quarta-feira, julho 04, 2007

Guerra Santa

Fala-se tanto – nos nossos dias – em “Guerra Santa” (Jihad Islâmica) que, de um modo ou de outro, se está a gerar um clima de desconfiança e medo em torno da expressão, associando-a, natural e imediatamente, a actos de violento e cruel terrorismo.

Claro que há fortes razões para que assim seja. As notícias das televisões põem-nos, diariamente, à frente dos olhos, cenas e acontecimentos que mostram o quanto o homem é carrasco e vítima do próprio homem. E não há ética ou moral que valha!... Tudo se permite e tudo se usa!

Diremos, nós, os ocidentais cristãos, cuidando ter a razão do nosso lado: Somos impolutos, por mor da nossa religião, que é de tolerância e entendimento, nunca desenvolvemos actos semelhantes de “guerra santa”!

Oh! Como somos tontos! Então as Cruzadas foram o quê?

“Guerra santa”?! Que intolerância e que loucura!...

Um dia – contam os evangelhos –, os discípulos, exaltados por os Samaritanos lhes terem negado acolhimento, disseram a Jesus: «Quereis que mandemos do Céu um fogo que os destrua?» Que não – respondeu o Cristo –, que não competia aos homens punirem naquilo que só a Deus diz respeito.

Isto é verdadeiramente sublime e maravilhoso, porque é a negação às “guerras santas”, feitas por homens contra outros homens, ainda que ajam ou pensem de forma que (a nós) nos possa parecer contrário aos mandamentos divinos. Isto é o não, peremptório e definitivo, a todas as “guerras santas” sejam quais forem. Isto é Amor!

E é assim que deve ser. O contrário é ódio, é crime e tem de ser erradicado da face da Terra, não pela violência, mas pelo diálogo, pelo exemplo edificante, numa palavra: pelo Amor incondicional e sincero, cultivado e executado por todos os homens sem excepção.

segunda-feira, julho 02, 2007

Avareza e poupança louca e estúpida

Conheço pessoas que são verdadeiros esquilos. Guardam tudo: o velho e o novo; o que precisam e o que já não lhes faz falta. Enchem espaços com coisas que lhe não são úteis e, pior, em muitos casos, inconscientemente, promovem verdadeiros antros atentatórios à saúde, pois criam nichos propícios ao desenvolvimento de ratos, insectos e outras bichezas causadoras de epidemias perigosas para o ser humano.

Ser poupado, ser económico, ou não destruir património é bom e louvável. Usá-lo, quando já não o queremos, em proveito dos outros é digno de almas sãs. Pôr aquilo que é testemunho do passado ao serviço, pedagógico, das gerações vindouras, cedendo-o a museus, é motivo de orgulho para o dador e seus descendentes e merecedor de altas comendas.

Mas… (cá vem a malvada adversativa) ao contrário aferrolhá-lo, sem préstimo, nem cuidado, é crime (pelo menos no plano moral). E será, seriamente, punido quando um dia tivermos de dar contas ao Criador Supremo. Disto não tenhamos a menor dúvida! O dizer: «era dos meus passados, não o dou, nem o vendo,» é egoísmo aberrante e abominável que só merece críticas severas, pois não serve a ninguém, nem ao próprio, nem ao seu semelhante.

É por causa de tal pensar que (tantas vezes) vemos terras a monte a criar silvas e matagais, com bichos perniciosos a infestarem esses espaços abandonados e a causarem doenças e receios às populações circundantes.

O que não nos serve, pode, muito bem, servir a outros com carências várias!....

sábado, junho 30, 2007

A esperança em tempo de ansiedade

Existem, na vida dos homens, momentos fáceis de enfrentar e outros em que algo (por mais simples e trivial) se torna duma complexidade aterradoramente capaz de revirar as ideias e comportamentos de forma (quase) inexplicável. Apelidamos, então, esse estado emocional de ansiedade. E, muitas vezes, quedamo-nos, perturbadoramente, impacientes e instáveis, como se o mundo fosse, a todo o instante, desabar, irremediavelmente, nada restando no final.

