segunda-feira, outubro 08, 2007

Isto não vai bem...

«La belleza esta en los ojos de quien mira» - Dizia Miguel de Unamuno – no que não deixamos de estar de acordo, pois saber ver e encontrar beleza é uma questão de conhecimento. Por seu turno, o conhecimento é fruto do estudo atento e dedicado, como disse El-rei D. Duarte: «o boo studo, de simprez faz sabedor».

O conhecimento, especialmente nos dias de hoje, é um bem de primeiríssima necessidade. Há que obtê-lo por todas as formas ao alcance de quem o deseja, mas há, sobretudo, que proporcioná-lo sem restrições e da mais alta qualidade.

Obtê-lo é dever de cada um de nós; proporcioná-lo cabe aos governantes tudo fazerem para que ninguém fique excluído e, por isso, seja lançado na sarjeta da ignorância e, pior, da nulidade.

Este último ponto, ao que temos observado, está cheio de pechas e a precisar de grandes obras de restauro ou, cremos nós, de uma construção totalmente nova, erigida desde os alicerces até à cúpula da grande basílica chamada Ensino.

Dirá o Governo: não há dinheiro para tal reforma! Será que não há dinheiro ou que não existe é vontade e competência para efectuar tal transformação?

É duro chegarmos à conclusão de que estamos na cauda da Europa em muitos itens! Mas bem mais triste é sentirmos e vermos que esse atraso é devido ao oceano de ignorância e apatia em que estamos mergulhados. E, mais, que não temos tido, ao longo de três décadas, políticos e governantes com craveira mental para se imporem, no sentido de modificar este lastimoso estado de coisas.

Gastem-se menos euros em faustosidades só para estrangeiro ver! E essa economia use-se a dar trabalho a braços de professores ociosos que “verdadeiramente” ensinem e de simples façam sabedores, sem excepção, todos os portugueses!

sábado, outubro 06, 2007

Todos os mortos são "bestiais"

Dizia meu avô materno que «todos os mortos, no dia do funeral e nos que se lhe seguem, são boas pessoas e fizeram grandes coisas». Depois é que vem a história e os enaltece ou destrói, mostrando a sua verdadeira personalidade.

Eu lembro-me bem do funeral do ditador Salazar, das exéquias fúnebres em sua honra e dos discursos enaltecendo as suas obras e a sua personalidade. E…

Afinal, debaixo de todo aquele verniz, esforçadamente, aplicado, pelos seus correligionários e apaniguados, estava um homem frio, déspota, agarrado ao poder, que deixou atrás de si um imenso rio de lágrimas de sangue e sofrimento de toda a ordem de um povo cruelmente subjugado, pela polícia do Estado e pela miséria em que vivia e que foi, por ele, deixado em legado aos ilustres Capitães de Abril.

Nos funerais e nos dias subsequentes eu não acredito na proclamada “bondade” dos mortos, a não ser que, em vida, os tenha conhecido muito bem ou que com eles tenha privado muito de perto.

E por aqui me quedo!...

sexta-feira, outubro 05, 2007

Estátua a Aquilino Ribeiro

Nos finais dos anos 50 do século passado foi colocado um busto de Luís de Camões, no Parque da Cidade, em Viseu, o qual foi tão mal localizado e de forma tão pouco digna que os jovens (dos quais eu fazia parte – agora já posso dizê-lo) lhe colocaram um cartaz em que se dizia:

«Que fazes aí, Camões,

Homem de tanto valor?

- Estou a apanhar bolotas

Para dar aos idiotas

Que aqui me vieram pôr!...»

Depois disto, foi colocado num local um pouco mais condigno, onde a juventude estudantil – ao menos – o pode ver.

Surge isto a propósito de a Câmara Municipal de Viseu estar a preparar-se para colocar, no mesmo Parque, uma estátua do escritor Aquilino Ribeiro, talvez a pretexto de aquele pulmão citadino ter o nome do ilustre homem de letras.

Será que já não basta o abandono e maus-tratos do busto de João de Barros, agora também é preciso sujeitar Aquilino a tais vexames? Numa cidade tão moderna e bonita, será que não há outro local mais visível, atraente e moderno para honrar e prestigiar o autor de «Quando os lobos uivam»?...

quarta-feira, outubro 03, 2007

Linguística

O governo brasileiro – vi num jornal de TV – pretende que os seus funcionários deixem de empregar, nos documentos e na linguagem quotidiana, o gerúndio, pois consideram (o que é bem verdade) que essa forma prolonga a acção do verbo, como acontece com “fazendo”, “analisando”, “solucionando” e “concluindo”, mas “deixando” tudo como estava.

Confesso que achei graça ao facto, pois, na realidade, são os brasileiros quem mais usa essa forma verbal. E de tal forma lhe estão ligados que já não sabem construir um parágrafo sem que não apareça um ou dois gerúndios.

Dizemos nós, em Portugal (até contamos anedotas sobre isso), que os alentejanos são uns grandes mandriões, que tudo fazem para nada fazerem e, assim, gozarem as delícias de umas boas sestas. Agora percebo porquê. É que é no Alentejo que mais se usa o gerúndio, no linguajar do dia-a-dia.

Quando nada se quer fazer e para não usar aquela forma verbal, recorre-se, então, habilmente, ao estratagema de promover, burocráticas e enfadonhas, reuniões em que nada se decide e se podem deixa ficar os problemas em banho-maria até às calendas gregas.

O problema da questão, ao que se vê e bem se depreende, não é de linguística, mas de competência e, em muitos casos, de vontade.

Nesta última hipótese, como solucionar o ostracismo que nos envolve e avassala? Pela corrupção, certamente?!...

terça-feira, outubro 02, 2007

Paz precisa-se!

Há momentos e histórias que nos marcam e dirigem o pensamento e os passos para rumos diferente daquele que era nosso objectivo. Regra geral, algumas dessas inversões de marcha devem-se a conjunturas causadas pela natureza, como os cataclismos. Mas outras delas (talvez a maioria) têm origem na vivência humana de um dia a dia balizado por escolhos criados pelo próprio homem.

Estou a reportar-me, concretamente, aos casos dos refugiados de todo o mundo. Uns vêem-se forçados à fuga, pelas intempéries, pelos terramotos, pela erupção de vulcões e outras calamidades originadas de forma natural. Outros têm de abandonar os seus locais de estadia habitual porque os homens – dêem-se nome aos bois –, os governantes, em sua desmedida ambição de poder e riqueza, não se entendem e criam conflitos estúpidos (todos o são), que arrastam para o caos e para o medo multidões que nada têm a ver com esse malévolo estado de conflitualidade.

O fenómeno não é de agora. A História Universal desde sempre registou casos de fugas em massa por mor da tirania dos poderosos. Só que hoje essas deslocações são muito mais visíveis, quer pela quantidade de vítimas, quer pela frequência com que ocorrem.

O Século passado foi um estendal de casos e o que está a iniciar não apresenta melhorias.

Que valeram os ensinamentos e os exemplos de tolerância e pacifismo de Buda, Cristo, Maomé, Gandi, Luter King e alguns outros de que me não lembro? Por quê tanta cegueira e tanta arrogância? Será que isso é apanágio dos homens que detêm o poder? E por que não se dão conta os “senhores do mundo” desta triste e nefasta realidade e cuidam, de pronto, de mudar a atitude e o pensamento? Como fazê-los compreender o quanto estão errados e quanto de mal estão a provocar aos homens e ao planeta em que, ainda, habitamos?

Eu não sei, mas quem souber que o diga e tudo faça para que a mudança seja imediata e radical!

Paz precisa-se com urgência!!!