quinta-feira, outubro 25, 2007

Desonestidas destes tempos

A situação económica em Portugal (creio em todo o Mundo) é de profunda crise, pelo que todos procuram apertar o cinto no mais que podem, afim de equilibrar o orçamento pessoal e colectivo.

É justo e compreensivo que assim seja. Mas daí a perder-se a noção das realidades vai uma grande distância!...

Estou, concretamente, a referir-me a um comerciante que, depois de ter apresentado orçamento para a venda de duas cadeiras de rodas, o qual foi o mais baixo do mercado, quando fomos efectuar a compra, quis receber quase o dobro do valor proposto.

Depois do nosso protesto, devidamente documentado e argumentado, acabou por executar o negócio seguindo, rigorosamente, o estabelecido no orçamento.

Por quê tal falta de honestidade? Que tipo de comerciantes são estes; pois bem sei que não é caso isolado? Será que essas pessoas julgam os outros como tansos? Que fazer a esta gente desonesta e oportunista que pesca em águas turvas?

Sinceramente, não sei, mas gostava muito de saber!...

quarta-feira, outubro 24, 2007

Mais uma vez qualificar, é preciso

A Ficção existirá?

Muitas vezes fico a pensar nisto e não chego a uma conclusão peremptória sobre a matéria. Pois, como disse Maria Lúcia Lepecki, na revista “Super Interessante” de Abril de 2001, «Quem junta lembranças, fatalmente ficciona» e acrescentando ainda «não tenho talento, tenho memória», afirmação de Camilo Castelo Branco, para justificar a sua vastíssima produção literária, mais se intui a razão (não preocupação) desta minha natural dúvida.

De facto, nas “estórias” que vou escrevendo – tenho já prontos para o prelo 5 livros: um romance, dois de poesias, um de memórias e um de contos – existem sempre, bem entrelaçadas, descrições (camufladas) de muitos dos meus conhecimentos e das minhas próprias vivências humanas.

Lavoisier dizia que «nada se produz, nada se cria, apenas se transforma», o que (parece-me) é bem verdade e aplica-se também ao caso da criação artístico/literária.

Tudo quanto se faz é fruto de algum conhecimento adquirido pela teoria ou pela prática, porque se não houver, na nossa mente, algo aprendido ou vivido não seremos capazes de realizar seja o que for. Quem não tivesse nada no seu consciente, subconsciente e inconsciente, seria apenas, e só, um mero monte de carne e ossos inerte e amorfo que não viveria.

Quanto mais carregada estiver a nossa memória, mais possibilidade se tem de fazer coisas. E quanto mais qualificadas forem as nossas lembranças melhores serão as nossas realizações.

De tudo isto se infere que qualificar é urgente e imperioso ou não será?

segunda-feira, outubro 22, 2007

Viver é dificil

Eu sei que viver é tão difícil como ganhar uma maratona em que participam os melhores atletas mundiais da especialidade.

É preciso ter gabarito para se obter semelhante proeza. Que o digam o Carlos Lopes e a Rosa Mota. É preciso estar física, mental e emocionalmente preparado para aguentar toda a pressão e esforço de tão longa quanto desgastante corrida.

Assim é, também, viver. É importante e nunca é bastante toda a preparação que formos adquirindo ao longo dos anos. Não interessa como conseguimos atingir a capacidade de sermos e estarmos neste belo planeta azul que, por egoísmo e ganância desmedida, estamos insensatamente a destruir. O fundamental é dotarmo-nos – pela instrução, pela formação técnico/profissional, pela observação de quanto nos rodeia e pelo trabalho desempenhado com suor e lágrimas – das ferramentas indispensáveis ao almejado sucesso.

Nós temos de estar disponíveis para a cabal aquisição dos meios que nos levem à meta final, mas o Estado tem de ter a palavra mais importante de todo este custoso processo de preparação social e humana.

Em Portugal, o Estado será que está a cumprir com este último requisito? Sinceramente, não sei e, por isso, tenho sérias dúvidas!...

sábado, outubro 20, 2007

De novo qualificação

Fazem-se muitos cursos de formação para pessoas com deficiência o que – diga-se – é óptimo, pois todos os cidadãos devem ter acesso à igualdade de oportunidades quer seja à educação/ensino/formação; quer seja ao trabalho/emprego. Pelo menos é o que determina a Constituição Portuguesa.

Mas, infelizmente, não e assim que as coisas se passam. E não é, porque não há a preocupação de criar no formando o gosto pelo trabalho e o conceito de que o que se faz, para além de ter grande qualidade, tem, também – direi, sobretudo –, de ser produzido no mais curto espaço de tempo.

Fazem-se cursos de Formação Profissional para pessoas com deficiência – sei muito bem do que estou a falar, pois fui, durante algum tempo, Coordenador de Acções de Formação Profissional desse tipo –, que não satisfazem, minimamente, aqueles quesitos fundamentais, o que ocasiona, obviamente, resultados desastrosos ao fazer-se a integração no mercado de trabalho.

A quem atribuir culpa por tal falhanço?

À falta de qualificação técnico/pedagógica dos formadores e, o que é bem pior, à falta de qualidade dos técnicos avaliadores/fiscalizadores da entidade subsidiadora dessas acções de formação profissional, que só olham para os papéis, cheios de relatórios muito bonitos, mas completamente ocos na prática.

E, por hoje, basta…!

sexta-feira, outubro 19, 2007

Parasitismo

É tido e sabido que sem estudo e sem trabalho ninguém singra na vida, a não ser que fuja aos mais elementares parâmetros de honestidade. Mas, ainda assim, não é fácil. O mundo de hoje não é como antigamente em que bastava ter um olho para se ser rei em terra de cegos. Por isso torna-se claro que é urgente e necessário mudar pensamentos e modos de agir.

O parasitismo não devia ter sentido nas sociedades do século XXI. Só que, lamentavelmente, esse fenómeno e esse flagelo social continuam a massacrar as comunidades, reduzindo o rendimento produtivo global.

Por cada parasita que vive agarrado e à custa do labor dos outros, há, no mínimo, mil pessoas a esfalfarem-se com remunerações de miséria e vergonha, cujo excedente que lhes caberiam acaba por ir parar aos bolsos daqueles que nada, ou muito pouco, produzem e que vivem de barriga forra e, o que é pior, sem escrúpulos de qualquer espécie.

Eu conheço – no passado e no presente – alguns políticos (se é que são merecedores de tal título?) que foram e são verdadeiras sanguessugas do suor dos outros. Mas que, sem que se entenda bem porquê, vivem como nababos e, quando morrem, têm direito a todas as honrarias e a nome numa rua da sua cidade.

E as árvores, a que se agarraram e pelas quais trepam, acabam sempre, por fenecer, ingloriamente, vítimas de asfixia dolorosa e implacável.

Como mudar este repugnante estado de coisas? Que mundo é este em que habitamos?!...