Numa sala de um consultório de psicologia, onde fui falar com alguém de minha relação de amizade, estava pendurado um cartaz em que se lia:

«Ansiedade:

- Resposta normal e adaptativa do organismo perante ameaças reais ou imaginadas, que o prepara para reagir a uma situação de perigo;

- Surge sempre que se interpreta um estímulo ou situação como ameaçador/perigoso.»

Ainda bem que assim é, pois, de contrário, correr-se-ia o risco de se entrar em depressão e, por somatização, em desequilíbrio emocional e, até, possivelmente, nalgum qualquer outro estado bem mais grave e preocupante.

Na realidade, a Dimanação da Energia Astral que rege todas as coisas (e que chamamos Deus) não deixa de ser, maravilhosamente, sublime na forma como criou defesas para a maioria das situações que afectam e poderiam destruir o Ser Humano.

É por isto que eu, mesmo sabendo que o mundo atravessa tempos de grande incógnita, não me envolvo em medos de um amanhã matizado de mil incertezas e dúvidas. Eu sei (tenho a certeza) que raiará um belo e brilhante Arco-íris, no fim de todas as tormentas ou provações por onde havemos de passar.

sexta-feira, junho 29, 2007

O enigma e a vida

Os factos da vida das pessoas são sempre o resultado das suas acções e do seu pensar, muito embora, à partida, haja uma certa, talvez benéfica, dose de mistério e, ou, enigma. É que as ideias e as acções, na sua origem, são, de forma geral, de desfecho desconhecido. Ninguém sabe qual a evolução das coisas, nem, a mais das vezes, como vão terminar.

É, por certo, nessa dúvida que reside o encanto da vida, pois a incógnita gera emoções e reacções que dignificam o Homem, como, por exemplo, a ansiedade e o medo. Isso, por seu turno, leva ao estado de alerta e à tomada, salutar e permanente, de medidas de defesa ou de rectificação dos erros cometidos durante a realização do processo.

È bom, creio, estarmos, como Júlio César, ao entrar na velha Gália, em dúvida e, tal como o Imperador Romano, dizermos: «Álea jacta est!...» (A semente ou sorte está lançada!...)

Ele desconhecia, acredita-se, os perigos que o iriam envolver, mas foi, destemido e, digamos, atrevido e, ao regressar a Roma, conseguiu dizer, com euforia: «Veni, vidi, vici!» (Cheguei, vi e venci!)

Viver é, realmente, estar, constantemente, envolto em mistério quanto ao desfecho dos nossos empreendimentos e é isso que nos anima e dá força a seguir sempre em frente, com entusiasmo e esperança no futuro.

segunda-feira, junho 25, 2007

Esperança social

«Só o amor dá sentido à vida!» - Diz o Dalai Lama.

Estou plenamente de acordo. Todavia, numa adaptação mais lata e mais concordante com o materialismo dos nossos dias, eu ouso dizer: só um pensamento muito humano ou muito humanizado, em que os sentimentos se sobreponham ao Ter e mesmo ao Ser, podem tornar viável a vida das pessoas.

Talvez por mor das novas tecnologias e dos “grandes” interesses de alguns indivíduos com responsabilidades no evoluir das sociedades, ainda topamos, a cada passo, com casos de “bradar aos céus”, pela elevada cópia de discriminação social e injustiça que os envolve, numa espiral assustadora.

Até quando? É-nos lícito demandar.

Só que a resposta certa eu não a tenho e não vislumbro, na minha (já) longa experiência de vida, a solução para o enunciado da problemática em apreço. Tenho, no entanto, uma certeza: é preciso não desistir de lançar alertas, pois, deles, algo há-de resultar. Alguém, mais ou menos poderoso, ou simplesmente, com meios ao seu alcance, há-de, por certo, ouvir o apelo ou os apelos e desenvolver acções que mudarão as coisas, dando-lhe o sentido que devem ter.

Esta minha (certamente louca) esperança, não pode morrer, inconsequente, no nada da espuma que desaparece absorvida pela areia, na sucessão, interminável, do bater das ondas na praia.