domingo, agosto 12, 2007

Julgar e... Julgar

Dizia-me, há dias, um ilustre jurista que, muitíssimas vezes, os juízes, se viam forçados (é o termo) a ter de condenar, mesmo sabendo que a pessoa está, deveras inocente e é, verdadeiramente, incapaz de cometer seja que falta seja. Mas condena porque todas as provas documentais, os depoimentos das testemunhas, as alegações dos advogados e a própria lei assim o determinam.

Esta forma de actuação mostra que, nos nossos dias, já não há Juízes com a coragem e a argumentação de um Juiz de Barrelas («o tal das meias amarelas») que, contra todas as provas testemunhais e alegações, condenou um réu, acusado de ter assassinado um homem, a ser enforcado. Todavia, acrescentou ao veredicto, que «tal execução só se cumpriria dali a 100 anos, ficando o réu, até lá, em liberdade e com todo o direito de fazer, plenamente, a sua vida como qualquer outro cidadão.»

Que mundo é este, Santo Deus!...

sexta-feira, agosto 10, 2007

Gest~~ao Museulógica

Em “O Homem que matou o Diabo”, Aquilino Ribeiro refere o Capitão Almeida Moreira como um “ladrão de obras de Arte”.

Sabe-se, hoje, que as coisas não foram bem assim e, por isso, Almeida Moreira, é digno de louvor e glória, pois fundou um dos mais importantes Museus do país – Museu de Grão Vasco – pelo seu rico e valioso acervo artístico e cultural.

Vem isto a propósito de uma nota do Sr. Telmo Vieira, publicada do J.N. de 6/8, em que, em P.S., lamenta que grande parte do acervo do museu de Viseu não esteja (permanentemente) exposto.

Existem regras e critérios para este tipo de exposição, as quais devem ser, escrupulosamente, seguidas, para que o museu cumpra, cabalmente, como lhe compete, uma autêntica função didáctica/pedagógica.

No riquíssimo espólio do Museu Grão Vasco de Viseu, também eu estou representado, no entanto de nada me queixo, pois sei que, quando morrer e evocarem a minha pessoa e a minha obra, o meu (modestíssimo) trabalho será exposto devidamente restaurado e conservado, nem que seja temporariamente. E isso já eu considero (super) óptimo, atendendo à minha insignificância como artista plástico, que, se o sou, o devo (pelas minhas grandes limitações motoras) à ajuda de minha – sempre atenta, prestimosa e sublime – esposa e ao pintor, de saudosa memória, Rolando de Oliveira que me incentivou e lançou, na juventude, em tão importantes lides.

Os museus, regra geral, expõem, apenas, um terço do seu acervo uma vez que os espaços têm de ser sabiamente geridos. Há que deixar bastante ar entre as peças por forma a que o visitante, recuando, para ter uma observação mais global, não corra o risco de tropeçar ou de colocar outro objecto no seu ângulo visual Não é, de modo algum, pedagógico encavalitar obras numa exposição. Quando assim sucede, é como se estivéssemos na casa de um “novo-rico” onde se torna bem difícil circular, porque, ao fazê-lo, nos arriscamos a derrubar um qualquer traste.

A gestão de qualquer museu exige muita dedicação e muita sensibilidade e, sobretudo, saber “estar aberto” a todas as críticas (boas e más) que sejam dirigidas a quem tem essa responsabilidade. Por isso digo – com muita consideração e respeito pela liberdade de pensamento e expressão que sempre prezei e ainda prezo –: estou de acordo com o contexto da nota publicada no J.N., excepto, como se deduz pelas afirmações anteriores, no que concerne ao Post-Scriptum do Sr. Telmo Vieira.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Sonhar é fácil

Li, hoje, um trabalho sobre o Professor Agostinho da Silva e achei interessante ele alvitrar, como forma para resolver as crises em Portugal e no Mundo, um sistema monárquico parecido com o português até a D. João I, muito especialmente tendo como referencia o rei D. Dinis e a Rainha D. Isabel, de quem era fã.

