sexta-feira, novembro 30, 2007

Homens, coisas e bichos...

Uma professora inglesa (vi na televisão) foi detida e acho que esteve em risco de ser condenada a uma dolorosa pena, num país islâmico, por ter permitido que um dos seus alunos pusesse o nome do profeta, responsável pela escrita do Corão, a um ursinho de peluche.

Sem me moverem princípios religiosos de qualquer ordem, sempre direi (chamem-me louco por isso) que nunca gostei de ouvir coisas ou animais com nome de pessoas. Tanto assim é que, aos ursinhos de peluche dos meus filhos foi dado (havia um pouco mais 9 anos de diferença entre eles) o nome de Tété. E os cães da casa chamaram-se Tété, Nada, Népia, Teço e Farrusco, pois considero indigno dar “nome de gente” – como dizia o meu Leonardo (aio preto que olhou pela minha infância) – aos bichos, ainda que muito deles se goste.

Infelizmente, nem todas as pessoas assim pensam e não é raro ouvir-se chamar Joana, Mário ou outros nomes humanos a bichos de estimação e companhia.

Em que ficamos… são bichos, são coisas ou são humanos com direito a respeito, dignificação pessoal e amor?

Tenhamos – nós homens – um mínimo de respeito por nós mesmos e pelo nosso semelhante e, desse modo, seremos felizes porque saberemos destrinçar direitos e valores, para podermos ser, devidamente, respeitados e lembrados com admiração e, até, veneração, pelos nossos contemporâneos e pelos vindouros que nos hão-de suceder

Assim seja!...

quarta-feira, novembro 28, 2007

Português mal tratado

Queixam-se os professores, os sindicatos, os governantes e, de um modo geral, toda a gente, que, cada vez, se fala e escreve pior o português e que esta disciplina escolar apresenta, nos alunos, notas bastante baixas.

E… muito pior, é haver quem se admire de tão negra situação. Eu digo pior, pior, é não haver nenhuma entidade que (há tantas por aí) regule e trave a tendência do mau português, no quotidiano das actividades co0muns aos portugueses. São as etiquetas nos estabelecimentos comerciais com erros ortográficos de palmatória, são as informações escritas a sofrerem da mesma pecha, etc.

Mas o que mais nos escandaliza e dói é a publicidade, que deveria ser responsável e cuidadosa sob tal ponto de vista, a, também, não respeitar o bem escrever, usando a “nova” grafia utilizada pelos miúdos nos aparelhos das modernas tecnologias.

Já há tempos, uma unidade bancária, em um cartaz de propaganda a um produto financeiro, cometera esse desacato linguístico. Agora, outro banco (multinacional), expõe, descaradamente, nas montras dos seus balcões, um cartaz com a seguinte frase: «já ká konta».

Santo Deus! O que é isto?!...

Somos responsáveis e pugnamos por melhorar a qualidade dos portugueses, em relação à sua língua, ou pretendemos destruir esse importantíssimo património cultural que nos foi legado e que devemos entregar intacto aos vindouros, para que tenham disso justificado orgulho?!... (Coloquei esta pontuação, porque, confesso, não sei como, no presente caso, demonstrar toda a minha dorida indignação.)

segunda-feira, novembro 26, 2007

Pobreza...

Estava um dia de sol luminoso, mas, devido ao vento, muito frio, para a época, já que ainda não chegamos ao Inverno, embora estejamos a dar as despedidas ao Outono.

Uma mulher, dos seus cinquenta e picos anos, sentada na soleira da montra de uma pastelaria, enrolada num xaile, estendia a mão a quem passava, pedindo, «por caridade», uma esmola.

Uns bons metros mais acima, uma cidadã dos países de Leste, também de mais de cinquenta anos, dirigia-se aos passantes para que lhe dessem qualquer coisinha.

Fiquei triste e meditativo, embora tivesse visto essas imagens, muitíssimas vezes nos anos 50/60 do século passado, não entendo como é que no início do século XXI, ainda não foi possível erradicar, em Portugal e no Mundo, o flagelo da pobreza.

É preocupante e lamentável como os governos e os políticos (falsos políticos que não servem, mas se servem) não têm talento para encontrarem soluções que resolvam, de vez, tão grave problema da humanidade.

«Quem pede precisa de comer todos os dias, entretanto, quem dá não o pode fazer sempre.» – Diziam, e bem, aqueles que nos antecederam.

E não são só os adultos os afectados, as crianças também são vítimas da fome, da miséria e da doença que lhe é inerente. Tinha razão Augusto Gil, no final do poema “Balada da Neve” ao perguntar doloridamente: «…mas as crianças, Senhor, / por que lhes dais tanta dor, / por que padecem assim?»

sábado, novembro 24, 2007

O Sol e a liberdade

O Sol, desde a mais remota antiguidade, foi (e ainda é para muitas religiões e povos) considerado como uma divindade produtora de energia, logo, de sabedoria e, concomitantemente, de força criadora e de poder sobre as coisas e sobre os homens.

Talvez por isso – herança inconsciente de gestação –, as crianças, em quase todas as suas garatujas, o incluem no alto do Céu azul, a sobressair, fortemente, com seus raios, num quente tom amarelo, que o destaca, de forma ingénua, de toda a restante composição infanto/artística.

O Sol, de certo modo, é a expressão da liberdade em toda a sua dimensão e pureza. É – digamos – o símbolo democratizado do homem livre de grilhetas intelectuais e espirituais. Livre de princípios e ideias velhas e preconceituosas, Livre da tirania do semelhante que explora a força dos seus braços, a capacidade criadora da sua mente e o convencimento das suas palavras bem medidas e justas na defesa das boas causas.

Quem me dera ser Sol, para dizer, sem medo, aquilo que me oprime e me dói! Quem me dera estar bem alto, como o Sol, para gritar a raiva que me vai na alma contra o Tribunal da Relação que, seguindo friamente apenas a interpretação da lei, vai, se não houverem mudanças, atirar para a demência uma criança inocente e indefesa, a qual será mais um ser humano a engrossar o já vasto quadro de pessoas a sofrerem de doenças mentais neste país, tão pequeno no tamanho, mas tão grande na estupidez e na desumanidade!

- Porra, que é demais!

sexta-feira, novembro 23, 2007

A Construção Cívil nos nossos dias

Vive-se hoje um surto de desenvolvimento verdadeiramente espantoso em Portugal, muito especialmente no que concerne á habitação. Por todo o lado há edifícios em construção.

Obviamente, é bom, pois é a substituição das casas degradadas e sem condições de habitabilidade por espaços vivenciais com condições mais humanas.

Mas… infelizmente, tal não sucede, porque, apesar da imensa oferta, os preços continuam demasiado altos. Dizem que, por as avaliações feitas pelas entidades oficiais serem elevadas o que não permite a natural e devida baixa nos preços de venda por parte dos empreiteiros.

Depois – parece-me, sou um leigo na matéria – está-se a cometer o erro de, em todas (ou quase todas) as construções, se reservarem espaços de rés-do-chão, virem a ser ocupados por estabelecimentos comerciais.

Num tempo em que o “antigo” comércio tradicional fecha portas e deixa inúmeros “baixos” devolutos, milhares de baixos novos, em construção, vão ficar fechados e inúteis.

Será que os Municípios não vêem isto ou será que isso lhes convém economicamente aumentando a receita com a respectiva licença para execução da obra? Não seria bem melhor substituir esses baixos que – de certeza – vão ficar a degradar-se por falta de uso, em espaços habitacionais?

Parafraseando Cristo, sempre digo: «Quem tiver olhos que veja!...»