sábado, outubro 13, 2007

Considerações de um louco!?...

A mente humana é algo tão complexo que, desde há milhares de anos, os mais instruídos na matéria têm vindo a debruçar-se sobre ela, estudando e experimentando de todas as formas sem que, até hoje, se tenha obtido os necessários conhecimentos para que se domine, em plenitude, todas as reacções e todos os mecanismos que a regulam.

Essa complexidade e essa ignorância levou (e leva) o homem a refugiar-se no subjectivo (digo mesmo), no abstracto, afundando-o, quando para mais não tem capacidade, nos meandros da superstição e da irrealidade religiosa, criando, obviamente, conceitos que, embora não tendo qualquer base cientifica, o aliviam de suas dúvidas, dos seus medos e ou fantasmas.

A religião, diga-se, as religiões são isso mesmo: uma fuga vertical para o desconhecido, para Deus ou para os Deuses que povoam o nosso subconsciente, que desde o nosso nascimento foi (impiedosamente) metralhado com ideias, conceitos e preconceitos que lá se armazenaram, qual esponja, ao longo dos tempos.

Depois, quando adquirido algum conhecimento, surge o terrível combate entre o subconsciente que nos impele numa rota e o consciente que nos direcciona em sentido inverso. São dois homens em luta: o do passado eivado de preconceitos e superstições e o do presente sabedor de outras realidades que a ciência comprova e/ou comprovou.

A qual destas entidades em conflito dar a vitória? Ao subconsciente ou ao consciente? À religião ou à ciência? Ao subjectivo ou à lógica? Como ver (ou entender) a divindade como um Ser semelhante ao homem ou como um fonte de Energia latente em tudo e em todos que nos impele e orienta?

Não sei, mas gostava de saber! Por isso vou comprar uma dúzia de castanhas assadas à vendedeira da esquina e comê-las tranquilamente, no remanso do meu caminhar…

sexta-feira, outubro 12, 2007

Qualificação...

Diz-se que os portugueses são os reis do “desenrasque”. A esse propósito, meu pai que era Mestre de Serralharia Mecânica, no, então, Ensino Técnico, afirmava que o mal dos nossos operários (isto entre os anos quarenta e setenta do século passado) era que eles, salvo raríssimas excepções, «só tinham dois instrumentos de medida: o olhómetro e o palpómetro». Queria vincar desta forma, o quanto era evidente a falta de instrução, formação e qualificação profissional dos nossos trabalhadores.

Na verdade, a maioria dos trabalhadores de então, não tinha mais que o actual Ensino Básico, havendo mesmo quem não soubesse ler e escrever e outros que mal o faziam. «Aprenderam a arte» – como soava dizer-se – com os velhos operários que também a haviam aprendido de seus passados ou de mestres com quem privaram profissionalmente.

Essa foi, entre muitas outras, uma das grandes pechas do Portugal do século passado.

Agora, muito à pressa e de forma um tanto atabalhoada, procura-se, a todo o custo e por todos os meios, ultrapassar tão nefasta situação.

Mas é difícil, pois aquilo que devia ter sido feito ao longo de gerações, não é viável de uma hora para a outra, sob pena de estarmos a tentar enganar tudo e todos. Teremos, brevemente, um país com multidões de pessoas com diploma passado, mas sem a devida qualificação (diga-se, qualidade) intelectual, instrucional, cultural, profissional e… (por que não?) moral.

Todavia, ainda assim, «somos os melhores do mundo e arredores!...»

quarta-feira, outubro 10, 2007

Diferenças

Diziam-me, no tempo em que fui educado, que «há pessoas e Pessoas.» De facto ninguém é igual. É essa diferença que nos caracteriza e identifica como Seres Humanos.

Assisti, ontem, ao funeral de um homem de 51 anos que, por um pequeno fracasso na sua vida de empresário, foi forçado a passar um tempo (curto) numa cadeia. Cumprida a pena, saiu. Mas eivou-o um tal sentimento de vergonha que se apagou para o mundo, acumulando depressões, em tal continuidade, que acabaram por lhe encurtar a vida.

