segunda-feira, janeiro 28, 2008

Sonhar é bom e é preciso

Sente-te bem com os sonhos,

Por mais negros e bisonhos

Que sejam, abrem estradas

Que outrora eram ignoradas

E viram o Mundo,

Tão louco e imundo

Em que ‘inda vivemos

E em que morreremos

Na incapacidade

De termos a Paz

P’ra Eternidade

Que nos satisfaz

E nos dá vontade

Para prosseguir

Rumo ao Porvir,

Tão feliz e tão contente

No meio de muita gente

Que a alma será pequena

Para o que mais vale pena!...

Sonhar: é viver de novo,

É ser fruto do renovo

Pelo qual tanto se espera,

Com fé noutra Primavera,

Seguindo sempre p‘rá frente,

Buscando melhor Presente

E construindo um Futuro

De mais Sol e menos ‘scuro!

sábado, janeiro 26, 2008

O Sonho

«Eles não sabem que o sonho comanda a vida…» – diz António Gedeão, no célebre poema intitulado “Pedra Filosofal”, musicado e cantado por Manuel Freire, talvez como modo de estimular os seus alunos (o poeta era, na vida profissional, o Professor Rómulo de Carvalho) a terem ideias e a aplicá-las, tornando aquilo que, certamente, parecia ser meros sonhos em realidade palpável e concretizada para o bem próprio e para o da humanidade.

Os sonhos desse poema são ideais (ou ideias) de grande nobreza e de grande utilidade para os homens e, por isso, são ética, filosófica, perfeita e politicamente correctos.

Todavia, apesar desse esforço de estimulação ou motivação positiva, vêem-se hoje muitos seres humanos sem capacidade de sonhar e de ir em frente, na busca de novos projectos que mudem o pensamento e a vida dos intervenientes das acções globalizantes do mundo em que (ainda) habitamos e onde se cometem erros, verdadeiramente, de “bradar ao Céu”.

… São as assimetrias sociais e económicas, cada vez mais notórias, entre os cidadãos; são as guerras e as revoluções gratuitas, porque sem nenhuns objectivos a não ser a ganância e são, abusivamente, os atentados à boa organização da mãe natureza.

Se isto é sonho, eu não quero mais sonhar!... Não quero ter mais ilimitadas projecções de esperança!... Nem quero desenhar mais um Mundo luminoso e belo que, afinal, só eu vejo e desejo!...

Que venha a irmã morte e me tire de tal pesadelo!...

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Perguntas

Será que estar e ser calado é defeito enquanto se realizam coisas?
Será que perdemos o direito à indignação?
Será que voltamos ao " come e cala"?
O que pensa quem vive da política?
Quantos anos vamos passar a regredir e a ficar na cauda dos países em evolução?
Isto é grito de revolta e dor por vermos tudo de mal a pior.
Onde está a esperança em dias melhores?
Calem-se os políticos, olhem para o aumento da pobreza e façam algo de bom!...

quinta-feira, janeiro 24, 2008

... "Onde vai este país?"

«Quando não se gosta, põe-se na borda do prato» – ensinaram-me, quando era menino de tenra idade – porque menino continuo a ser, agora ainda mais, apesar de já ter ultrapassado as setenta Primaveras (ou “Invernos”, não sei).

Só que o rejeitar seja o que for, nem sempre é tão linear, quanto diz o aforismo atrás citado. A mais das vezes, tenho de “engolir sapos” bem difíceis de tragar, mas quem sou eu para me opor? A minha força é totalmente nula para contrapor àquilo que julgo não ser bom para mim ou para o meu semelhante.

O pensamento das pessoas nem sempre é executável no que elas desejam. Há entraves de toda a ordem e, o que é bem pior, (pré) conceitos tão disparatados a vencer que o melhor é engolir em seco, fazer uma careta de desagrado (ou de desagravo a nós mesmos) e prosseguir caminho, na esperança – tantas vezes mórbida – de que amanhã será outro dia, com o Sol a iluminar-nos e a aquecer-nos a alma e o corpo cansados de tanto serem vilipendiados e reprimidos.

Generalizando direi apenas que os políticos, do cimo dos cumes a que acederam e no despotismo do seu poder, deixam de ser gente e passam a máquinas calculadoras, a somarem dinheiro sobre dinheiro, e semáforos informatizados a sinalizarem, friamente, o rumo de quantos lhes estão abaixo. E é-lhes indiferente se daí advém dor e míngua. O importante é que a eles nada falte. O Povo que se esfalfe e desunhe e… empobreça a cada dia, como está, actualmente, a suceder devido á queda do poder de compra da maioria dos cidadãos.

Ai, meu país, meu país, para onde vais com tanto político insensível e ganancioso?!....

terça-feira, janeiro 22, 2008

Ensino Especial, de novo

Há uns artigos atrás, falei na questão a formação de Professores para o Ensino Especial dizendo que não entendia muito bem das razões que levaram á eliminação ou a redução dessa formação tão importante.

Nem de propósito! Pois os últimos noticiários das Televisões têm vindo a dar conta de que o Estado pretende acabar com as Escolas de Especial integrando esses alunos no chamado ensino normal, dando-lhes, entretanto, o apoio de que precisarem, através de docente para isso qualificados.

E, aqui, surgem duas perguntas: onde estão esses professores se acabou a formação em Ensino Especial? E esses meninos, com outro ritmo de aprendizagem, não irão prejudicar os restantes ficando, também eles, seriamente, prejudicados?

Quanto à primeira questão pode-se, naturalmente, dizer que basta transferir os actuais professores das Escolas de Ensino Especial para as Escolas do dito Ensino Normal, ficando eles com o encargo de, nas suas áreas de especialização, garantirem o apoio necessário aos alunos com deficiência. Se assim for, do mal o menos!...

No que concerne à segunda interrogação, confesso que não tenho (creio que ninguém, com algum conhecimento na matéria, tem) uma resposta cabal para o problema, já que se levantam realidades tão palpáveis, mas ao mesmo tempo imprevisíveis que nem sequer se vislumbram.

E, no meio de tudo isto, quem acaba na “mó de baixo” é, infelizmente, a pessoa com deficiência. Primeiro porque não se lhe adequam condições espaciais. Segundo porque, mesmo transferindo docentes, acabará por haver, nesse caso muito mais, insuficiência de trabalhadores de ensino e de acção educativa necessários à especificidade de cada um desses alunos.

Isto são, de certeza, pontos que o Estado - como pessoa fria que é, falo com conhecimento de causa – não considerou e que é fundamental ter em conta no âmbito da escolaridade e da educação especial e (até) geral dos cidadãos.

O tempo o dirá!

Contudo, do alto da minha cátedra de pessoa com deficiência e ampla experiência nesse campo, sempre direi que a razão está do lado de todos aqueles que, diariamente (pais, professores, técnicos, auxiliares e dirigentes de Instituições), vivem com e no meio dessa vastíssima problemática.

Quando uma vestimenta se rompe não basta remendar, para que não digam que «foi pior a emenda que o soneto», é preciso preparar a sua substituição por uma nova, mais resistente e bonita.

Por isso, é importante e necessário estudar bem a decisão a tomar, porque se voltarmos a usar do mesmo pano sem olhar às conjunturas da sociedade e da vida, tudo voltará, de novo, ao início, só que, desta vez, com muito maiores e mais graves resultados.

Quem tiver mente, que entenda!...