quarta-feira, outubro 31, 2007

Princípios...

Toda a vida do ser humano é regida por princípios adquiridos pela observação e aprendizagem de quanto nos rodeia ou nos é ensinado desde que nascemos.

Esses princípios, tendo uma base comum, ou seja: o bem próprio e o de tudo de que (ou de quem) depende directa e indirectamente, só variam em pormenores circunstanciais e culturais de acordo com o lugar e a pessoa que os segue.

Para um Cristão, por exemplo, a sua conduta tem como objectivo atingir, após a morte a “vida eterna”; já um Budista tudo faz pelo seu aperfeiçoamento espiritual, de modo a que possa ver reduzido o número de reencarnações de modo a gozar o Nirvana; por seu turno um Politeísta desenvolve as suas acções por forma agradar e a servir os “seus deuses” afim de que eles o recompensem quer em vida, quer depois da morte.

E um Ateu, que é descrente de qualquer tipo de conceito religioso, que princípio ou princípios o moverão, mental e/ou espiritualmente, ao direccionar a sua conduta?

Daqui se infere que o Homem, para ser, bom ou mau, não precisa de estar (re) ligado ao conceito da divindade omnipotente e omnipresente. O que necessita, isso sim, é de acreditar em si, nas suas capacidades humanas de bondade, para consigo e para com quanto o envolve e que não pode ignorar, sob pena de – embora possa parecer um paradoxo – nada deixar que o lembre aos vindouros, quer seja positivo, quer seja negativo.

E esta última forma de pensamento é, já em si mesma, um princípio primordial e fundamental a ser seguido e é – creio eu – uma forma de elevação espiritual e também moral de ser e de estar no Mundo “esfarrapado” dos nossos dias.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Gostar de ler

A minha infância, adolescência e juventude foi povoada de lendárias personagens livrescas que ficaram guardadas, cobertas com o pó do tempo, no sótão sombrio das minhas memórias, construindo a minha personalidade e moldando o meu carácter.

Foi “Simbad – o marinheiro” das Mil e Uma Noite, de Sherazad; “Quasímodo” o corcunda de Notre Dame, de Alexandre Dumas; o “Capitão Nemo” das 20 000 Léguas Submarinas, de Júlio Verne; “Gavroche” de Os Miseráveis, de Victor Hugo; o “Ichacorvos” de A Última Dona de S. Nicolau, de (creio) Campos Monteiro; o “Principezinho” de Antoine de Saint Exupery e tantos, tantos outros que, no meu consciente e mesmo subconsciente, ainda hoje, sem que disso me aperceba, marcam o meu modo de ser e de estar nesta vida.

Ler, ler tudo era a minha (e de milhares de jovens) ocupação de tempo livre. Não haviam jogos de computador, nem consolas portáteis de jogar. Haviam os cantos e recantos solitários para nos ocuparmos na leitura e a rua para convivermos uns com os outros em brincadeiras, agora chamadas “tradicionais”. Os Tempos mudaram tanto!... Ainda bem que assim sucedeu!

Tudo mudou. Para melhor, para pior? O futuro o dirá!

Eu, por mim, acredito e espero uma geração que já não verei, mas que será melhor do que todas as passadas, porque será capaz de, finalmente, construir a Paz de forma duradoira, fazendo reinar o Amor entre todos os homens!

sábado, outubro 27, 2007

Que pensam os políticos?

O “Geo 4” – relatório das Nações Unidas sobre o Estado do Planeta – revela sérias preocupações quanto à rápida degradação do ambiente onde “ainda” (estas aspas não são em vão) habitamos. Conclui mesmo esse documento que, a continuar assim, não tarda, terão desaparecido imensas espécies vegetais e animais, dentre os últimos o próprio homem.

Há quanto tempo, eu e muitos milhares de pessoas, vimos a alertar, os leitores, para este assustador problema? Não sei já lhe perdi a conta!...

É uma realidade tão palpável e visível que só os loucos e os gananciosos é que não tomam consciência dela. Digo, não tomam ou não lhes convém tomar?

O pior, porém, é que quem tudo devia fazer para travar o avanço de tal tragédia não dá um passo nesse sentido. E desencadeia guerras reais e verbais já não, como no passado, por mais um palmo de terra na fronteira, mas pelos recursos do subsolo, muito especialmente, pelo petróleo causa principal de toda esta dramática e preocupante situação.

Que pensam os governantes e os políticos?...

Repito, não sei, e gostava mesmo de saber!

quinta-feira, outubro 25, 2007

Desonestidas destes tempos

A situação económica em Portugal (creio em todo o Mundo) é de profunda crise, pelo que todos procuram apertar o cinto no mais que podem, afim de equilibrar o orçamento pessoal e colectivo.

É justo e compreensivo que assim seja. Mas daí a perder-se a noção das realidades vai uma grande distância!...

Estou, concretamente, a referir-me a um comerciante que, depois de ter apresentado orçamento para a venda de duas cadeiras de rodas, o qual foi o mais baixo do mercado, quando fomos efectuar a compra, quis receber quase o dobro do valor proposto.

Depois do nosso protesto, devidamente documentado e argumentado, acabou por executar o negócio seguindo, rigorosamente, o estabelecido no orçamento.

Por quê tal falta de honestidade? Que tipo de comerciantes são estes; pois bem sei que não é caso isolado? Será que essas pessoas julgam os outros como tansos? Que fazer a esta gente desonesta e oportunista que pesca em águas turvas?

Sinceramente, não sei, mas gostava muito de saber!...

quarta-feira, outubro 24, 2007

Mais uma vez qualificar, é preciso

A Ficção existirá?

Muitas vezes fico a pensar nisto e não chego a uma conclusão peremptória sobre a matéria. Pois, como disse Maria Lúcia Lepecki, na revista “Super Interessante” de Abril de 2001, «Quem junta lembranças, fatalmente ficciona» e acrescentando ainda «não tenho talento, tenho memória», afirmação de Camilo Castelo Branco, para justificar a sua vastíssima produção literária, mais se intui a razão (não preocupação) desta minha natural dúvida.

De facto, nas “estórias” que vou escrevendo – tenho já prontos para o prelo 5 livros: um romance, dois de poesias, um de memórias e um de contos – existem sempre, bem entrelaçadas, descrições (camufladas) de muitos dos meus conhecimentos e das minhas próprias vivências humanas.

Lavoisier dizia que «nada se produz, nada se cria, apenas se transforma», o que (parece-me) é bem verdade e aplica-se também ao caso da criação artístico/literária.

Tudo quanto se faz é fruto de algum conhecimento adquirido pela teoria ou pela prática, porque se não houver, na nossa mente, algo aprendido ou vivido não seremos capazes de realizar seja o que for. Quem não tivesse nada no seu consciente, subconsciente e inconsciente, seria apenas, e só, um mero monte de carne e ossos inerte e amorfo que não viveria.

Quanto mais carregada estiver a nossa memória, mais possibilidade se tem de fazer coisas. E quanto mais qualificadas forem as nossas lembranças melhores serão as nossas realizações.

De tudo isto se infere que qualificar é urgente e imperioso ou não será?