quarta-feira, dezembro 19, 2007

O Natal e os Evangelhos II

Como se viu no escrito anterior, o nascimento de Jesus Cristo não se deu numa estalagem por falta de espaço, mas por falta de recato para tão importante acto da vida humana.

Também não é verdade que o Menino tenha sido enrolado em faixas de pano, por falta das devidas e apropriadas roupinhas. Não foi assim por várias ordens de razões.

A primeira é que ainda, nos dias de hoje, se envolve a barriguinha dos recém-nascidos, com uma ligadura como medida de precaução, de modo a evitar que o choro do bebé possa causar quaisquer danos ao umbigo, em fase de cicatrização.

A segunda é que não vamos ser tão ignorantes a ponto de acreditarmos que Maria e José eram tão descuidados e ingénuos, a ponto de se meterem a caminho sem, previamente, se precaverem com o indispensável a uma eventual possibilidade de o parto ocorrer a cada instante daquela viagem.

Por último a apregoada extrema pobreza da família não passa de um mito, criado, aos longo dos séculos e (sabe-se lá) das conveniências das imensas traduções dos evangelhos, já que José era um industrial de carpintaria e Maria herdeira de um funcionário do templo, o que, nessa época, correspondia à classe média dos nossos dias.

Certamente que não eram, de forma alguma, uns ricalhaços nababos – como soa dizer-se agora –, mas eram pessoas com possibilidade de viverem sem grandes dificuldades ou escassez de recursos económicos e humanos. Tenhamos disto consciência e reponha-se assim, honestamente, a necessária verdade à história do Cristianismo.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

O Natal e os Evangelhos I

Contam os Evangelhos que José e Maria, por mor do censo imperial romano, se deslocaram da localidade onde residiam para a da sua circunscrição administrativa afim de se recensearem. Todavia, porque as estalagens estivessem bastante cheias, não puderam ficar em nenhuma.

Santa ingenuidade!...

As estalagens israelitas, nesse tempo, eram uma espécie de claustros, quadrados ou rectangulares, em que, nas alpendradas circundantes ao pátio central, a céu aberto, se localizava um espaço onde se serviam e confeccionavam as refeições, sendo o restante ocupado pelas mercadorias dos hospedes que, por lá, se ajeitavam dormindo sobre fachões de palha, embrulhados em peles de ovelha ou de camelo, enquanto as alimárias ficavam no meio do pátio, onde, algumas vezes, ardia uma imensa fogueira.

Ora, assim sendo, não é credível que uma senhora, a iniciar trabalhos de parto, quisesse parir, sem qualquer recato, no meio de tamanha promiscuidade.

Daí que, a conselho de alguém piedoso e experiente na matéria, o recatado casal de Nazaré se tenha dirigido a uma das muitas grutas do sopé da colina, para, na maior puridade e digna intimidade, Maria poder dar à luz aquele que havia de mudar, com seus actos e ensinamentos, o pensamento e a vida do Mundo.

Não ficaram – repete-se – numa estalagem por falta de lugar para mais dois, mas, sim, por falta de condições para o acto mais importante de uma mulher. Tenhamos disso consciência!

Continua.

sábado, dezembro 15, 2007

A minha feiticeira

Numa noite bem quente, eu vi a feiticeira,

Despida e prazenteira, a dançar na ribeira.

Era uma mulher rija e mui apetitosa

Sem ser, sequer, formosa gostava-se dela

E ia-se à janela, p’ra ver essa rosa.

Quedei-me satisfeito,

Com o seu ledo jeito

E senti o grã desejo

De lhe roubar um beijo

Escondido no brejo.

Fiquei enamorado

E tão apaixonado

Que a chamei com um brado:

- Vem! Vem a mim Poesia

E ama-me em cada dia!

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Descrença no "Tratado de Lisboa"

«Nem tudo o que luz é ouro» – belíssimo e acertado provérbio popular que atesta a ignorância de quem se deixa deslumbrar apenas pela aparência das pessoas e das coisas.

Quando tal sucede, cai-se num dramático sentimento de desilusão que, em algumas circunstâncias, leva mesmo a estados desagradáveis de depressão.

Sem pretender ser “ave agoirenta” ou, simplesmente, “velho do Restelo”, devo, entretanto, dizer – oxalá esteja enganado – que desconfio profundamente do chamado “Tratado de Lisboa”, uma vez que acho – tenho, como cidadão livre que sou, esse direito –, ele não vai levar a coisa alguma, nem a sítio nenhum.

Se somos pobres, porque (face a más gestões e a maus governantes) nos deixamos atrasar económica, científica, tecnologicamente, pobres iremos continuar!

A não ser que… com inteligência e sem preconceitos, sejamos capazes de nos livrarmos de tutelas sufocantes e, com uma sapatada de grande rasgo, consigamos pôr os investidores e os trabalhadores (manuais e cerebrais) a produzir «rapidamente e em força» algo que nos distinga e nos abra as portas da exportação e nos impulsione para o respeito das nações, fazendo avançar a economia e o conhecimento deste pequeno país que, no século XV, sentiu necessidade de avançar, mar em fora, na busca de novos mercados em terras (muitas delas) desconhecidas.

O que acabo de afirmar não é – nestes tempos de eufórica propaganda – “politicamente correcto”.

Todavia, porque é uma realidade mui palpável (o tempo vai-me dar razão), eu não posso ficar mudo, a «levar desaforos para casa» que o mesmo é dizer:

- Abram-se os olhos e construamos o nosso futuro sem sujeições e grilhetas que nos tornem escravos duma Europa decadente, mas ainda com manias de grande senhora!

Como dizia o 1º. Duque de Viseu – Infante D. Henrique:

-: Vamos avante! Sempre avante! Vencendo porcelas no mar encapelado dos pensamentos contrários!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Má saúde em Portugal

«Quando somos velhos tudo o que é mau se chega a nós» – dizia, com imensa sabedoria e experiência de vida, a minha avó materna. Como era uma criança não ligava nada a estes aforismos populares.

Agora entendo, perfeitamente, que ela tinha razão. Pois sinta na carne e nos ossos o advento desses problemas de saúde a que ela fazia referência, já que os vivia intensamente.

Desde segunda-feira passada que uma dor intensa, nos ossos da bacia, mais concretamente, na zona sacro-iliaca me atormenta e me dificulta, de forma muito acentuada, a marcha.

A esse propósito até já disse a minha esposa:

- Sabes, mulher, isto é velhice!

- Tens de ir ao médico! – Disse-me ela, com carinho.

Não respondi, mas fiquei, seriamente, a matutar: «ir ao médico?» A qual? Ao de família? Ele não me parece ser entendido neste tipo de patologia, além de que não há consultas logo disponíveis. A um ortopedista? Talvez, mas lá se me vai o subsídio de Natal.

Estas questões são, lamentavelmente, as que se põem, aos milhares de idosos portugueses, em termos de serviços de saúde.

É que, desgraçadamente, não há, em Portugal, um bom apoio de assistência médico/medicamentosa ao cidadão sem recursos financeiros.

Qual é, então, a “receita”, para tais casos? O que pensam os governantes e os políticos?

Estamos, de facto, num mundo cruel que nos envergonha e no qual se não vê uma lúzinha, ao fundo do túnel, Quem nos acode?...