sábado, janeiro 12, 2008

A Morte - forma de requalificação

Há coisas que não consigo entender. Uma delas é porque quando morre alguém (rico ou não), mas que deixe alguns quaisquer pertences, logo os familiares, ou não, se apressam (quase como quem anda a roubar) em levantá-los para uso e proveito próprios.

Tenho até conhecimento (por experiência adquirida ao longo dos anos, que já conto) de casos em que esse “assalto” se deu, a coberto da noite, e com o corpo do defunto ainda jazendo na “pedra fria” da morgue.

A ganância é um defeito terrível nalguns seres humanos. Pessoas de postura pacata, num repente, tornam-se verdadeiros “abutres”, em disputa da “carniça” que outros deixam como despojo final.

Noutros casos – sei-o eu, de fonte segura –, famílias que dantes eram exemplo de bem-querer envolvem-se, após a morte dos seus progenitores, ou testadores, em verdadeiras batalhas, em luta pelo melhor naco do património a ser partilhado. E zangam-se. E ficam de relações cortadas para o resto das suas vidas.

Mas estas atitudes não são exclusivas de gente de poucos teres, pois, entre pessoas ricas, e bem ricas até, sucede o mesmo, perdendo toda a compostura do seu estado económico/social.

Para quê e por quê tais comportamentos? – É-nos lícito inquirir.

Afinal, a depuradora morte – na normal sucessão e equilíbrio da Natureza para a continuidade em novas gerações – pode também ser factor de desavença e de mal-estar na medida em que pode desarmonizar aquilo que era (parecia) um mar tranquilo numa praia de areia branca e palmeiras a sombrearem as dunas.

É, talvez, este contraste que possibilita o desmascarar das situações e leva, obviamente, ao apurar da espécie humana, permitindo separar o “trigo do joio”, para que este seja destruído e fique só o cereal limpo que vai possibilitar uma boa sementeira e, daí, uma colheita mais apurada, num Mundo mais justo e, por isso, mais pacífico e melhor para ser habitado pelos que nos hão-de suceder.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

As crianças merecem tudo

«(…)O melhor do Mundo são as crianças! » – Disse Fernando Pessoa. Nós, naturalmente, como é óbvio, subscrevemos plenamente a afirmação.

Mas, infeliz e lamentavelmente, os órgãos de Comunicação Social, andam ainda carregados de notícias em que o pensamento pessoano é espezinhado descaradamente, por todo o tipo de indivíduos.

E o que nos repugna e dói é que, entre os causadores do mal da pequenada, estão também incluídas Instituições Oficiais que, negligentemente, não cuidam de acautelar situações, deixando escancarados buracos de esgotos de águas de saneamento ou pluviais; valas sem qualquer tipo de vedação que evite a queda de alguém e o seu consequente afogamento. Foi o caso, noticiado, de um bebé de 18 meses que veio a falecer por ter caído numa dessas “ratoeiras”.

Para que servem, os fiscais camarários? Não será seu dever alertarem os serviços competentes para as anomalias? Ou será que só lhes cabe passar multas, por coisas comezinhas e sem significado como, tantas vezes, sucede?

Em tempos idos, havia, em certos Municípios, funcionários encarregados de circularem, de olhos bem atentos, chamados pelo povo de “olheiros”, cuja obrigação laboral era, exactamente, detectarem todas as anomalias existentes que pudessem causar dano a quem quer que fosse e concretizar a sua rectificação.

Essa prática cabe – cremo-lo, hoje – aos Órgãos de Comunicação Social que, louvavelmente, estão, em permanência, a alertar para tudo, o que de mal, detectam. Todavia, os “governantes” e os políticos, sem que se entenda porquê, fazem “ouvidos de mercador” e deixam tudo “como dantes no Quartel-General em Abrantes”.

Como diria o saudoso Fernando Pessa: «E esta? Hein!...»

terça-feira, janeiro 08, 2008

Continue-se "a bradar no deserto"

O mar é bom, quando regulariza o clima e quando nos enche o estômago com os seus deliciosos frutos e quando nos retempera o corpo durante as férias, mas, como toda a Natureza, exige que o respeitemos e amemos, pois, de contrário, pode “revoltar-se” e ceifar vidas.

Apesar de todas as inovações tecnológicas, no âmbito da previsão meteorológica e noutros campos da ciência, ainda continuamos sem conhecer, devidamente, as potencialidades da Natureza e as suas capacidades de, para corrigir os erros que contra ela cometemos, se regenerar.

Todavia ao refazer-se de tais danos, a Natureza – mesmo que isso nos atinja seriamente, como, por exemplo, sermos exterminados da face da Terra que, agredimos com a nossa desmedida ganância economicista – ela tem de usar de meios drásticos e demorados na reposição da “sua” normalidade.

