quinta-feira, novembro 22, 2007

Apelo Ecológico

Cantava assim minha avó,

Sem piedade e sem dó:

- «Este Mundo é uma bola

Que gira e que rebola

E se alguém a não contenta

Ela incha, incha e rebenta!...

Filosofia do povo,

Em pensamento mui novo

Que estamos a esquecer

E que nos fará morrer

Como dolosos culpados

Sem tribunal, mas julgados

Pelos nossos próprios netos

Que não darão seus afectos.

Acorde a Humanidade

Para esta realidade:

Cuidemos da Natureza

P’ra termos sua beleza,

Permanente e sem idade,

Até à Eternidade!

quarta-feira, novembro 21, 2007

Incongruências da Justiça

Se uma rosa é feita de pétalas e folhas coloridas, em que, no caule, se destacam alguns aguçados espinhos, que a defendem, dizem os entendidos, dos ataques das bichezas que por elas trepem ou as abocanhem, por que não há-de o ser humano procurar também modo de escapar ao ataque de quem queira ser seu predador?

Os adultos arranjam (salvo bastantes excepções) modos ardilosos para essa defesa, mas as crianças ainda inexperientes e, pela sua tenra idade, sem capacidade motora e mental, quem as defende e protege?

Dirão que cabe à justiça dos tribunais fazê-lo. Eu, por mim, já não acredito nesse tipo de protecção. O que fica bem à vista è o inverso. Veja-se o chamado caso “Esmeralda”.

O que está a acontecer, sancionado pelos tribunais, é de pôr os cabelos em pé! Olha-se para a letra da lei (ou das leis) e atira-se “para as ortigas” com todo o bem-estar e desenvolvimento saudável, emocional e intelectual, da criança.

Uma vez, a propósito de um acórdão estúpido do “Supremo” que – inconsciente e irresponsavelmente – aceitava como prática natural dar uns bofetões em crianças com deficiência, para as levar a fazer o que os adultos pretendem, eu cheguei à conclusão que ponho a seguir e que encerra este meu modesto texto, parafraseando o título de um filme.

“Os Juízes devem estar loucos!....”

segunda-feira, novembro 19, 2007

Blogues e blogistas

A bloguista (não sei se em português a palavra é adequada, mas, se não é, passa a ser no meu dicionário privado, já que acabei de a inserir no vocabulário do meu computador) Salete Lemos, brasileira de S. Paulo, num comentário muitíssimo favorável à minha última mensagem sobre “A Juventude e o álcool”, pede-me, como é habitual, para visitar, um blogue de sua bem elaborada lavra e autoria «http//vagandopelaweb.blogspot.com», o que fiz.

Fiquei, positivamente, surpreso com o que vi. Sou um autêntico “nabo” em matéria de informática e, por isso, (sofro, creio, de absoluta falta de paciência para andar, na net, a rebuscar citações e trechos de outros autores) não seria, de forma alguma, capaz de produzir um blogue como aquele, assim variado, daí que louve e exalte quem consegue ter essa saudável pachorra.

Por temperamento ou por outro qualquer factor que desconheço, sou demasiado ansioso e, por tal motivo, prefiro (mesmo que sejam enormes disparates) fazer e dizer coisas que saiam de dentro de mim: do meu coração e do meu intelecto.

No entanto, leio bastante e tiro apontamentos que me levam (sem quaisquer plágios) ao desenvolvimento das minhas “modestas” ideias, as quais acabam, afinal, por estar presentes em todas as minhas obras. Já o disse várias vezes: não crio, apenas activo memórias e conhecimentos adquiridos e é por essa razão que me vou adaptando à evolução do pensamento e do tempo e, como Eugénio de Andrade, «recuso-me a ter mais de dezoito anos!»

sábado, novembro 17, 2007

A Juventude e o álcool

Em 1946, tinha então 9 anos – lembro-me muito bem, como se fosse hoje –, havia (imaginem só), na sala de aulas da escola que eu frequentava um cartaz que, simplesmente, em letras garrafais, dizia: «beber vinho é dar de comer a mais de um milhão de portugueses»

Não faço ideia nenhuma de quem ali terá colocado e porquê tal cartaz. A professora – boa senhora, sempre diligente com o bem-estar e progresso dos seus alunos – aposto que não foi. Mas que ele lá estava (como se aquele lugar fosse uma taberna), não sei como negá-lo.

Creio que a intenção do cartaz era dizer que, na agricultura da vinha, laborava, nessa altura, em Portugal, mais de um milhão de trabalhadores e, talvez – digo eu –, estimular a um menor consumo de cerveja que, nessa época, era uma indústria com pouco significado no país.

Fossem quais fossem os objectivos do cartaz e de quem “obrigou” a nossa Mestra a expô-lo naquela parede, junto a diverso material didáctico, a verdade é que ele lá estava a incentivar a um consumo que, para nós miúdos, era pernicioso e de efeitos pedagógicos desastrosos.

Bem sei que poderá haver quem discorde desta minha última asserção, pois, sem tal ou tais cartazes, os jovens de hoje iniciam-se no álcool demasiado cedo, tolhendo o seu desenvolvimento físico e psíquico de forma bem evidente e não menos assustadora.

Ao que se vê, nas estatísticas, o consumo precoce de bebidas alcoólicas é motivo de séria preocupação para educadores, políticos e governantes, já que, daí, pode-se comprometer o futuro e, sobretudo, a vida dos que vierem a seguir aos nossos filhos e netos.

E a pergunta surge cruel e implacável: que fazer para solucionar o problema, de forma eficaz e definitiva?

sexta-feira, novembro 16, 2007

Poema

O poeta é filho do Sol, / Espalha luz e calor /E o seu cantar não é mole, / Pois a tudo dá amor.

O poeta é um prosador, / Escreve “estórias” / Com sentimento, / Em linha interrompida, / E, num momento, /Fala da vida.

O poeta é um filósofo, / Observa e sente, / Disseca e pensa, / Anota e sonha, / E canta e ri, / Deduz e chora, / Lê e conclui, / Mas, nessa hora, / Não vai embora.

Eu, afinal, / Mesmo bem mal, / Também sou poeta / E prosador / E filósofo / E, ai, profeta, / Doido e amorfo, / Numa sala, / Que grita / E… cala!