terça-feira, janeiro 22, 2008

Ensino Especial, de novo

Há uns artigos atrás, falei na questão a formação de Professores para o Ensino Especial dizendo que não entendia muito bem das razões que levaram á eliminação ou a redução dessa formação tão importante.

Nem de propósito! Pois os últimos noticiários das Televisões têm vindo a dar conta de que o Estado pretende acabar com as Escolas de Especial integrando esses alunos no chamado ensino normal, dando-lhes, entretanto, o apoio de que precisarem, através de docente para isso qualificados.

E, aqui, surgem duas perguntas: onde estão esses professores se acabou a formação em Ensino Especial? E esses meninos, com outro ritmo de aprendizagem, não irão prejudicar os restantes ficando, também eles, seriamente, prejudicados?

Quanto à primeira questão pode-se, naturalmente, dizer que basta transferir os actuais professores das Escolas de Ensino Especial para as Escolas do dito Ensino Normal, ficando eles com o encargo de, nas suas áreas de especialização, garantirem o apoio necessário aos alunos com deficiência. Se assim for, do mal o menos!...

No que concerne à segunda interrogação, confesso que não tenho (creio que ninguém, com algum conhecimento na matéria, tem) uma resposta cabal para o problema, já que se levantam realidades tão palpáveis, mas ao mesmo tempo imprevisíveis que nem sequer se vislumbram.

E, no meio de tudo isto, quem acaba na “mó de baixo” é, infelizmente, a pessoa com deficiência. Primeiro porque não se lhe adequam condições espaciais. Segundo porque, mesmo transferindo docentes, acabará por haver, nesse caso muito mais, insuficiência de trabalhadores de ensino e de acção educativa necessários à especificidade de cada um desses alunos.

Isto são, de certeza, pontos que o Estado - como pessoa fria que é, falo com conhecimento de causa – não considerou e que é fundamental ter em conta no âmbito da escolaridade e da educação especial e (até) geral dos cidadãos.

O tempo o dirá!

Contudo, do alto da minha cátedra de pessoa com deficiência e ampla experiência nesse campo, sempre direi que a razão está do lado de todos aqueles que, diariamente (pais, professores, técnicos, auxiliares e dirigentes de Instituições), vivem com e no meio dessa vastíssima problemática.

Quando uma vestimenta se rompe não basta remendar, para que não digam que «foi pior a emenda que o soneto», é preciso preparar a sua substituição por uma nova, mais resistente e bonita.

Por isso, é importante e necessário estudar bem a decisão a tomar, porque se voltarmos a usar do mesmo pano sem olhar às conjunturas da sociedade e da vida, tudo voltará, de novo, ao início, só que, desta vez, com muito maiores e mais graves resultados.

Quem tiver mente, que entenda!...

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Divagar

Digam que não, ou que sim,

Ou digam assim, assim,

Já não acredito em nada,

Pois a “vida” ‘stá parada.

Por isso, agora detesto

Os arrogantes políticos:

Criam sonho, em manifesto,

E quedam-se paralíticos.

Que mundo cão em que estamos

Que até já não nos amamos?!...

sábado, janeiro 19, 2008

O que é a simplicidade?

«As coisas complexas são inimigas de Deus.» – Escreveu alguém, cujo nome me não vem, neste momento, à lembrança.

Ora, assim sendo, não é fácil entender “Deus”, nem como “pessoa”, e muito menos como Dimanação da Energia Universal, como eu e todos os cientistas o vêem.

Se Deus é e está em todas as coisas, porque é que todas as coisas não são perfeitas? Porque tem a Natureza algumas aberrações?

Algumas vezes me quedo a meditar sobre isto e fico, parvamente – permitam-me este termo –, confuso e sem uma resposta que me satisfaça e dê tranquilidade à minha forma de pensar e reagir.

O que é, afinal, a simplicidade? Será a (complexa) flor de duas, três e mais pétalas? Então a simplicidade não seria ter uma só pétala? E se tivesse uma só pétala não teria, entretanto, milhares de moléculas a dar existência a essa (“complexa”) estrutura?

