sábado, novembro 24, 2007

O Sol e a liberdade

O Sol, desde a mais remota antiguidade, foi (e ainda é para muitas religiões e povos) considerado como uma divindade produtora de energia, logo, de sabedoria e, concomitantemente, de força criadora e de poder sobre as coisas e sobre os homens.

Talvez por isso – herança inconsciente de gestação –, as crianças, em quase todas as suas garatujas, o incluem no alto do Céu azul, a sobressair, fortemente, com seus raios, num quente tom amarelo, que o destaca, de forma ingénua, de toda a restante composição infanto/artística.

O Sol, de certo modo, é a expressão da liberdade em toda a sua dimensão e pureza. É – digamos – o símbolo democratizado do homem livre de grilhetas intelectuais e espirituais. Livre de princípios e ideias velhas e preconceituosas, Livre da tirania do semelhante que explora a força dos seus braços, a capacidade criadora da sua mente e o convencimento das suas palavras bem medidas e justas na defesa das boas causas.

Quem me dera ser Sol, para dizer, sem medo, aquilo que me oprime e me dói! Quem me dera estar bem alto, como o Sol, para gritar a raiva que me vai na alma contra o Tribunal da Relação que, seguindo friamente apenas a interpretação da lei, vai, se não houverem mudanças, atirar para a demência uma criança inocente e indefesa, a qual será mais um ser humano a engrossar o já vasto quadro de pessoas a sofrerem de doenças mentais neste país, tão pequeno no tamanho, mas tão grande na estupidez e na desumanidade!

- Porra, que é demais!

sexta-feira, novembro 23, 2007

A Construção Cívil nos nossos dias

Vive-se hoje um surto de desenvolvimento verdadeiramente espantoso em Portugal, muito especialmente no que concerne á habitação. Por todo o lado há edifícios em construção.

Obviamente, é bom, pois é a substituição das casas degradadas e sem condições de habitabilidade por espaços vivenciais com condições mais humanas.

Mas… infelizmente, tal não sucede, porque, apesar da imensa oferta, os preços continuam demasiado altos. Dizem que, por as avaliações feitas pelas entidades oficiais serem elevadas o que não permite a natural e devida baixa nos preços de venda por parte dos empreiteiros.

Depois – parece-me, sou um leigo na matéria – está-se a cometer o erro de, em todas (ou quase todas) as construções, se reservarem espaços de rés-do-chão, virem a ser ocupados por estabelecimentos comerciais.

Num tempo em que o “antigo” comércio tradicional fecha portas e deixa inúmeros “baixos” devolutos, milhares de baixos novos, em construção, vão ficar fechados e inúteis.

Será que os Municípios não vêem isto ou será que isso lhes convém economicamente aumentando a receita com a respectiva licença para execução da obra? Não seria bem melhor substituir esses baixos que – de certeza – vão ficar a degradar-se por falta de uso, em espaços habitacionais?

Parafraseando Cristo, sempre digo: «Quem tiver olhos que veja!...»

quinta-feira, novembro 22, 2007

Apelo Ecológico

Cantava assim minha avó,

Sem piedade e sem dó:

- «Este Mundo é uma bola

Que gira e que rebola

E se alguém a não contenta

Ela incha, incha e rebenta!...

Filosofia do povo,

Em pensamento mui novo

Que estamos a esquecer

E que nos fará morrer

Como dolosos culpados

Sem tribunal, mas julgados

Pelos nossos próprios netos

Que não darão seus afectos.

Acorde a Humanidade

Para esta realidade:

Cuidemos da Natureza

P’ra termos sua beleza,

Permanente e sem idade,

Até à Eternidade!

quarta-feira, novembro 21, 2007

Incongruências da Justiça

Se uma rosa é feita de pétalas e folhas coloridas, em que, no caule, se destacam alguns aguçados espinhos, que a defendem, dizem os entendidos, dos ataques das bichezas que por elas trepem ou as abocanhem, por que não há-de o ser humano procurar também modo de escapar ao ataque de quem queira ser seu predador?

Os adultos arranjam (salvo bastantes excepções) modos ardilosos para essa defesa, mas as crianças ainda inexperientes e, pela sua tenra idade, sem capacidade motora e mental, quem as defende e protege?

Dirão que cabe à justiça dos tribunais fazê-lo. Eu, por mim, já não acredito nesse tipo de protecção. O que fica bem à vista è o inverso. Veja-se o chamado caso “Esmeralda”.

O que está a acontecer, sancionado pelos tribunais, é de pôr os cabelos em pé! Olha-se para a letra da lei (ou das leis) e atira-se “para as ortigas” com todo o bem-estar e desenvolvimento saudável, emocional e intelectual, da criança.

Uma vez, a propósito de um acórdão estúpido do “Supremo” que – inconsciente e irresponsavelmente – aceitava como prática natural dar uns bofetões em crianças com deficiência, para as levar a fazer o que os adultos pretendem, eu cheguei à conclusão que ponho a seguir e que encerra este meu modesto texto, parafraseando o título de um filme.

“Os Juízes devem estar loucos!....”

segunda-feira, novembro 19, 2007

Blogues e blogistas

A bloguista (não sei se em português a palavra é adequada, mas, se não é, passa a ser no meu dicionário privado, já que acabei de a inserir no vocabulário do meu computador) Salete Lemos, brasileira de S. Paulo, num comentário muitíssimo favorável à minha última mensagem sobre “A Juventude e o álcool”, pede-me, como é habitual, para visitar, um blogue de sua bem elaborada lavra e autoria «http//vagandopelaweb.blogspot.com», o que fiz.

Fiquei, positivamente, surpreso com o que vi. Sou um autêntico “nabo” em matéria de informática e, por isso, (sofro, creio, de absoluta falta de paciência para andar, na net, a rebuscar citações e trechos de outros autores) não seria, de forma alguma, capaz de produzir um blogue como aquele, assim variado, daí que louve e exalte quem consegue ter essa saudável pachorra.

Por temperamento ou por outro qualquer factor que desconheço, sou demasiado ansioso e, por tal motivo, prefiro (mesmo que sejam enormes disparates) fazer e dizer coisas que saiam de dentro de mim: do meu coração e do meu intelecto.

No entanto, leio bastante e tiro apontamentos que me levam (sem quaisquer plágios) ao desenvolvimento das minhas “modestas” ideias, as quais acabam, afinal, por estar presentes em todas as minhas obras. Já o disse várias vezes: não crio, apenas activo memórias e conhecimentos adquiridos e é por essa razão que me vou adaptando à evolução do pensamento e do tempo e, como Eugénio de Andrade, «recuso-me a ter mais de dezoito anos!»