segunda-feira, outubro 22, 2007

Viver é dificil

Eu sei que viver é tão difícil como ganhar uma maratona em que participam os melhores atletas mundiais da especialidade.

É preciso ter gabarito para se obter semelhante proeza. Que o digam o Carlos Lopes e a Rosa Mota. É preciso estar física, mental e emocionalmente preparado para aguentar toda a pressão e esforço de tão longa quanto desgastante corrida.

Assim é, também, viver. É importante e nunca é bastante toda a preparação que formos adquirindo ao longo dos anos. Não interessa como conseguimos atingir a capacidade de sermos e estarmos neste belo planeta azul que, por egoísmo e ganância desmedida, estamos insensatamente a destruir. O fundamental é dotarmo-nos – pela instrução, pela formação técnico/profissional, pela observação de quanto nos rodeia e pelo trabalho desempenhado com suor e lágrimas – das ferramentas indispensáveis ao almejado sucesso.

Nós temos de estar disponíveis para a cabal aquisição dos meios que nos levem à meta final, mas o Estado tem de ter a palavra mais importante de todo este custoso processo de preparação social e humana.

Em Portugal, o Estado será que está a cumprir com este último requisito? Sinceramente, não sei e, por isso, tenho sérias dúvidas!...

sábado, outubro 20, 2007

De novo qualificação

Fazem-se muitos cursos de formação para pessoas com deficiência o que – diga-se – é óptimo, pois todos os cidadãos devem ter acesso à igualdade de oportunidades quer seja à educação/ensino/formação; quer seja ao trabalho/emprego. Pelo menos é o que determina a Constituição Portuguesa.

Mas, infelizmente, não e assim que as coisas se passam. E não é, porque não há a preocupação de criar no formando o gosto pelo trabalho e o conceito de que o que se faz, para além de ter grande qualidade, tem, também – direi, sobretudo –, de ser produzido no mais curto espaço de tempo.

Fazem-se cursos de Formação Profissional para pessoas com deficiência – sei muito bem do que estou a falar, pois fui, durante algum tempo, Coordenador de Acções de Formação Profissional desse tipo –, que não satisfazem, minimamente, aqueles quesitos fundamentais, o que ocasiona, obviamente, resultados desastrosos ao fazer-se a integração no mercado de trabalho.

A quem atribuir culpa por tal falhanço?

À falta de qualificação técnico/pedagógica dos formadores e, o que é bem pior, à falta de qualidade dos técnicos avaliadores/fiscalizadores da entidade subsidiadora dessas acções de formação profissional, que só olham para os papéis, cheios de relatórios muito bonitos, mas completamente ocos na prática.

E, por hoje, basta…!

sexta-feira, outubro 19, 2007

Parasitismo

É tido e sabido que sem estudo e sem trabalho ninguém singra na vida, a não ser que fuja aos mais elementares parâmetros de honestidade. Mas, ainda assim, não é fácil. O mundo de hoje não é como antigamente em que bastava ter um olho para se ser rei em terra de cegos. Por isso torna-se claro que é urgente e necessário mudar pensamentos e modos de agir.

O parasitismo não devia ter sentido nas sociedades do século XXI. Só que, lamentavelmente, esse fenómeno e esse flagelo social continuam a massacrar as comunidades, reduzindo o rendimento produtivo global.

Por cada parasita que vive agarrado e à custa do labor dos outros, há, no mínimo, mil pessoas a esfalfarem-se com remunerações de miséria e vergonha, cujo excedente que lhes caberiam acaba por ir parar aos bolsos daqueles que nada, ou muito pouco, produzem e que vivem de barriga forra e, o que é pior, sem escrúpulos de qualquer espécie.

Eu conheço – no passado e no presente – alguns políticos (se é que são merecedores de tal título?) que foram e são verdadeiras sanguessugas do suor dos outros. Mas que, sem que se entenda bem porquê, vivem como nababos e, quando morrem, têm direito a todas as honrarias e a nome numa rua da sua cidade.

E as árvores, a que se agarraram e pelas quais trepam, acabam sempre, por fenecer, ingloriamente, vítimas de asfixia dolorosa e implacável.

Como mudar este repugnante estado de coisas? Que mundo é este em que habitamos?!...

segunda-feira, outubro 15, 2007

Ainda sobre «Qulaificação...»

«Irá certamente ser um problema social deste século em Portugal. Já que há muitas pessoas a entrar nas universidades sem o mínimo de qualificações, nem académicas, nem pessoais, nem psicológicas, nem sociais, e a lista é interminável.
Digamos que é como começar a construção de uma casa pelo telhado, mas um dia a casa vem abaixo

Comentou, e bem, a minha leitora Cristina sobre o artigo no meu blogue, ao qual dei o título «Qualificação…». Este sábio e sentido comentário vem ao encontro do meu pensamento e da preocupação de muitíssima gente, neste país, assustada com o rumo um tanto aventureiro que o Ensino está tomar. Pelo menos eu não sei qual é. Mas sei, isso sim, é que não augura uma nação devidamente (vinque-se devidamente) instruída e culta, capaz de ombrear com as suas congéneres europeias.

Daí que seja justo demandar: Que políticos temos e qual é o Povo que querem construir?...

O fogo de artifício é para as romarias!...

Má educação e ignorância

De um modo geral, os ensinamentos de Cristo preconizam aos seus seguidores a tolerância, a compreensão e a paciência. Tolerância para aceitarmos a (sempre possível) falha do nosso semelhante; compreensão para entender que o outro também tem direitos e necessidades; paciência para esperar com muita serenidade a nossa vez de usufruirmos o que nos for devido.

Ora o que vimos, pela TV, no passado sábado (13/10/2007) em Fátima, foi bem a antítese de tudo aquilo que acabei de enumerar.

Era uma multidão despropositadamente sem tolerância, sem compreensão, sem paciência e… mais, sem fé. Pois, desrespeitosamente, em algazarra de vendedores em dia de feira, protestava contra o facto de a nova igreja do santuário estar encerrada e não a poderem visitar naquele momento, já que, no interior, decorria o ensaio duma orquestra e dum coro, com mais de 150 pessoas, para o espectáculo que iria ocorrer daí a umas horas.

Como é que dois mil e tal anos depois do nascimento de Jesus, a (“sua”) Igreja não foi capaz de instruir “o seu rebanho”, naqueles – aliás, comuns a todas as religiões – sãos princípios de convivência humana? Que andou o clero, em todo este vasto tempo, a fazer? Que evangelização foi (ou é) esta?

Depois admiram-se que a Igreja Católica Romana esteja a perder fiéis, com aumento de descrentes e fuga para outros credos!...