Ao vermos passar o féretro, minha esposa comentou: «Este homem que não prejudicou ninguém, apenas quis facilitar a vida a pessoas menos dotadas, porque esteve preso, somatizou vergonhas, quiçá culpas, sem medida e apagou-se. Fulano (o nome não importa) que espoliou e prejudicou uma multidão de gente e que esteve preso um ror de anos, quando saiu da prisão, mudou de terra e continua a viver como se nada tivesse acontecido, certamente praticando os mesmos actos…

Pois é! Um era um homem bom e digno que se auto flagelou pelas suas culpas, pagando com a vida essa honradez. O outro, sem sentimentos ou escrúpulos, vai em frente, prosseguindo um caminho tortuoso e pouco digno, sem se importar com nada.

Por isso eu repito o que aprendi em menino: «Há pessoas e Pessoas!...»

segunda-feira, outubro 08, 2007

Isto não vai bem...

«La belleza esta en los ojos de quien mira» - Dizia Miguel de Unamuno – no que não deixamos de estar de acordo, pois saber ver e encontrar beleza é uma questão de conhecimento. Por seu turno, o conhecimento é fruto do estudo atento e dedicado, como disse El-rei D. Duarte: «o boo studo, de simprez faz sabedor».

O conhecimento, especialmente nos dias de hoje, é um bem de primeiríssima necessidade. Há que obtê-lo por todas as formas ao alcance de quem o deseja, mas há, sobretudo, que proporcioná-lo sem restrições e da mais alta qualidade.

Obtê-lo é dever de cada um de nós; proporcioná-lo cabe aos governantes tudo fazerem para que ninguém fique excluído e, por isso, seja lançado na sarjeta da ignorância e, pior, da nulidade.

Este último ponto, ao que temos observado, está cheio de pechas e a precisar de grandes obras de restauro ou, cremos nós, de uma construção totalmente nova, erigida desde os alicerces até à cúpula da grande basílica chamada Ensino.

Dirá o Governo: não há dinheiro para tal reforma! Será que não há dinheiro ou que não existe é vontade e competência para efectuar tal transformação?

É duro chegarmos à conclusão de que estamos na cauda da Europa em muitos itens! Mas bem mais triste é sentirmos e vermos que esse atraso é devido ao oceano de ignorância e apatia em que estamos mergulhados. E, mais, que não temos tido, ao longo de três décadas, políticos e governantes com craveira mental para se imporem, no sentido de modificar este lastimoso estado de coisas.

Gastem-se menos euros em faustosidades só para estrangeiro ver! E essa economia use-se a dar trabalho a braços de professores ociosos que “verdadeiramente” ensinem e de simples façam sabedores, sem excepção, todos os portugueses!

sábado, outubro 06, 2007

Todos os mortos são "bestiais"

Dizia meu avô materno que «todos os mortos, no dia do funeral e nos que se lhe seguem, são boas pessoas e fizeram grandes coisas». Depois é que vem a história e os enaltece ou destrói, mostrando a sua verdadeira personalidade.

Eu lembro-me bem do funeral do ditador Salazar, das exéquias fúnebres em sua honra e dos discursos enaltecendo as suas obras e a sua personalidade. E…

Afinal, debaixo de todo aquele verniz, esforçadamente, aplicado, pelos seus correligionários e apaniguados, estava um homem frio, déspota, agarrado ao poder, que deixou atrás de si um imenso rio de lágrimas de sangue e sofrimento de toda a ordem de um povo cruelmente subjugado, pela polícia do Estado e pela miséria em que vivia e que foi, por ele, deixado em legado aos ilustres Capitães de Abril.

Nos funerais e nos dias subsequentes eu não acredito na proclamada “bondade” dos mortos, a não ser que, em vida, os tenha conhecido muito bem ou que com eles tenha privado muito de perto.

E por aqui me quedo!...