Como se vê o próprio “Deus” é já ele duma complexidade tão relevante que não entendo onde está a simplicidade.

Quando falamos ou escrevemos tem de haver alguma complexidade na frase, pois, de contrário, não haverá possibilidade de entendimento da mensagem. Se alguém disser só: ai! Está, nesse instante, a transmitir uma qualquer mensagem, mas fica-se sem saber se é de dor, de preocupação ou de susto. Para entendermos o “ai” temos de ver e/ou conhecer a origem e aí desaparece a simplicidade.

Ou estarei errado ao raciocinar deste modo?

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Ensino Especial

Queixam-se, com muita razão, alguns professores, com quem me dou, que, devido a ter-se acabado com a formação e especialização na área do Ensino Especial, as dificuldades, (claro, por absoluta falta de preparação) sentidas são imensas e diversificadas quando, numa turma, têm alunos com deficiência e, por isso, a necessitar de apoio diferente ao resto dos discentes.

Não sei quem foi o “iluminado” que acabou com tal tipo de formação (nem isso vem ao caso), mas sei, por experiência própria (como pessoa com deficiência) e porque muitas vezes fui convidado a dar aulas (e até cursos) sobre essa problemática, o quanto era salutar e indispensável – aos professores – obterem conhecimentos em tão importante, quanto vasta, matéria.

Cada caso é bem diverso do outro, de acordo com cada tipo de deficiência, mas se houverem algumas bases académicas a servirem de suporte ao trabalho didáctico/pedagógico, da pessoa que tem a nobre e difícil missão de ensinar (e mesmo educar), a tarefa torna-se rendável e agradável, porque com resultados muito (ou mais) positivos.

Acabou-se com essa formação provavelmente tendo em vista o facto de que há que dar a todos os cidadãos um tratamento de igualdade e autêntica integração social, com que concordo plenamente.

Todavia, essa louvável atitude, na prática, não resulta. Porque, para lá das boas intenções morais e filosóficas, é fundamental estar, devidamente, preparado para as várias situações que o docente vai encontrar na sala de aulas. Sem conhecimento (empírico ou escolar) não é possível ter sucesso, seja no que for.

E os erros, no campo da formação humana, têm sido tantos e tão graves, que corrigir mais este – voltando à formação e especialização dos professores para o chamado Ensino Especial – é urgente e totalmente necessário. Tenhamos disso consciência!

terça-feira, janeiro 15, 2008

A verdade nas Tradições e no Folclore

No passado sábado, 12 de Janeiro, embora com um atraso relevante quanto à data apropriada, assisti, em Viseu, no auditório “Mirita Casimiro”, a um encontro de Cantadores de Janeiras e Reis e… fiquei triste.

Triste porque sempre considerei que as “Tradições e o Folclore” do Povo são para ser respeitadas, ensinadas e divulgadas com toda a verdade (boa ou má) por mais cruel que ela nos pareça. Esse julgamento não é o mais importante. O que conta é a forma como estava inserida na conjuntura cultural e social da época, cabendo aos grupos e, vincadamente, aos seus dirigentes, desenvolver, nas apresentações, um trabalho pedagógico de esclarecimento do público e jamais de escamoteação dessa verdade – salvo se a ignorância do apresentador não der para mais.

Vem isto a propósito de o apresentador de um dos grupos ao dizer que «quando um grupo de cantadores, não recebia nada, numa casa onde se deslocara para cantar as Boas Festas, se ia embora.»

Ora esta afirmação não corresponde à verdade, já que, quando tal sucedia, era lançado, em coro, um “brado de escárnio” que, variando consoante a região, rezava (mais ou menos) assim:

«Esta casa cheira a unto,

Aqui mora um defunto;

Esta casa cheira a alho,

Aqui mora o rebotalho;

Esta casa ‘stá sebenta,

Aqui há gente avarenta.

E p’ra acabar com as brigas…

Toca a andar sem mais cantigas!»[1]

E lá se iam, de sentidos bem alerta, não viesse por aí uma saraivada de chumbo de algum velho arcabuz

E não digo mais nada!...



[1] - Recolha feita por mim, junto de pessoas idosas em 1961, na região de Viseu.