quarta-feira, novembro 07, 2007

Política sem qualificação

Que tristeza, meu Deus, que tristeza!!!

Aprende-se em antropologia e em sociologia que «um povo sem passado e sem cultura não progride.» Mas uma coisa é estudar o passado e preservar a cultura com vista á evolução para um melhor futuro, outra é “partir o pescoço” a olhar para um pretérito de forma acintosa e com objectivos verrinosos de achincalhamento político e (até) pessoal.

Foi, exactamente, o que aconteceu, no dia 6 de Novembro, na Assembleia da República, Lavou-se roupa suja de um passado recente que não edificou nada e, muito menos, em nada esta nação de quase 900 anos de História. Nem o antigo Primeiro-Ministro, nem o actual, tiveram razão. Se um errou, o outro não está a ficar-lhe atrás. Ninguém, nem coisa alguma é, completamente, perfeita. Há sempre, mas sempre, algo a toldar a imagem – uma qualquer mácula a deixar os olhos e a alma feridos.

Por quê, homens com responsabilidades caiem em tão lamentáveis atitudes? Que políticos temos nós, que se perdem em acusações do nada que não leva a nada? Como recuperar tão precioso, mas desaproveitado, tempo? Afinal, aquilo é um parlamento sério, ou uma praça com as peixeiras desavindas?

Como português, interessado em que os vindouros gozem de um país e de uma vida melhor, quedo-me apreensivo e pergunto: Que fazer quando, nem os políticos, nem os partidos (todos sem excepção) e muito menos os sindicatos, são capazes de encontrar soluções e ter atitudes que nos inspirem confiança e bem-estar quer hoje, quer no amanhã?

Estou indignado e tenho vergonha por haver pessoas, com responsabilidades de liderança política e governativa, que procedam, ao mais alto nível, de forma tão miseravelmente baixa!

terça-feira, novembro 06, 2007

Vigaríce, fraude ou desumanidade?

As pessoas idosas têm hoje ao dispor lugares onde se podem reunir, para gastar o seu (imenso) tempo livre e quebrar, na maioria dos casos, a sua (enorme e doentia) solidão.

E isso é bom, muito bom mesmo. Pois, para além da conversa e do convívio, desenvolvem ainda outras actividades intelectuais e físicas que lhe são salutares.

Mas… – contou-me um amigo meu, frequentador desses lugares e grupos – há quem, um tanto abusivamente, se sirva de tal fragilidade e, “a preço da chuva”, organize (e/ou ofereça) passeios que, descobre-se depois, mais não são que a armadilha ideal para, numa terra qualquer, metendo os “velhotes” em salas, forçarem a venda, a prestações, de coisas (colchões e não sei que mais) que, para eles, já não são de primeira necessidade.

E há-os que, sob a pressão exercida pelos bem falantes vendedores, acabam por cair na esparrela, ficando numa situação económica, de total dependência. Se já eram pobres, mais pobres ficam.

Não há escrúpulos, nem valores morais que travem os fulaninhos destas empresas de vendas (digo eu) desonestas. Tudo e todos lhe servem para encherem os bolsos.

Para essa gente sem sentimentos humanos o que conta é o dinheiro ganho de qual quer forma. A dor dos outros, para eles, nada vale. São “trabalhadores da desgraça” e criadores de desgraça.

Como acabar com esta gente ruim? A quem recorrer para prevenir e pôr cobro a tal escumalha social?...

domingo, novembro 04, 2007

Ser velho e pobre, em Portugal...

Após o almoço fui tomar café, em acto social, com um amigo, mais velho do que eu dois ou três anos, a quem não via há um ror de tempo.

Conversamos. E fiquei a saber que vive só – a pessoa com quem estava foi afectada pela doença de Alzheimer e foi para casa de uma filha – e com sérias dificuldades económicas, pois a sua magríssima pensão de reforma mal supre as receitas da farmácia e bem pouco mais.

Tem de fazer grande ginástica financeira, para satisfazer as suas naturais necessidades alimentares e para, de crés a crés, meter um pouco de gasolina na “velha pandeireta” em que vai à cidade fazer algumas compritas e consultar a médica que olha pelo seu gasto coração.

