quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Normas de vida

Frei António de Lisboa (ou de Pádua, como pretendem os italianos) – seguindo o pensamento do fundador da Ordem Franciscana em que havia ingressado – assinalava como grandes virtudes a desenvolver pelos homens, a Serenidade, a Coragem e a Sabedoria.

De facto, no mundo, conturbado por conflitos de toda a ordem, em que, desde sempre, o ser humano tem vivido e (felizmente) ainda vai vivendo, aquelas três virtudes (ou formas de agir e estar na vida) são a base essencial e indispensável ao sucesso de cada um de nós.

A Serenidade permite que se enfrentem, pensadamente, os obstáculos atravessados no nosso caminho, sem precipitações emocionalmente perigosas, as quais tolhem a capacidade de discernir o bem do mal; a Coragem leva-nos a que sejamos capazes de realizar os nossos objectivos com sucesso, para nosso bem e de quantos nos rodeiam; e, por último, a Sabedoria é a ferramenta fundamental a ser usada tendo como meta a concretização de todos os nossos sonhos de Paz e Amor fraternal entre os homens.

A mim parece-me, por tudo isto, que o mal dos homens foi (e é) não terem (ao longos dos séculos, se não dos milénios) força suficiente para porem em prática esta forma de vida e daí: os desentendimentos, os conflitos, as mortes e os danos físicos e morais causados a si e aos seus semelhantes.

Há que retrospeccionar pensamentos e atitudes procurando, como se impõe, seguir novos rumos tendo sempre em mente, como linha de orientação, aquelas virtudes ensinadas pelo santo frade que nasceu em Lisboa, mas que exerceu seu ministério em Pádua, na Itália.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Inteligêwncia e esperteza

Há dias, alguém com competência para tal, afirmou: - «Tu dirigistes a Cooperativa de trabalhadores deficientes, que fundaste, com inteligência e sinceridade e perdeste-la e ficaste pobre, se a tivesses dirigido com esperteza ainda a tinhas e estavas rico!»

Parece, de facto, que – ao que ouvimos do Bastonário da Ordem dos advogados – não compensa ser inteligente, mas, sim, ser esperto (ou espertinho), porque só assim se conseguem “grandes” realizações e, concomitantemente, “encher os bolsos”.

Num mundo de corrupção velada, ou mesmo às escancaras, não pode haver (não há) sinceridade, há golpes de rins e curvaturas da cerviz com a mão estendida, em chantagens vergonhosas que deixam marcas profundas nas vítimas inocentes das margens dos lagos, onde os “pescadores de águas turvas” lançam o anzol.

Não! Não quero ser esperto! Quero ser o que sempre fui, para poder passar por todo o lado, de cabeça erguida e muito, muito senhor de mim!

sábado, fevereiro 02, 2008

Por quê tanta crueldade?

Muitos dizem que não há / – neste mundo tão cruel, / onde não cai o maná – / amor, só fel, fel e fel.

De certa forma é assim, ninguém respeita ninguém e, pelo contrário, aproveitam as fraquezas do semelhante para atingirem seus objectivos nefastos, porque demasiado desumanos.

Estou, obvia e concretamente, a referir a utilização de duas mulheres com deficiência mental, num acto de violência, em Bagdad, armando-as com bombas que explodiram matando-as e a mais 72 pessoas e ferindo também um ror de outras, que, normal e inocentemente, faziam as suas compras e vendas no mercado.

Não há moral política e religiosa que possa – cuido eu – justificar e desculpar a utilização de quem não tem capacidade intelectual para definir o que é bem ou é mal e, muito menos, discernir que também será vítima desse acto.

Que moral é esta e que religião é esta tão cruelmente desumana? Será que quem é diferente não merece ser respeitado e amado na sua diferença, seja ela qual for? .Será que este tipo de maldade – na religião dos mentores do acto – tem direito a perdão e se tem – eu não acredito – que Deus é este e que fé é esta?

Porque ainda sou um tanto optimista, creio, plenamente, nas profecias de antanho e espero (já não para mim, mas para os meus netos, se os tiver) um «novo céu e uma nova terra, onde a “besta” ficará amarrada por mil anos!»

quarta-feira, janeiro 30, 2008

A agressividade e o Ensino

A evolução natural das coisas, conduz, muitas vezes, a períodos de muita convulsão social e, até, moral, pois não é fácil entender e aceitar a mudança, sobretudo quando não se têm conhecimentos e/ou abertura adaptativa para tal.

Muitos de nós ficamos bloqueados com o que é novo, quer seja material, quer seja ideológico e entramos, desgraçadamente, em contestação subconsciente ou mesmo efectiva, com actos que, normalmente, nunca nos passaram sequer pela cabeça, nem como realidade, nem como mera fantasia.

O avanço da ciência, nestas últimas décadas, tem sido, para os leigos, verdadeiramente alucinante de tal modo – acho que já disse isto noutra ocasião – que o que ontem era uma certeza incontestada, hoje, com uma nova descoberta, deixou de ser. E esta (óptima) instabilidade leva a que os menos preparados entrem conflito não só consigo mesmos, mas, lamentavelmente, com quem os rodeia.

É esse mal-estar – direi: de certo modo colectivo – que produz toda a agressividade dos nossos dias e, também, ocasiona estados de depressão individual formadores de doenças neurológicas, espirituais e físicas cada vez em maior número e com terapêutica difícil de encontrar e de executar eficazmente.

Por isso, se mata sem motivo, se fere o nosso semelhante na alma e no corpo e se destroem valores e bens que não nos pertencem.

Como solucionar o problema? Na minha modesta maneira de ver, com um Ensino e Educação mais correcto, na forma e na essência, que valorize os docentes de modo a levá-los a um maior empenhamento na sua missão, de preparar os seus discentes para o impacto das mudanças, constantes e céleres, de cada dia.

E isso passa pela renovação dos quadros e pelo incentivo da efectivação e jamais, como sucede hoje, pela precariedade e pela incerteza, permanente, de colocação desses mesmos quadros.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Sonhar é bom e é preciso

Sente-te bem com os sonhos,

Por mais negros e bisonhos

Que sejam, abrem estradas

Que outrora eram ignoradas

E viram o Mundo,

Tão louco e imundo

Em que ‘inda vivemos

E em que morreremos

Na incapacidade

De termos a Paz

P’ra Eternidade

Que nos satisfaz

E nos dá vontade

Para prosseguir

Rumo ao Porvir,

Tão feliz e tão contente

No meio de muita gente

Que a alma será pequena

Para o que mais vale pena!...

Sonhar: é viver de novo,

É ser fruto do renovo

Pelo qual tanto se espera,

Com fé noutra Primavera,

Seguindo sempre p‘rá frente,

Buscando melhor Presente

E construindo um Futuro

De mais Sol e menos ‘scuro!