Na imensidão das medidas cósmicas, um ou 65 milhões de anos, não tem qualquer significado. Esse período, a que chamamos “Tempo”, não existe se não na nossa imaginação de seres micro infinitesimalmente pequenos, por isso mesmo, sem sentido, salvo para nós próprios.

Porque não damos conta de tal realidade, nem a queremos aceitar por nada deste Mundo, teimamos no desrespeito pela defesa e salvaguarda do valor astral do nosso planeta e, como a laranja finita, teimamos em espremer os seus recursos não renováveis ou renováveis a longo prazo (florestas, aquíferos, etc.) até à última gota.

Nós, os que amamos a vida e o belo que nela existe, bem gritamos os nossos alertas, mas parece que bradamos no deserto.

Por isso, como João Baptista – mesmo correndo o risco de quedarmos sem cabeça – não podemos desistir de erguer, de todos os modos, a nossa fraca voz, na tentativa de que alguém, com poder e meios para tal, nos possa vir a escutar.

E, arrepiando caminho, junte sua voz à nossa fazendo, em consequência, com que aqueles que agora bradam no deserto, passem a fazê-lo, com intensidade e proveito geral, nas praças públicas das grandes concentrações sociais e humanas, para que, em comunhão geral de ideias e atitudes, consigamos não voltar a desrespeitar a Natureza que nos ama se a amarmos.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Nevoeiro político

Em dias de nevoeiro é costume as pessoas sentirem-se deprimidas por não verem e sentirem o Sol encher os seus olhos e aquecer o corpo e alma.

Mas os dias cinzentos de nevoeiro são, ainda assim, dias de esperança. Pois diz um velho aforismo popular: «dia de nevoeiro é dia de soalheiro.»

Só que, ao que parece, em matéria de política, as coisas não são assim tão lineares quanto isso. Uma intensa bruma de más medidas governamentais envolve o Mundo e ninguém tem a humildade de mudar de atitudes, tendo em vista que urge que o sol brilhe na vida das comunidades e dos países.

A arrogância e a propaganda dos políticos, quanto à bondades das suas acções, é assustadora e adensadora do nevoeiro que tapa a visão desta humanidade sofrida e sofredora.

E… estupidamente, continua-se a destruir a Natureza e a atropelar os direitos de cada um, de modo que cada vez é maior o número de pobres ou dos que empobrecem em favor de uns tantos que cada vez mais, também, ficam mais ricos, não deixando que o nevoeiro desapareça para raiar o sol da saúde, da educação, da justiça, do trabalho para todos, da paz e… (por que não?) do amor.

Quem tem coragem de modificar tal situação? Penso que cada um de nós, à sua maneira, lançando o seu grito de indignação e não aplaudindo, servilmente, os governantes que adensam a bruma que nos rouba o gosto de desfrutarmos do prazer de viver com dignidade e com a devida igualdade de direitos e deveres.

Basta de nevoeiro! Querermos Sol a brilhar no Céu Azul das nossas vidas!...

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quinta-feira, janeiro 03, 2008

Agora e sempre é a ecologia quem manda

Finalmente veio a chuva tão ansiada pelos agricultores, pois os agros mirravam a cada dia, trazendo problemas à alimentação dos gados.

Um facto que devia ser motivo de satisfação geral, tem causado angústia e dor para bastantes pessoas, visto que, em alguns (bastantes) lugares a água foi tanta que inundou habitações, garagens e até ruas inteiras causando prejuízos de vária ordem.

Choverá agora mais que há um século? É bem claro e super evidente que não! Então por quê tais acidentes aquáticos?

Pelo descuido e desmazelo humano e, o que é muito pior, pela ganância de uns tantos que, só tendo em mente o lucro, se meteram a construir onde não deviam. Na Natureza há regras milenares que têm, queiramos ou não, de ser cumpridas.

Primeiro é importante manter abertos e limpos, todos os caminhos de trânsito da água. Segundo os campos que dantes eram belos parques relvados ou cobertos de uma qualquer vegetação estão agora cimentados ou asfaltados, impermeabilizando a absorção, pela terra, dos excedentes pluviais. E, por último, contra tudo o que manda o bom-senso, construíram-se casas e outras coisas que tornaram em albufeira o que, num passado bastante próximo, eram livres cursos de água dos Invernos longos de então.

O Homem – esse bicho que já não é digno de H maiúsculo – só tem vido a fazer e a cometer disparates antinaturais e, o que é revoltante, não dá um passo para mudar este triste estado de coisas.

Tudo vai mal e ninguém – fale-se dos políticos, governantes, engenheiros, arquitectos, construtores, eu sei lá quem mais – faz nada para travar e resolver os problemas criados!

Depois lamuriam-se os povos… Mas que grande merda!...