Fiquei pensativo a magicar que a imagem dele é a imagem que também vejo no meu espelho e é o reflexo de muitos milhares (mais de um milhão) de pessoas idosas deste país que, sob tal ponto de vista, não viram, mormente a Revolução dos Cravos, nada melhorada a sua triste situação.

Que fazer? A quem recorrer? Será que os políticos e os governantes, de barriga forra, conhecem esta lamentável realidade? Se conhecem, por que encolhem os ombros e seguem em frente insensíveis ao sofrimento dos idosos, das crianças sem família e das pessoas com deficiência? Que “resignação cristã” se pode ter perante casos tão dolorosos e tão gritantes?

Não sei! Mas sinto! E, como Cristo no Monte das Oliveiras, apetece-me gritar: «Ó Deus, por que nos abandonaste?!...»

sexta-feira, novembro 02, 2007

Qualificação uma vez mais

De certo modo quis a Senhora Ministra da Educação – numa entrevista na televisão pública – negar a má preparação de alguns alunos, ao chegarem ao Ensino Superior, dizendo que a culpa é dos Professores Universitários que fazem essa acusação para justificarem a sua incapacidade de conseguirem melhores resultados.

Talvez seja. Mas…

Ao que sei, ao que vejo e o que me ensinou a vida é que «sem ovos não se fazem omoletas». Logo, algo «vai mal no reino de Preste João».

E o que destoa, no panorama quer a Senhora Ministra queira, quer não, é a base da pirâmide, onde tudo começa e donde se desenvolvem todas as linhas de força e sustentação da estrutura final.

Como solucionar o problema? Que estímulos proporcionar a docentes e discentes com vista à melhoria (e mesmo optimização) do processo?

Não sei! – Não sou especialista na matéria, ainda que tenha feito parte do corpo docente de uma antiga Escola do Magistério Primário. – Mas sinto e sei que, havendo vontade política, académica e social, tudo é possível, haja, sim, humildade e força para mobilizar recursos humanos e técnicos e os objectivos serão atingidos, de forma eficaz e asseguradora de um futuro muito melhor, o qual permitirá, por isso, que ombreemos com os países mais avançados do Mundo! Nunca é tarde! Nós somos capazes!

quinta-feira, novembro 01, 2007

Tradição e importação

Na realidade, os séculos XX e (agora ainda mais) o XXI, são a era da comunicação rápida, para não dizer imediata, a nível global. Um facto passado nos confins do Mundo, no presente, chega a nossas casas em menos de um ai, pondo-nos ao corrente do que, de outro modo, só muito mais tarde ou mesmo nunca o saberíamos.

Isso se por um lado é bom, por outro pode ser muito mau, não pela notícia em si, mas pelas implicações que, muitas vezes, daí advêm.

As pessoas, por ignorância, umas vezes; por snobismo, outras e por tendência para darem nas vistas, umas quantas, copiam o que ouvem e vêm, adoptando modas e atitudes que nada têm a ver com a sua cultura, tradição e forma de estar na comunidade em que se inserem.

Vem isto a propósito de ontem, como é habitual, ter ido dar uma volta à minha cidade e, na rua principal do centro, me ver, de repente, envolvido por uma multidão de garotos vestidos de bruxos e feiticeiras, encabeçados por um barulhento diabo, em andas, para ficar mais alto, que, ruidosamente se divertiam criando uns momentos de grande confusão em quem, àquela hora, por ali circulava em seus normais afazeres.

Que foi divertido, lá isso, foi! Que foi uma brincadeira saudável é inegável!

Porém o “Dia das Bruxas” nada tem a ver com a nossa tradição e cultura. Foi algo importado, graças à televisão, dos países anglo-saxónicos.

Da nossa cultura e da nossa tradição, ainda que com raiz celta, essa sim, é a Festa do Início do Inverno ou seja, o 11 de Novembro, mais conhecido pelo Dia dos Magustos ou de S. Martinho, em que, nalgumas localidades do nosso país, os rapazes, em idade púbere, andam, em bandos, pelas ruas, mascarados e com chocalhos, atazanando as moças com quem se cruzam e que também saiem para festejar.

Por mim, tudo é bom se não se esquecer, entretanto, o que é, de facto, nosso. Como diz um anúncio televisivo: «o que é nacional é bom!» e, acrescento eu, deve ser, devidamente, preservado.