quarta-feira, janeiro 30, 2008

A agressividade e o Ensino

A evolução natural das coisas, conduz, muitas vezes, a períodos de muita convulsão social e, até, moral, pois não é fácil entender e aceitar a mudança, sobretudo quando não se têm conhecimentos e/ou abertura adaptativa para tal.

Muitos de nós ficamos bloqueados com o que é novo, quer seja material, quer seja ideológico e entramos, desgraçadamente, em contestação subconsciente ou mesmo efectiva, com actos que, normalmente, nunca nos passaram sequer pela cabeça, nem como realidade, nem como mera fantasia.

O avanço da ciência, nestas últimas décadas, tem sido, para os leigos, verdadeiramente alucinante de tal modo – acho que já disse isto noutra ocasião – que o que ontem era uma certeza incontestada, hoje, com uma nova descoberta, deixou de ser. E esta (óptima) instabilidade leva a que os menos preparados entrem conflito não só consigo mesmos, mas, lamentavelmente, com quem os rodeia.

É esse mal-estar – direi: de certo modo colectivo – que produz toda a agressividade dos nossos dias e, também, ocasiona estados de depressão individual formadores de doenças neurológicas, espirituais e físicas cada vez em maior número e com terapêutica difícil de encontrar e de executar eficazmente.

Por isso, se mata sem motivo, se fere o nosso semelhante na alma e no corpo e se destroem valores e bens que não nos pertencem.

Como solucionar o problema? Na minha modesta maneira de ver, com um Ensino e Educação mais correcto, na forma e na essência, que valorize os docentes de modo a levá-los a um maior empenhamento na sua missão, de preparar os seus discentes para o impacto das mudanças, constantes e céleres, de cada dia.

E isso passa pela renovação dos quadros e pelo incentivo da efectivação e jamais, como sucede hoje, pela precariedade e pela incerteza, permanente, de colocação desses mesmos quadros.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Sonhar é bom e é preciso

Sente-te bem com os sonhos,

Por mais negros e bisonhos

Que sejam, abrem estradas

Que outrora eram ignoradas

E viram o Mundo,

Tão louco e imundo

Em que ‘inda vivemos

E em que morreremos

Na incapacidade

De termos a Paz

P’ra Eternidade

Que nos satisfaz

E nos dá vontade

Para prosseguir

Rumo ao Porvir,

Tão feliz e tão contente

No meio de muita gente

Que a alma será pequena

Para o que mais vale pena!...

Sonhar: é viver de novo,

É ser fruto do renovo

Pelo qual tanto se espera,

Com fé noutra Primavera,

Seguindo sempre p‘rá frente,

Buscando melhor Presente

E construindo um Futuro

De mais Sol e menos ‘scuro!

sábado, janeiro 26, 2008

O Sonho

«Eles não sabem que o sonho comanda a vida…» – diz António Gedeão, no célebre poema intitulado “Pedra Filosofal”, musicado e cantado por Manuel Freire, talvez como modo de estimular os seus alunos (o poeta era, na vida profissional, o Professor Rómulo de Carvalho) a terem ideias e a aplicá-las, tornando aquilo que, certamente, parecia ser meros sonhos em realidade palpável e concretizada para o bem próprio e para o da humanidade.

Os sonhos desse poema são ideais (ou ideias) de grande nobreza e de grande utilidade para os homens e, por isso, são ética, filosófica, perfeita e politicamente correctos.

Todavia, apesar desse esforço de estimulação ou motivação positiva, vêem-se hoje muitos seres humanos sem capacidade de sonhar e de ir em frente, na busca de novos projectos que mudem o pensamento e a vida dos intervenientes das acções globalizantes do mundo em que (ainda) habitamos e onde se cometem erros, verdadeiramente, de “bradar ao Céu”.

… São as assimetrias sociais e económicas, cada vez mais notórias, entre os cidadãos; são as guerras e as revoluções gratuitas, porque sem nenhuns objectivos a não ser a ganância e são, abusivamente, os atentados à boa organização da mãe natureza.

Se isto é sonho, eu não quero mais sonhar!... Não quero ter mais ilimitadas projecções de esperança!... Nem quero desenhar mais um Mundo luminoso e belo que, afinal, só eu vejo e desejo!...

Que venha a irmã morte e me tire de tal pesadelo!...

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Perguntas

Será que estar e ser calado é defeito enquanto se realizam coisas?
Será que perdemos o direito à indignação?
Será que voltamos ao " come e cala"?
O que pensa quem vive da política?
Quantos anos vamos passar a regredir e a ficar na cauda dos países em evolução?
Isto é grito de revolta e dor por vermos tudo de mal a pior.
Onde está a esperança em dias melhores?
Calem-se os políticos, olhem para o aumento da pobreza e façam algo de bom!...

quinta-feira, janeiro 24, 2008

... "Onde vai este país?"

«Quando não se gosta, põe-se na borda do prato» – ensinaram-me, quando era menino de tenra idade – porque menino continuo a ser, agora ainda mais, apesar de já ter ultrapassado as setenta Primaveras (ou “Invernos”, não sei).

Só que o rejeitar seja o que for, nem sempre é tão linear, quanto diz o aforismo atrás citado. A mais das vezes, tenho de “engolir sapos” bem difíceis de tragar, mas quem sou eu para me opor? A minha força é totalmente nula para contrapor àquilo que julgo não ser bom para mim ou para o meu semelhante.

O pensamento das pessoas nem sempre é executável no que elas desejam. Há entraves de toda a ordem e, o que é bem pior, (pré) conceitos tão disparatados a vencer que o melhor é engolir em seco, fazer uma careta de desagrado (ou de desagravo a nós mesmos) e prosseguir caminho, na esperança – tantas vezes mórbida – de que amanhã será outro dia, com o Sol a iluminar-nos e a aquecer-nos a alma e o corpo cansados de tanto serem vilipendiados e reprimidos.

Generalizando direi apenas que os políticos, do cimo dos cumes a que acederam e no despotismo do seu poder, deixam de ser gente e passam a máquinas calculadoras, a somarem dinheiro sobre dinheiro, e semáforos informatizados a sinalizarem, friamente, o rumo de quantos lhes estão abaixo. E é-lhes indiferente se daí advém dor e míngua. O importante é que a eles nada falte. O Povo que se esfalfe e desunhe e… empobreça a cada dia, como está, actualmente, a suceder devido á queda do poder de compra da maioria dos cidadãos.

Ai, meu país, meu país, para onde vais com tanto político insensível e ganancioso?!....