E especificava dizendo que um Municipalismo Monárquico (ou Monarquia Municipalista) seria o ideal. Pois estaríamos dando mérito ao Povo na gestão do Concelho e, de certo modo, a descentralizar o poder.

Segundo aquele ilustre filósofo iríamos ganhar (permitam-me a expressão) “poder democrático” e, ao mesmo tempo, um forte sentido espiritual de vida e/ou (traduzo eu) de vivência humana.

Só que já não estamos na Idade Média e o feudalismo já foi!... Ele anda, para aí, tanta sede de poder que a corrupção se tornou no “pão-nosso de cada dia”…

Não é assim?!... Não sei, mas (confessando toda a minha atávica ignorância) não levo a mal a quem sabe e a quem apoia esses monárquicos princípios.

Estou aberto às mudanças, no entanto, dada a minha já “provectas” idade, não as verei se elas vierem, alguma vez, a ocorrer.

Viva a utopia! Viva o sonho!

sábado, agosto 04, 2007

Surdez mental

Ontem era. Hoje é. Mas há ainda quem se não tenha apercebido de que, a cada instante, avançamos, assustadoramente, para a incerteza do futuro.

Eis uma tirada verbal, autenticamente, bem digna do Sr. De La Palisse, pela sua trivialidade e irreversível e incontestável previsibilidade.

Porém, a mais das vezes, essas verdades incontestáveis arrastam, na sua trajectória, acontecimentos que acabam por magoar quem deles é vítima activa ou passivamente. As conjunturas sociais, económicas, políticas, morais, religiosas e outras são sempre fruto do bom ou do mau comportamento ou, ainda, do pensar humano.

Ninguém vai querer – digo eu – assumir aquilo que não desejava que viesse (pudesse vir) a acontecer. Pois a dimensão mental das pessoas é um tanto fechada e, por isso, a tendência é (só) ouvirmo-nos a nós e rejeitar o dizer dos outros.

A capacidade intelectual de audição do que nos é dito é, na maioria dos casos, imensamente, restringida pelo nosso querer. O que pensamos e o que pretendemos é que está correcto, o que nos dizem é, para nós, duvidoso. E não escutamos, nem fazemos o mínimo esforço no sentido de nos abrirmos à inteligência do nosso interlocutor.

Tal fenómeno de surdez mental é (bem) mais evidente em indivíduos que liderem algo. Por arrogância do cargo tornam-se impermeáveis às ideias e ao sofrimento alheio e, voluntária ou involuntariamente, atropelam e marginalizam o semelhante, quantas vezes, por motivos fúteis. Mesmo que o não sejam, tornam-se descriminativos e, desse modo, preconceituosos.

Falo disto por muita coisa, mas especialmente pelo hermetismo dos líderes governamentais que se mostram avessos à audição dos outros líderes partidários e, sobretudo, do povo que sente na carne e na alma a dor causada por tanta insensibilidade ao geral sofrimento popular.

E… mais não devo dizer!

quinta-feira, agosto 02, 2007

,Maldade, só maldade

Meu avô materno, apresar de ser homem de poucas letras, não deixava de ser um sábio quando me ensinava – ele fazia-o, carinhosamente, a propósito de tantas coisas da vida –, com toda a certeza e convicção, que «os homens por inveja e por cobiça se tornam tão maus para com o semelhante que não têm pejo em o amesquinhar e, até, destruí-lo.» Por isso, prosseguia ele: «quando fizeres algo que outros ainda não fizeram ou, simplesmente, não se lembraram de realizar toma todas as cautelas para que ninguém te apedreje na praça pública.»

Lembrei-me disto a pretexto de coisas (muito) pessoais, mas sobretudo por o Inquérito à licenciatura do Primeiro-Ministro ter sido mandado arquivo, pois os documentos que lhe eram ou são inerentes foram, comprovadamente, dados como autênticos, sem quaisquer margens para dúvidas.

É triste, é bem triste que as pessoas, muito especialmente os políticos, sejam assim!...

Desdenham, fazem piadas de mau gosto, conta anedotas achincalhantes e sei lá que mais…

No fim de tudo, é lícito perguntar: qual é o prazer que pode existir em amesquinhar e destruir alguém?