vezes, também não têm méis físicos e económicos para darem apoio aos progenitores, por mais que os amem; terceiro porque a vida, nos dias que correm, é demasiado agressiva e exige, a quem ainda está no activo laboral, uma constante valorização profissional e académica, o que traz custos e não são poucos, daí que os filhos deixem de, por seu turno, ter forma de apoiar quem lhes deu o ser.

Analisando o que atrás se disse e atendendo à boa fé do legislador, será bom que se reveja esta lei e se elimine o citado impedimento à concessão do suplemento em causa, cumprindo a Constituição no tocante à igualdade de direitos dos cidadãos portugueses.

É fácil legislar, comodamente sentado a uma secretária, quando se está de barriga forra!....

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Ganância ou estupidez?...

Por volta de 1945 até finais de 1947 – lembro-me muito bem –, tinha a 2ª Guerra Mundial chegado a seu termo, a míngua de bens alimentares, em Portugal, era tanta que o “velho ditador” de Santa Comba Dão recorreu às senhas de aquisição como forma de racionar os alimentos mais usuais no dia a dia, como por exemplo, o pão.

Apesar de nunca termos sido excedentários na produção de trigo, o Alentejo era, nessa altura e de certo modo, o celeiro nacional. Todavia, e mesmo assim, tínhamos de importar esse e outros cerais de que carecíamos quer para consumo humano, quer para o dos animais domésticos.

Com a crise das produções mundiais do trigo e por causa da concomitante subida dos preços, nada nos espantará que, por este caminho, não tarde a termos de voltar ao tempo do racionamento e das senhas de aquisição.

É – dirão – a recessão económica a causadora desta triste, porque lamentável, situação!...

Pois, ao contrário, eu afirmo que a culpa é dos homens que não se dão (ou não querem dar) conta que o Planeta tem de ser cuidado respeitosamente para que não se altere o clima e afecte (como vem sucedendo) as produções agrárias.

O panorama começa a ser preocupantemente feio e urge que os homens gritem, por todos os meios ao seu alcance, a sua revolta e indignação, afim de que os governantes mundiais despertem, de uma vez por todas, e procurem, exaustivamente, soluções para a recuperação do planeta e do seu clima.

É duro dizer isto; mas, na realidade, os governantes, por ganância e incompetência, dão (salvo raríssima e honrosas excepções) grandes mostras de burrice.

Até quando, ó Gentes, até quando?...